icons.title signature.placeholder Renato Rodrigues
05/11/2013
07:05

A permanência ou não de Tite no Corinthians na próxima temporada tem provocado divisão na diretoria do clube. Enquanto o presidente Mário Gobbi Filho, praticamente sozinho, não abre mão do treinador, um grupo, liderado pelo ex-presidente Andrés Sanchez, não quer a renovação do contrato, que vai até 31 de dezembro deste ano.

Vendo o Timão naufragar no Campeonato Brasileiro com uma das maiores folhas salariais do futebol brasileiro, todos concordam com uma só coisa: é hora de reformular. O problema é até onde e quem essas mudanças vão atingir.

Convicto de que o problema maior são os jogadores, Gobbi acredita que Tite é o técnico ideal para começar um novo ciclo. Já Andrés, influente dentro do Parque São Jorge, considera que a troca também tem de ser no comando.

Gobbi já reuniu a diretoria e a comissão técnica algumas vezes no segundo semestre, preocupado com o rendimento do time no Brasileirão. Teve sempre a garantia de que as coisas iriam melhorar em campo, o que não aconteceu. Mas, com o passar do tempo, a certeza de que o técnico era o menos culpado, aumentou.

No meio da quebra de braço entre o atual e o antigo presidente do Corinthians, estão o diretor de futebol Roberto de Andrade, o diretor-adjunto Duílio Monteiro Alves e o gerente Edu Gaspar. O trio, em cima do muro, já trocou de opinião algumas vezes. Na derrota para o Botafogo (1 a 0), em 12 de setembro, por exemplo, voltaram do Rio de Janeiro querendo a cabeça de Tite e dispostos a convencer Gobbi de demitir o técnico. Após reuniões, voltaram atrás.

Antes com declarações convictas sobre o “fico” do treinador, os três agora repetem o discurso de que vão analisar a situação e o trabalho todo, após a equipe atingir os 46 pontos no Brasileirão, pontuação que tiraria qualquer chance de rebaixamento.

Tite, no meio do fogo cruzado, já demonstrava incômodo com a política esquentando. O LANCE!Net revelou há um mês que o comandante já começava a se preocupar com o assunto. Depois de se mostrar desiludido em continuar, vem mudando de ideia e se animando com a possibilidade de remontar um Corinthians vitorioso.

Mano Menezes não foi procurado

Apesar de ainda não ter definido se Tite continuará no cargo em 2014, o presidente Mário Gobbi não deu aval a nenhum membro da diretoria de futebol para procurar Mano Menezes para sondá-lo.

O mandatário entende que procurar um novo nome antes mesmo de decidir sua situação seria uma falta de respeito com o homem que conquistou cinco títulos nos últimos três anos – Brasileirão de 2011, Libertadores e Mundial de Clubes de 2012, e Paulistão e Recopa Sul-Americana deste ano.

Mas não é segredo para ninguém que o presidente gosta de Mano e admira seu trabalho. Os dois estiveram juntos em 2009, quando Gobbi foi diretor de futebol.

Caso Tite não permaneça, o antigo treinador alvinegro será uma das opções para assumir. Porém, se Mano Menezes foi procurado em algum momento, não foi por ordens do atual presidente, dizem pessoas envolvidas no dia a dia do Corinthians.