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10/03/2014
16:35

O presidente do Corinthians, Mário Gobbi Filho, ironizou a ação do Sindicato de Atletas Profissionais do Estado de São Paulo (Sapesp), que move ação de R$ 6,2 milhões contra o clube por assédio moral e/ou atentado sofridos pelos jogadores e por ambiente de trabalho inseguro.

Para o dirigente, a responsabilidade sobre as ações criminosas das torcidas organizadas não é dos clubes.

– Fui na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), falei com o presidente (Marcos da Costa), ele quer lançar um movimento contra a violência das torcidas. Mas pensam que o clube tem obrigação de cuidar do torcedor. Então, vou abrir um concurso, criar a polícia uniformizada do Corinthians – disse, ao ser questionado sobre a ação do Sapesp.

– Nós vamos tomar conta do Estado, aí sim Corinthians vai ter responsabilidade da violência. Violência é responsabilidade do poder público. Estado é figura de ficção... Tirar do ombro do Estado? Então, para que tantos impostos? Acho que moro em outro mundo. Ainda bem que em dezembro já estou saindo fora. Mediocridade é muito grande.

A ação pede R$ 200 mil para cada um dos 31 jogadores do Corinthians presente no CT no dia da invasão, sendo R$ 100 mil por cada acusação.

Irritado, Gobbi disse que há esquema de segurança no Corinthians, mas que ele foi desmontado por uma “avalanche inesperada, imprevista e rara, de uma quantidade enorme de pessoas que decidiram invadir” o CT no dia 1º de fevereiro.

– Eu estou vendo com tristeza (a ação do sindicato). O Corinthians tem de cuidar da sua torcida? Preciso ir pro divã. A segurança pública não tem de cuidar? E do nascituro, que precisa ter berço e educação? É tudo culpa do Corinthians? Cada um cumpre sua função, e a Constituição é bem clara. Está lá – reclamou.

SINDICATO CONTESTA CASO FORTUITO

A ação do sindicato tem um total de 26 páginas e é defendida pelos advogados Washington Rodrigues de Oliveira e Eduardo Novaes Santos. Ambos se encontraram com o presidente Mário Gobbi Filho no Ministério Público do Trabalho, dias depois da invasão ao CT por parte de mais de cem membros de facções da torcida do Corinthians, quando o MP começou a apurar o incidente.

Membros de facções da torcida uniformizada do Corinthians, no CT em fevereiro (Foto: Reginaldo Castro/LANCE!Press)

O trecho da ação do sindicato que contesta a imprevisibilidade citada por Gobbi diz que “No caso em exame, no mínimo a culpa [do clube] restou patente. A reclamada [o clube] negligenciou quanto à segurança privada em seu estabelecimento porque a violência de sua Torcida tornou-se endêmica, não mais podendo ser atribuída a ‘caso fortuito’”.

E, em seguida, lembra que o Corinthians sabe bem os riscos que as torcidas organizadas oferecem: “Se a omissão não teve por intenção lesar os Obreiros [os atletas], não é possível negar que houve indiferença em face dos previsíveis riscos. O reclamado [o clube], conhecendo (ou devendo conhecer) aqueles presentes na sua atividade, não proporcionou medidas preventivas de segurança, o que caracteriza ato ilícito ensejador de reparação.”

A primeira audiência no tribunal sobre a ação está marcada para o dia 3 de junho.