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06/02/2015
20:33

Antes de a Federação Paulista de Futebol e de o Palmeiras voltarem atrás e liberarem a venda de ingressos para a torcida do Corinthians no Dérbi, Mário Gobbi concedeu entrevista coletiva no CT para falar do assunto. Mas o presidente alvinegro, que deixará o cargo neste sábado, falou muito mais. Muito mais mesmo.

A começar pela primeira resposta que, na verdade, foi um pronunciamento. Durante nada menos do que 42 minutos, o mandatário contou sua versão dos bastidores do imbróglio, que começou poucas horas antes do confronto com o Once Caldas, quando ele recebeu uma ligação do presidente da FPF, Reinaldo Carneiro, e, posteriormente, ligou para o presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, para tentar demovê-lo da ideia de torcida única no clássico deste domingo, às 17h, no Allianz Parque.

Durante essa primeira - e longa - esplanação, Gobbi não economizou críticas aos representantes do Ministério Público de São Paulo nem aos representantes da FPF. E também atacou o presidente do maior rival.

- Fizeram isso na calada da noite, sorrateira, nos bastidores do porão - afirmou o mandatário que, ainda mandou um recado a Paulo Castilho, que o havia acusado de ter ligação estreita com a maior uniformizada do clube.

- Quero responder ao dr. Paulo Castilho (procurador do MP). Ele disse que o Corinthians é refém da Gaviões da Fiel. Eu acho que ele se olhou no espelho, porque quem tem competência e dever de fiscalizar torcida organizada e autorizar é o MP, e não dirigente de clube. Refém é ele, não nós. Por que ele não fecha as torcidas organizadas se ele acha que tem bandido? Eu não sou refém de ninguém, Nesses três anos, fiz aquilo que minha consciência mandou fazer, nem por isso deixei de dialogar. Mas o fato de dialogar não quer dizer que somos amigos. Eu recebi durante três anos 5 mil pessoas - avisou.

Além de colocar Paulo Nobre no meio desse suposto conchavo com MP-SP e FPF, ainda revelou alguns episódios desconhecidos do público em relação ao mandatário alviverde.

- Fico triste com o Paulo Nobre, o via como um dirigente legal, um amigo legal, tive o Alan Kardec na minha mão, não o fiz em lealdade a ele, como ele foi ético na minha pessoa com o Dudu. O atacante da Chapecoense (Leandro) ele disse que a comissão técnica queria e eu disse: "seja feliz" - desabafou.



- Nós fomos tratados como moleques, pelo Palmeiras e pela federação. Só há uma forma de retratação, é dar os ingressos que são de direito do Corinthians. Tivemos uma reuniao do G4 e eu disse que o Corinthians não entra nesse G4 de jeito nenhum. Como eu vou sentar se o time grande X trabalha no Congresso para que o Corinthians tenha a mesma cota de TV que outros times que têm a torcida pequenininha? Isonomia é tratar iguais de forma desigual. Eu digo a vocês, amanhã eu deixo a presidência e não há parceiros, é cada um para sí e Deus para todos. Que se dane o povo, a torcida, a sociedade - completou.

Cansado e visivelmente sem paciência, Gobbi passou a fazer uma espécie de "stand-up comedy". Ao ser questionado se poderia pagar os lugares vazios que o presidente do Palmeiras não quer perder com torcida visitante, emendou com uma música infantil: "Atirei o pau no gato, to to...".

Na sequência, falou do período em que fez faculdade na década de 80, no Mackenzie, para lembrar a um jornalista sobre a decisão da juíza a favor do clube, na qual desautorizava MP-SP e FPF de não vender ingressos para o visitante. Mas não parou por aí...

No fim, Gobbi ainda cantou Raul Seixas e Chico Buarque, além de lembrar que o Carnaval estava chegando. Na sequência, o presidente do Corinthians enalteceu seu comando no clube e tudo que conquistou à frente da equipe durante o mandato, sem se esquecer de mandar um beijo a um jornalista que nem estava na sala, com direito a um 'eu te amo'. Foi quando veio a informação de que a FPF e o Palmeiras trocaram de posição e liberaram os ingressos para a torcida do Corinthians.

Gobbi, então, sorriu e disse:

- Eu quero agradecer ao presidente (da Federação Paulista de Futebol) Reinaldo Carneiro Bastos pela sensibilidade que ele teve. Quero agradecer ao presidente do Palmeiras, Paulo Nobre. Vamos ter isso como um equívoco resolvido, assim que os ingressos chegarem. Que Deus abençoe a todos nós. Que seja um baita clássico, um baita jogo - falou.

Antes de sair da sala, ainda brincou com alguns jornalistas. E até xingou um deles em tom de brincadeira.