icons.title signature.placeholder Frederico Ribeiro
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25/07/2013
12:16

O Atlético-MG venceu a Libertadores que Cuca classificou como a mais disputada da História. No caminho do Galo, houve sofrimento, atuações espetaculares e lances imortais protagonizados pelo goleiro Victor, que virou santo da Massa.

No primeiro jogo do Alvinegro na competição, o São Paulo, tricampeão da Libertadores, veio até o Independência. Com a euforia da torcida, o time de Cuca venceu por 2 a 1. O gol que abriu o placar saiu após Ronaldinho ludibriar a defesa do time paulista, pedindo água para Rogério Ceni e se livrando da atenção dos zagueiros na cobrança de lateral de Marcos Rocha. Livre na ponta direita, ele só rolou para Jô fazer 1 a 0.

A vitória em casa, diante de um tradicional time na Libertadores, deu confiança. Para a segunda rodada, o desafio era até maior: visitar a Argentina. O adversário era o Arsenal de Sarandí que, apesar de não ser um dos maiores clubes do país, tinha um time que dava trabalho no Campeonato Nacional. Mas o Galo fez história aplicando a maior goleada brasileira em solo hermano na competição: 5 a 2.

Àquela altura, a equipe que havia disputado apenas quatro vezes o torneio já surgia com uma força surpreendente. Os 100% de aproveitamento mantiveram-se no duelo contra o The Strongest, no Independência. Vitória de 2 a 1, magra, mas suficiente para colocar um pé nas oitavas. O quarto jogo foi um dos mais complicados. O time boliviano cansou de chutar de média distância em La Paz, utilizando do ar rarefeito da altitude, que exigiu grande esforço físico. Mas foi então que a sorte apareceu novamente. Serginho, odiado pela torcida, entrou no segundo tempo e cruzou uma bola que foi mandada para dentro por um zagueiro do Tigre boliviano. Mais um triunfo de 2 a 1.

No penúltimo jogo da fase de grupos, novamente o Arsenal de Sarandí pelo caminho. O placar do primeiro confronto repetiu-se, em noite de gala de Ronaldinho no Independência. Posteriormente, contudo, a festa foi manchada pela irritação dos argentinos, que entraram em combate com a Polícia Militar de Minas Gerais e tiveram que prestar depoimentos. Só foram liberadores do Horto às 6h. A vitória deixou o Galo com o primeiro lugar geral da Libertadores, depois que o Vélez tropeçou em casa, dias depois.


Victor foi um dos destaques do Galo na Libertadores (Foto: Vanderlei Almeida/ AFP)

Diante do São Paulo, o Atlético conheceu sua primeira derrota e o fim dos 100% de aproveitamento. O tropeço no Morumbi, por 2 a 0, deixou os brasileiros cara a cara nas oitavas de final. Se vencesse, o Galo eliminaria o Tricolor da competição. Só que Ronaldinho já havia avisado que a história, no mata-mata, seria diferente. E foi. No primeiro jogo, vitória do Galo em São Paulo por 2 a 1, de virada. Na volta, um baile no Independência, 4 a 1 e adeus são-paulino.

As quartas de final reservaram mais um desafio puxado para o Alvinegro mineiro. Viagem cansativa para o México, quase fronteira com os Estados Unidos, para pegar o Tijuana. O time mexicano surpreendeu na consistência tática e deu trabalho. Mas foi a vez de Luan escrever seu nome na campanha, ao empatar no finalzinho o duelo na Baja Califórnia: 2 a 2. No jogo de volta, os torcedores do Galo fizeram algo marcante, ao vestirem a máscara do filme Pânico, simbolizando o 'Caiu no Horto, tá morto'.

Em campo, foi um pânico total para o Galo. O Tijuana abriu o placar, com Riascos, e calou o Horto pela primeira vez. Com Réver, vinha o empate que daria a classificação inédita para uma semifinal do torneio. Só que, aos 46 minutos do segundo tempo, o Independência ficou novamente em silêncio. Leonardo Silva cometeu pênalti em Piceño e, naquele momento, todas as jogadas bonitas, os gols e a campanha brilhante do Galo ficariam no esquecimento, com uma eliminação inesperada.

Mas foi neste momento que o nome da conquista do Galo apareceu pela primeira vez. Victor, que deixou o Grêmio em baixa, reegueu-se nesta Libertadores. Ele defendeu o pênalti cobrado por Riascos, com o pé, e derramou o primeiro banho de lágrimas da torcida.

Sobrevida na Libertadores. Classificação para a semifinal. Adversário? O temido Newell's Old Boys, que já mostrava força na fase de grupos e no fato de ter eliminado o Vélez Sarsfield fora de casa. O time de Scocco, Maxi Rodríguez e Tata Martino só venceria o Atlético no Estádio Marcelo Bielsa mais de um mês após as quartas-de-final. O Galo foi irreconhecível em Rosário. Mas a torcida acreditava. Acreditava mesmo.

Na volta, Bernard abriu o placar aos três minutos de jogo. A esperança ficou gigante. Mas o tempo passou e nada do segundo gol que levaria, pelo menos, para os pênaltis. Eis que Cuca resolve colocar Alecsandro e Guilherme no lugar de Bernard e Tardelli, respectivamente. Dois jogadores que nunca tiveram a graça da Massa. Mas Guilherme, ainda mais criticado, pegou rebote de Mateo e derramou o segundo banho de lágrimas da torcida.

Nos pênaltis, Victor surgiu novamente. Impediu o acerto de Maxi Rodríguez e fez Cuca desabar no chão. O Galo chegava na final da Libertadores. O adversário já era conhecido naquele momento. O Olimpia, outro tricampeão na reta. Primeiro jogo no Defensores del Chaco e derrota por 2 a 0. Foi com um gol no final de Pittoni, de falta, que a sorte não esteve mesmo do lado do Galo.

E o segundo jogo? Mineirão ou Independência? Kalil bateu o pé, pediu ajuda ao presidente da CBF, José Maria Marin, mas a Conmebol, que fica no mesmo país do Olimpia, cedeu ao relatório da Asociación Paraguaya de Fútbol provando que o estádio cabia 40 mil lugares e rejeitou o Independência. Ela queria a festa de encerramento da competição em um estádio gigante, de Copa do Mundo. O Mineirão voltava a ser casa do Galo.

Os 64 mil lugares prometiam ser tomados pela cor preto e branca. 58 mil presentes no estádio e vozes que voltavam a acreditar. O primeiro tempo terminou em 0 a 0 e o desespero já estava no rosto de alguns torcedores. Mas Jô abriu o placar no começo e Leonardo Silva repetiu Guilherme, igualando o placar agregado.

Nos pênaltis, novamente, o Atlético decidia seu destino. E não é figura de linguagem. O título da Libertadores, que veio com mais uma defesa de Victor e aproveitamento total dos batedores brasileiros, colocou o Galo em outro patamar. O primeiro título do clube que deixou Belo Horizonte sem dormir de quarta para quinta-feira.

Melhores momentos do Galo na Libertadores

O Atlético-MG venceu a Libertadores que Cuca classificou como a mais disputada da História. No caminho do Galo, houve sofrimento, atuações espetaculares e lances imortais protagonizados pelo goleiro Victor, que virou santo da Massa.

No primeiro jogo do Alvinegro na competição, o São Paulo, tricampeão da Libertadores, veio até o Independência. Com a euforia da torcida, o time de Cuca venceu por 2 a 1. O gol que abriu o placar saiu após Ronaldinho ludibriar a defesa do time paulista, pedindo água para Rogério Ceni e se livrando da atenção dos zagueiros na cobrança de lateral de Marcos Rocha. Livre na ponta direita, ele só rolou para Jô fazer 1 a 0.

A vitória em casa, diante de um tradicional time na Libertadores, deu confiança. Para a segunda rodada, o desafio era até maior: visitar a Argentina. O adversário era o Arsenal de Sarandí que, apesar de não ser um dos maiores clubes do país, tinha um time que dava trabalho no Campeonato Nacional. Mas o Galo fez história aplicando a maior goleada brasileira em solo hermano na competição: 5 a 2.

Àquela altura, a equipe que havia disputado apenas quatro vezes o torneio já surgia com uma força surpreendente. Os 100% de aproveitamento mantiveram-se no duelo contra o The Strongest, no Independência. Vitória de 2 a 1, magra, mas suficiente para colocar um pé nas oitavas. O quarto jogo foi um dos mais complicados. O time boliviano cansou de chutar de média distância em La Paz, utilizando do ar rarefeito da altitude, que exigiu grande esforço físico. Mas foi então que a sorte apareceu novamente. Serginho, odiado pela torcida, entrou no segundo tempo e cruzou uma bola que foi mandada para dentro por um zagueiro do Tigre boliviano. Mais um triunfo de 2 a 1.

No penúltimo jogo da fase de grupos, novamente o Arsenal de Sarandí pelo caminho. O placar do primeiro confronto repetiu-se, em noite de gala de Ronaldinho no Independência. Posteriormente, contudo, a festa foi manchada pela irritação dos argentinos, que entraram em combate com a Polícia Militar de Minas Gerais e tiveram que prestar depoimentos. Só foram liberadores do Horto às 6h. A vitória deixou o Galo com o primeiro lugar geral da Libertadores, depois que o Vélez tropeçou em casa, dias depois.


Victor foi um dos destaques do Galo na Libertadores (Foto: Vanderlei Almeida/ AFP)

Diante do São Paulo, o Atlético conheceu sua primeira derrota e o fim dos 100% de aproveitamento. O tropeço no Morumbi, por 2 a 0, deixou os brasileiros cara a cara nas oitavas de final. Se vencesse, o Galo eliminaria o Tricolor da competição. Só que Ronaldinho já havia avisado que a história, no mata-mata, seria diferente. E foi. No primeiro jogo, vitória do Galo em São Paulo por 2 a 1, de virada. Na volta, um baile no Independência, 4 a 1 e adeus são-paulino.

As quartas de final reservaram mais um desafio puxado para o Alvinegro mineiro. Viagem cansativa para o México, quase fronteira com os Estados Unidos, para pegar o Tijuana. O time mexicano surpreendeu na consistência tática e deu trabalho. Mas foi a vez de Luan escrever seu nome na campanha, ao empatar no finalzinho o duelo na Baja Califórnia: 2 a 2. No jogo de volta, os torcedores do Galo fizeram algo marcante, ao vestirem a máscara do filme Pânico, simbolizando o 'Caiu no Horto, tá morto'.

Em campo, foi um pânico total para o Galo. O Tijuana abriu o placar, com Riascos, e calou o Horto pela primeira vez. Com Réver, vinha o empate que daria a classificação inédita para uma semifinal do torneio. Só que, aos 46 minutos do segundo tempo, o Independência ficou novamente em silêncio. Leonardo Silva cometeu pênalti em Piceño e, naquele momento, todas as jogadas bonitas, os gols e a campanha brilhante do Galo ficariam no esquecimento, com uma eliminação inesperada.

Mas foi neste momento que o nome da conquista do Galo apareceu pela primeira vez. Victor, que deixou o Grêmio em baixa, reegueu-se nesta Libertadores. Ele defendeu o pênalti cobrado por Riascos, com o pé, e derramou o primeiro banho de lágrimas da torcida.

Sobrevida na Libertadores. Classificação para a semifinal. Adversário? O temido Newell's Old Boys, que já mostrava força na fase de grupos e no fato de ter eliminado o Vélez Sarsfield fora de casa. O time de Scocco, Maxi Rodríguez e Tata Martino só venceria o Atlético no Estádio Marcelo Bielsa mais de um mês após as quartas-de-final. O Galo foi irreconhecível em Rosário. Mas a torcida acreditava. Acreditava mesmo.

Na volta, Bernard abriu o placar aos três minutos de jogo. A esperança ficou gigante. Mas o tempo passou e nada do segundo gol que levaria, pelo menos, para os pênaltis. Eis que Cuca resolve colocar Alecsandro e Guilherme no lugar de Bernard e Tardelli, respectivamente. Dois jogadores que nunca tiveram a graça da Massa. Mas Guilherme, ainda mais criticado, pegou rebote de Mateo e derramou o segundo banho de lágrimas da torcida.

Nos pênaltis, Victor surgiu novamente. Impediu o acerto de Maxi Rodríguez e fez Cuca desabar no chão. O Galo chegava na final da Libertadores. O adversário já era conhecido naquele momento. O Olimpia, outro tricampeão na reta. Primeiro jogo no Defensores del Chaco e derrota por 2 a 0. Foi com um gol no final de Pittoni, de falta, que a sorte não esteve mesmo do lado do Galo.

E o segundo jogo? Mineirão ou Independência? Kalil bateu o pé, pediu ajuda ao presidente da CBF, José Maria Marin, mas a Conmebol, que fica no mesmo país do Olimpia, cedeu ao relatório da Asociación Paraguaya de Fútbol provando que o estádio cabia 40 mil lugares e rejeitou o Independência. Ela queria a festa de encerramento da competição em um estádio gigante, de Copa do Mundo. O Mineirão voltava a ser casa do Galo.

Os 64 mil lugares prometiam ser tomados pela cor preto e branca. 58 mil presentes no estádio e vozes que voltavam a acreditar. O primeiro tempo terminou em 0 a 0 e o desespero já estava no rosto de alguns torcedores. Mas Jô abriu o placar no começo e Leonardo Silva repetiu Guilherme, igualando o placar agregado.

Nos pênaltis, novamente, o Atlético decidia seu destino. E não é figura de linguagem. O título da Libertadores, que veio com mais uma defesa de Victor e aproveitamento total dos batedores brasileiros, colocou o Galo em outro patamar. O primeiro título do clube que deixou Belo Horizonte sem dormir de quarta para quinta-feira.

Melhores momentos do Galo na Libertadores