icons.title signature.placeholder OPINIÃO
25/07/2014
11:22

No futebol, a verdade de hoje é a mentira de amanhã. Não lembro quem foi o autor, mas ouvi estas palavras ainda recém-chegado a uma redação. E nunca mais as esqueci. A cada lembrança, elas parecem mais atuais. Vejam, por exemplo, o que vem acontecendo no Flamengo. Depois da desastrosa administração Patricia Amorim, um colegiado de empresários bem-sucedidos e sem vícios ganhou a eleição, com a promessa de uma administração moderna, responsável e austera. Para começar, demitiu o técnico Dorival Júnior, que vinha fazendo um trabalho satisfatório no clube, mas fora contratado na gestão anterior. A alegação era de que a nova realidade do clube não permitia pagar a um técnico o salário que vinha sendo pago até então. Contrataram Jorginho, que ganhava menos de salário e ganhava bem menos em campo. Claro, não durou muito. E a tão apregoada austeridade foi chutada para escanteio com a contratação de Mano Menezes, que acabara de deixar a Seleção Brasileira.

Também não deu certo. Com o time patinando no Campeonato Brasileiro e avançando aos trancos e barrancos diante de adversários inexpressivos na Copa do Brasil, Mano abandonou o navio. A inércia da cartolagem acabou fazendo a bomba cair no colo de Jayme de Almeida, até então assistente técnico. Ele não só a desativou como levou a equipe a um improvável título da Copa do Brasil. E ganhou também o Campeonato Estadual.

Não foi o suficiente. Depois de alguns resultados ruins, foi demitido sem a menor cerimônia. Ney Franco assumiu e durou apenas sete jogos no cargo. Em pouco mais de 18 meses de gestão, a diretoria partia para a sua quinta troca de técnico. O escolhido? Vanderlei Luxemburgo, técnico-símbolo da administração Patricia Amorim. Alguns defensores da moderna gestão atual insistem em lembrar este velho e desmemoriado colunista que a diretoria atual está pagando dívidas antigas. Deve ser verdade. Mas, neste ritmo, deixará outras ainda maiores para os sucessores. O futebol é ou não uma grande mentira?

O apagão
Bélgica, Suíça, Dinamarca, Argentina, Escócia e Austrália. Estes são alguns dos 33 países que estão à frente do Brasil no ranking de ocupação dos estádios. Enquanto a Alemanha continua soberana, com uma taxa de ocupação que supera os 97%, o Brasil ocupa um modesto 34º lugar, de acordo com levantamento da Pluri Consultoria, com menos de 39% de lugares ocupados em média, a cada jogo. O apagão no Brasil não acontece apenas em campo.

Pernas curtas
Por falar em mentira, reportagem de Lucio de Castro, da ESPN, mostra comprovantes de que o técnico Dunga atuou como intermediário na venda dos direitos do meia Ederson, do RS Futebol Clube para o grupo Image Promotion Company, há dez anos. Não há, em princípio, ilegalidade alguma. Apenas a constatação de um fato que Dunga negara enfaticamente dois dias antes. A mentira, como os anões da história da Branca de Neve, tem pernas curtas.