icons.title signature.placeholder Marcello Vieira
06/11/2013
16:58

Diferentemente do que foi noticiado esta semana, o jovem Derreck Targino Gomes, preso por ser o gerente do tráfico na Favela do Rola, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, não chegou a ser jogador do Fluminense, uma vez que fez testes no clube, mas não foi aprovado. Entretanto, ciente de que recebe atletas provenientes das mais distintas realidades sociais e alguns deles com relação próxima com o crime, o Tricolor tem se estruturado para conferir todo suporte possível para corrigir o rumo de alguns desses garotos e recuperá-los para a sociedade.

- É preciso pontuar que Xerém é uma escola de futebol que recebe uma garotada de classes menos favorecidas e de algumas comunidades. Às vezes chegam garotos que têm envolvimento com o tráfico. Lembro até do caso do Abel Braga, que agradece a Deus por ter tido o Fluminense em sua vida, porque o destino dele, segundo ele mesmo, seria outro. O importante é que o Flu não ficou inerte e está investindo num acompanhamento especial para todo jovem que chega nas divisões de base - disse Jackson Vasconcelos, ex-diretor executivo, afastado da função para coordenar a campanha de reeleição de Peter Siemsen.

O ponto de partida foi o caso de Michal, flagrado nesta temporada no exame antidoping por uso de cocaína. O atleta tem sido acompanhado por uma empresa que conta com psicólogos e profissionais aptos a lidar com cada história de vida de forma individualizada e auxiliar os jovens no importante momento de formação do caráter. Satisfeito com o trabalho desenvolvido com o atacante do time profissional, o Fluminense contratou a mesma empresa para atuar em Xerém a partir de dezembro e acompanhar de perto os jogadores.

- O que essa empresa realizou com o Michael foi um excelente trabalho. A partir dessa experiência positiva decidimos levar a mesma estrutura para a nossa base. O Fluminense não lida apenas com jogadores, mas com pessoas que possuem diferentes dilemas e formações. Estamos formando cidadãos aqui. Sabemos da nossa responsabilidade - disse Jackson.

Em entrevista recente ao LANCE!Net, o gerente da base Fernando Simone falou sobre essa responsabilidade de também poder formar cidadãos:

- Tentamos fazer o máximo para que, no momento em que ele não alcance o principal objetivo, possa sair daqui com a possibilidade de conseguir uma profissão digna. Nosso jogador tem de estar matriculado e com boa frequência na escola. Se a nota for ruim, chamamos os pais e conversamos. É claro que temos uma atuação limitada. Nem sempre tudo o que oferecemos por aqui é suficiente, mas, se pudermos tirar o futebol para colocar o menino no caminho certo, a gente faz - explicou.