icons.title signature.placeholder Marcello Vieira
29/11/2013
07:14

A reeleição de Peter Siemsen virou uma página na estrutura organizacional do Fluminense. Sai de cena um modelo implementado de forma emergencial, no qual o poder estava centralizado na figura do diretor executivo, Jackson Vasconcelos, para ser elaborado um sistema mais empresarial. Promessa de campanha explicada minuciosamente pelo próprio Jackson em entrevista exclusiva ao LANCE!Net.

O novo organograma gerencial do Tricolor é bastante simples de ser desenhado. O presidente terá Jackson Vasconcelos como seu executivo direto auxiliando nas inúmeras demandas da função. Já a parte estratégica será tocada por um conselho diretor formado pelos vice-presidentes, tesoureiro e secretário. A execução desta estratégia ficará a cargo de um conselho gestor que contará com executivos contratados para organizar as ações.

– Precisamos de uma função executiva do presidente. Se Peter não é remunerado e não tem como exercer a presidência de forma exclusiva alguém tem de executar essas funções. O conselho diretor precisa efetivamente ganhar uma atribuição estratégica. Enquanto esse conselho diretor é mais voltado ao planejamento e à avaliação do que vai ocorrer, teremos executivos que trabalharão de forma mais organizada e alinhada para implementar as ações de acordo com as estratégias definidas. É mais gerencial – explicou Jackson Vasconcelos, que fez questão de contar por que essas decisões não foram implementadas no primeiro mandato:

– Não tínhamos uma equipe montada. Foram vários problemas com a Receita. Passamos quase dois anos descobrindo esqueletos a cada armário que abríamos. Hoje nós conhecemos a casa e criamos uma equipe. Fomos criticados e de fato, no tumulto do dia-a-dia, o presidente começou a tomar decisões. Estávamos num avião em turbulência. Foi resolvido e podemos nos organizar melhor agora.

Após CT, novo desafio

Um dos grandes atrativos do Fluminense para os associados está no fato de os treinamentos da equipe serem realizados na sede das Laranjeiras. Com a saída do futebol para o centro de treinamento, na Barra da Tijuca, os gestores do Fluminense terão o desafio de criar uma nova atividade para os associados. Jackson Vasconcelos disse que uma equipe de trabalho será montada para pensar exclusivamente este aspecto:

– Existe essa questão subjetiva do que acontecerá nas Laranjeiras. O que fica? O que faremos com o campo? É uma área valorizadíssima agora por causa do Porto Maravilha. Precisamos ter um projeto. Transformamos isso aqui num museu, como o Peter queria, e depois chegamos à conclusão de que não era o ideal? Cedemos o campo como espaço para os esportes Olímpicos? Criaremos um grupo de trabalho para decidir isso.

Peter contra a ‘espanholização’

A divisão de cotas de TV para transmissão dos jogos cria um abismo econômico entre Flamengo e Corinthians para os outros clubes do Brasil. Uma realidade que, de acordo com Jackson, precisa mudar e inevitavelmente terá o Flu como protagonista deste processo:

– Peter não queria liderar esse tipo de processo, mas não vai ter jeito. Ele é a pessoa mais preparada, por tudo que o Flu sofreu, para ser o protagonista da discussão.

Bate-Bola - Jackson Vasconcelos
Diretor Executivo do Fluminense

O presidente quer 100 mil sócios até o fim do triênio. Não é um número muito elevado?

É uma meta do presidente. Se você pensar que quando criamos os sócio-futebol, por experiências passadas muitos disseram que não conseguiríamos nem cinco mil e hoje temos cerca de 30 mil sem nenhum investimento, acho que poderemos sim alavancar esse número e atingir essa meta.

O contrato com o Consórcio Maracanã S.A. foi muito elogiado. Como otimizá-lo?

O Maracanã não pode ser planejado apenas como um simples estádio de futebol. Até ganharíamos algum dinheiro, ainda mais no nosso contrato, que não tem custo operacional, mas seria um desperdício. Aquele estádio tem história e pode ser a casa do torcedor tricolor. Um ponto de venda do nosso produto não só físico, mas de emoção.

Um possível rebaixamento prejudica muito esse planejamento?

Fica mais complicado, mas não muda o horizonte. Estou convicto de que não vamos cair. O presidente também, apesar de estar muito abatido. O desafio seria maior. O Fluminense não poderia ficar na Segunda Divisão. Precisaríamos até acelerar o processo de organização. É difícil trabalhar com isso, mas não vai ocorrer. O Fluminense ficará na Série A.