icons.title signature.placeholder Jonas Moura
11/02/2015
08:04

A fatídica guerra entre a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) e a Federação Internacional de Vôlei (FIVB) parece ter chegado ao fim. Em uma tentativa de resgatar o diálogo, a entidade nacional está disposta a voltar atrás na decisão anunciada no dia 12 de dezembro de 2014 de abrir mão de sediar a fase final da Liga Mundial deste ano, inicialmente prevista para acontecer entre 15 a 19 de julho, no Maracanãzinho, no Rio.

Em janeiro, o presidente da FIVB, Ary Graça, e o superintendente e vice-presidente da CBV, Neuri Barbieri, se reuniram na capital carioca. O primeiro deixou claro que estaria aberto a negociações, mas não deu garantia sobre qual país sediará a etapa decisiva do torneio.

O problema é que o Brasil já encontra concorrentes na briga para organizar o evento. Após a desistência, a Austrália surgiu como principal candidata, seguida pela Polônia. Até o fechamento desta reportagem, Graça não respondeu aos questionamentos do LANCE!Net sobre o assunto.

A desistência foi anunciada em meio aos resultados do relatório final da Controladoria Geral da União (CGU), que confirmava pagamentos irregulares realizados durante a gestão de Graça na CBV. O texto apontava equívocos como licitações viciadas, favorecimentos e "gerenciamento impróprio" com efeito direto no bolso dos atletas.

Um dia após a divulgação do documento e do anúncio de que a CBV acionaria judicialmente os responsáveis pelas irregularidades, a FIVB divulgou uma série de punições ao Brasil por causa de episódios ocorridos no Campeonato Mundial da Polônia, ano passado. Os brasileiros recorreram da decisão e aguardam o julgamento. Na época, a atitude foi encarada pela CBV como uma represália.

Uma confusão ao fim da partida contra os donos da casa, pela terceira fase, rendeu ao técnico Bernardinho 10 partidas de suspensão e multa de U$ 2 mil (R$ 5,6 mil). O líbero Mário Junior foi suspenso por seis jogos. O ponteiro Murilo, por um partida. Já o levantador Bruninho levou multa de U$ 1 mil (R$ 2,8 mil).

– O diálogo foi retomado. Não estamos querendo atribuir mais nada à represália. Com o Ary, tudo mudou. Mantenho uma relação institucional. Depois das punições aos jogadores no Mundial, ficamos estremecidos. Mas tenho esperanças de que manteremos o diálogo pelo bem do esporte – afirmou Barbieri ao LANCE!Net.

A repercussão do relatório levou à suspensão dos pagamentos do Banco do Brasil, principal parceiro da CBV. O banco condicionou o retorno do investimento, estimado em R$ 70 milhões por ano, ao cumprimento de uma série de medidas recomendadas pela CGU. Em janeiro, o acordo foi reativado após a assinatura de um aditivo ao contrato, que tem validade até 30 de abril de 2017.

Multa por desistência pode ser revista

Como o regulamento da FIVB prevê multa entre 44 mil dólares (cerca de R$ 124 mil) e 110 mil dólares (cerca de R$ 311 mil) e suspensão de até um ano de competições internacionais ao país que "fracassar em organizar uma competição", a CBV só pensa em solucionar o caso de forma pacífica e menos onerosa.

Até o mês passado, a entidade reclamava que 1,3 milhões dólares (cerca de R$ 3,6 milhões) estavam sendo retidos pela FIVB. O valor era destinado a premiações pelo título da Seleção feminina no Grand Prix e ao vice da masculina na Liga Mundial 2014, ambos em 2014. Mas a pendência já foi solucionada. Agora, a expectativa é de resolver o impasse criado pelo cancelamento da Liga Mundial.

– O que foi retido era relativo ao que a CBV tem direito de prêmios da FIVB, que nós repassamos aos atletas. Fiz o pedido, e ele (Ary) prontamente liberou esse dinheiro. Haveria uma multa pela nossa desistência (de sediar a Liga), mas está sujeito a conversas. Será objeto de um acerto futuro – disse Barbieri.

Relembre o conflito entre CBV e FIVB

Guerra declarada
No dia 4 de dezembro de 2014, a CBV recebeu relatório da Controladoria Geral da União (CGU) com os resultados da auditoria que investigou denúncias de irregularidades na entidade feitas pela ESPN. Em seguida, a confederação cancelou contratos firmados na gestão de Ary Graça e acionou judicialmente os nomes apontados pela CGU para que os valores fossem ressarcidos.

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Represália?
Uma confusão ao fim do jogo Brasil x Polônia pela terceira fase do Mundial, em setembro de 2014, rendeu ao técnico Bernardinho 10 partidas de suspensão e multa de U$ 2 mil (R$ 5,6 mil). Mário Junior foi suspenso por seis jogos. Murilo, por um partida. Já Bruninho levou multa de U$ 1 mil (R$ 2,8 mil). As punições foram anunciadas no dia 12 de dezembro, um dia após a divulgação do relatório da CGU. A atitude foi vista pela CBV como represália da FIVB.
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Reação imediata
A CBV anunciou no mesmo dia que abriria mão de sediar a fase final da Liga Mundial de 2015. Agora, já voltou atrás.