icons.title signature.placeholder Amir Somoggi
11/04/2014
07:04

Faltando exatos dois meses para o início da Copa do Mundo no Brasil, as notícias sobre os atrasos nas obras estão desesperando a Fifa. A imprensa internacional relata que em nenhum outro Mundial, tantas questões estavam indefinidas tão próximas da cerimônia da abertura.

O atraso na entrega dos estádios, como a Arena Corinthians, por exemplo, a falta de tempo hábil para a realização dos chamados eventos teste, a falta de investimento em TI, o cancelamento das Fan Fests, entre tantos outro aspectos polêmicos, não estavam nos planos da entidade máxima do futebol mundial.Outro aspecto importante é a indefinição sobre quem pagará as estruturas temporárias no entorno de muitas arenas, fundamentais para a boa execução do evento.

A Copa de 2010, na África do Sul, gerou receitas para a Fifa de US$ 3,6 bilhões e os custos com o evento atingiram US$ 1,3 bilhão. O seu lucro líquido acumulado entre 2007 e 2010 atingiu US$ 631 milhões.

Segundo dados recentes publicados pela entidade, até 2013 a Copa no Brasil gerou US$ 3 bilhões e minha projeção é a de que o volume total gerado atinja US$ 4,4 bilhões. Isso representará um acréscimo de 22% em relação à Copa de 2010 e 106% em comparação a de 2006, na Alemanha.

Entretanto, os atrasos e o aumento de gastos para a Fifa já podem ser sentidos em seus dados financeiros. Inicialmente, o orçamento do gasto total da Copa de 2014 para a entidade era de cerca de US$ 1,45 bilhão. Nos últimos três anos, o evento consumiu cerca de US$ 1,43 bilhão e pelas notícias atuais deve superar US$ 2 bilhões, já considerados os dados de 2014.

Assim, a Fifa descobriu, na prática, o que significa o custo Brasil, já que mesmo com todas as isenções e facilidades para a realização do Mundial, viu suas despesas relacionadas ao evento aumentarem em 38% em comparação ao orçamento inicial.

O seu lucro líquido acumulado entre 2011 e 2013 foi de US$ 197 milhões, bem abaixo do apresentado nos três anos que antecederam à Copa da África do Sul, quando essa cifra alcançou US$ 429 milhões.

Mesmo com a avalanche de críticas dos brasileiros dirigidas à Fifa e suas exigências, está claro que a entidade está pagando um alto preço pela realização da Copa no Brasil. As receitas da entidade subiram muito, mas as despesas também, provando que o custo dos atrasos e a falta de planejamento, tão comuns à sociedade brasileira, também a atingiram.

A questão apenas demonstra que podemos criticar a Fifa por várias questões, mas foi o projeto desenvolvido no Brasil, sem respeito aos prazos e orçamentos, que prejudicaram a Copa do Mundo.

Agora é correr contra o tempo para que não passemos um grande vexame e que a falta de respeito aos prazos não afete de forma tão contundente a realização do evento. E que o Brasil na fique marcado negativamente perante o mundo como o país que sediou a Copa mais cara e mal organizada da história do futebol mundial.