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17/12/2013
16:12

A cautela da última semana deu lugar ao ânimo comum em início de trabalho. Felipe Ximenes, enfim, falou como novo diretor executivo do Fluminense. O dirigente se disse orgulhoso de voltar ao Tricolor, onde já trabalhou em outras duas oportunidades, e espera corresponder à altura da expectativa em torno dele.

Felipe Ximenes tem a difícil missão de substituir Rodrigo Caetano, que segundo o próprio, é o melhor executivo do futebol brasileiro. Em entrevista ao site oficial do Fluminense, Ximenes sobre a função que irá ocupar e os grandes desafios para 2014.

CONFIRA OS MELHORES TRECHOS DA ENTREVISTA:

Nova função no Fluminense

– Na verdade, estou entrando como mais uma peça de uma grande engrenagem que é o projeto do presidente Peter Siemsen. Não estou começando nada, é um processo que já começou há três anos. É uma continuidade de projeto. Não estou chegando para fazer nenhuma novidade mirabolante. O clube é sempre soberano em suas decisões. O diretor executivo é um operacionalizador, um executor das estratégias traçadas pelo clube. É óbvio que nessas definições, sempre que procurado, vou dar as minhas opiniões, mas sempre respeitando a hierarquia do clube. O que a gente sempre escutou do Fluminense nesta gestão do Peter, inclusive escutei dele próprio, é que o clube está procurando o equilíbrio financeiro, buscando a construção do seu CT, a continuidade de atletas que chegam para o elenco profissional, um clube que, sem dúvida nenhuma, busca conquistas. O Fluminense ganhou dois Brasileiros em quatro anos, ganhou a Copa do Brasil, foi vice-campeão da Libertadores e queremos dar continuidade às vitórias. O gestor precisa estar consciente de que ele precisa executar as estratégias traçadas pelo clube, que passam por ele, mas são elaboradas pelas pessoas que respondem pelo clube.

Passado no Tricolor

- Sou mineiro de Três Corações, estou com 46 anos, nasci dia 9 de novembro de 1967. Tive duas passagens pelo Fluminense. A primeira em 2005, como auxiliar técnico, e depois no final de 2008 até meio de 2009, quando era gerente de futebol e saí para o Coritiba. Agora por coincidência meu último clube foi o Coritiba e estou voltando ao Fluminense. Hierarquicamente, eu tinha uma pessoa acima de mim e hoje estou em uma posição diferente. Eu tinha uma expectativa de poder voltar a trabalhar no clube, porque no passado eu que pedi para sair. O presidente da época me pediu para ficar, mas eu precisava sair porque era um projeto pessoal que achava importante na época. Estou feliz agora em poder voltar ao clube numa outra situação.

Retorno

- Penso que o grande barato da vida são os desafios. Saber que estou chegando a um clube que tem um processo em continuidade. Sei que antes de mim tinha um profissional sério, honesto, que buscou implantar o melhor que ele podia dentro do clube. A maneira como o Peter se apresentou para mim foi importante para me motivar a voltar para o Fluminense. Eu tinha um sonho de voltar a morar no Rio de Janeiro. Não posso cair no erro de achar que eu conheço a estrutura do Fluminense por já ter trabalhado aqui. Já se passaram quatro anos e as coisas no clube avançaram e evoluíram. É importante o meu passado no clube para ter um parâmetro.

Gestão profissional

- Primeiro queria falar que as pessoas costumam ligar muito gestão profissional com recebimento de salário. Você não precisa receber salário para ser profissional em uma execução de tarefa. Existem alguns profissionais com cargo estatutários, que não precisam receber, e conseguem fazer um trabalho profissional. A presença de executivos remunerados não é conflitante com a de pessoas que não são pagas. Nós vimos por muitos anos empresas familiares que passaram por uma transformação e se tornaram mais profissionais, que é o que vem acontecendo com o futebol. O importante é a gestão profissional, por mais clichê que se possa parecer, agregar valor ao clube. Não deixar para trás tudo o que foi feito e não achar que tudo será maravilhoso.

Montagem do elenco

- A montagem e manutenção de uma equipe de futebol não podem ficar reduzidas a uma pessoa só. Sou apenas uma peça nesta engrenagem. Há um grupo de profissionais para definir a montagem de um elenco. Nós temos jogadores com contratos no clube, que precisam ser respeitados, é preciso existir continuidade. As temporadas são delimitadas pelo início e final do ano, mas o clube é eterno. Não se troca todo o elenco, como acontecia há 20 anos. Este procedimento acarretou dívidas para os clubes brasileiros, que até hoje atrapalham na formação das equipes.

Divisões de base

- Tenho dificuldade em dividir futebol de base e futebol profissional. Para mim, é tudo futebol do clube. Em alguns clubes, vejo separação entre as duas partes, que, às vezes, são até adversárias. A distância de Xerém facilita essa separação e isso é uma batalha que vamos continuar tendo. Vejo grandes avanços do clube neste sentido. Acredito que a transição começa quando o jogador completa 16 anos, deixa de ser amador e vira profissional, essa é a passagem clara. Subir de categorias é algo natural e feito de acordo com a idade, mas que pode ser antecipado dependendo das necessidades do clube e da qualidade do jogador. O profissional, não importa a categoria, precisa ser avaliado diariamente. É um processo contínuo e não existe receita de bolo.

Maracanã e Sócio Futebol

- Quando você acompanha um sorteio de Copa do Mundo, percebe jogadores de todo o mundo falando que sonham em jogar no Maracanã. A Espanha sucumbiu à força da torcida brasileira e do nosso futebol. Isso faz você olhar para este estádio de outra forma, chego a ficar arrepiado. O Maracanã é o palco das glórias do Fluminense. O clube já vibrou, sorriu, chorou e xingou nessa linda história com o estádio. Incentivar os torcedores a amar seu clube independentemente do momento do time é um desafio diário. A paixão leva a reações inesperadas no sucesso e no fracasso. Temos casos de torcidas que aumentaram quando times não ganhavam nada. O sócio torcedor ajuda, dá sustentação em momentos ruins e força em momentos bons. O sócio torcedor é um caminho sem volta para todo clube que quer se estruturar. Vejo o Fluminense evoluindo muito nesse processo.

Centro de treinamento para o futebol profissional

- Um dos momentos em que vi o Peter mais empolgado foi quando falamos do projeto sobre o CT. Sempre se falou em CT no Fluminense, mas só agora está realmente caminhando. Um CT é muito bom para o clube, pois se tem a sensação do ambiente de trabalho. Imagina se o escritório das pessoas fosse dentro do playground, com crianças correndo e gritando. A sensação de ir para o ambiente de trabalho é importante, não é só questão da privacidade. É importante o profissional ter o seu espaço de trabalho. Um CT é muito mais do que um campo de futebol. As pessoas pensam que para treinar é só ter um campo e não é só isso.

Comunicação e imprensa

- Acho importante seguirmos as regras do clube e por isso a Comunicação tem de ser ouvida. Não é o clube que tem de se adaptar às regras do profissional e sim o profissional se adaptar às regras do clube. Acredito que o trato com a imprensa tem de ser feito da melhor maneira possível e sempre passando primeiro pela Comunicação do clube. Ou seja, todas as vezes que o jornalista me ligar, tem de passar primeiro pelos assessores do clube.