icons.title signature.placeholder Bruno Andrade e Márcio Porto
10/06/2014
17:10

Com as acusações de corrupção em relação à escolha do Qatar como sede da Copa do Mundo de 2022, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, viveu clima tenso na manhã desta terça-feira durante a reunião de federações ligadas à Uefa, em São Paulo. Blatter não chegou a ser vaiado pelos dirigentes, mas voltou a ser alvo de duras críticas.

- Não posso dizer que ele foi vaiado, seria um exagero dizer isso, mas ficou claro que ele não tem apoio. O clima está tenso entre os opositores. As associações (da Uefa) querem o Blatter fora. Ele não conseguiu acabar com a corrupção. Queremos mudanças, nós precisamos ser ouvidos - declarou Pedro Pinto, chefe de imprensa da Uefa, durante o Congresso da Fifa, também nesta terça-feira, em São Paulo, que é sede da abertura da Copa do Mundo, dia 12 de junho, na Arena Corinthians.

Recentemente, o jornal britânico Daily Telegraph publicou que o ex-vice-presidente da Fifa, Jack Warner, recebeu 2 milhões de dólares para votar no Qatar como sede da Copa-2022. Há uma investigação no Comitê de Ética da Fifa, nas mãos do ex-membro do FBI, Micheal Garcia. De acordo com a federação internacional, todos os membros do comitê executivo que participaram da votação serão interrogados. O resultado da investigação deverá ser divulgado até outubro deste ano.

Apesar do clima ruim e das acusações de corrupção dentro da Fifa, Blatter, que é presidente da entidade há 16 anos, quer se manter na presidência por mais um período de quatro anos. A eleição deverá acontecer em maio de 2015. Ao todo, 209 federações têm direito ao voto.

- Muitas federações já se manifestaram publicamente que são contra o Blatter, entre elas, Inglaterra, Suécia e Holanda. Eles querem a renúncia do Blatter - explicou Pedro Pinto.

Michael van Praag, presidente da Associação de Futebol Holandês (KNVB, na sigla em holandês), é um dos principais opositores.

- A imagem da Fifa foi manchada por tudo que aconteceu nos últimos anos. Há muito poucas pessoas que ainda levam a Fifa a sério, e por mais que se queira dourar a pílula, no final das contas Blatter é o responsável - declarou van Praag, em recente entrevista à imprensa holandesa.

Além do voto garantido da CBF, que a partir de 2015 será administrada por Marco Polo Del Nero, Joseph Blatter conta com o apoio da Federação Mexicana de Futebol. Justino Compeán, presidente da Femexfut, mais do que ser antigo aliado de Blatter, é um dos responsáveis pela campanha do suíço entre as federações filiadas à Concafac e Conmebol. Blatter também tem forte apoio da Confederação Asiática de Futebol (CAF).

- Peço a todos os membros das federações asiáticas que mostrem união, essa é a melhor maneira de responder aos que querem destruir, não o futebol, mas destruir a entidade. Vamos mostrar que somos unidos e que a entidade não pode ser destruída - declarou Blatter, na última segunda-feira, durante o Congresso da Confederação Asiática de Futebol.

Jérôme Champagne, ex-subsecretário-geral da Fifa, por enquanto, é o único adversário oficial de Blatter na disputa presidencial da Fifa. Michel Platini, presidente da Uefa, também tem o desejo de participar do pleito da Fifa, mas ainda não oficializou a sua candidatura.

Blatter está no comando da Fifa desde 1998. Ele sucedeu o brasileiro João Havelange na presidência. Antes, ele foi secretário-geral e ajudou na organização das Copas do Mundo de 1978, 1982, 1986, 1990 e 1994.