icons.title signature.placeholder Jonas Moura
21/02/2015
08:00

Um saque que está longe de ser dos mais potentes no tênis e apenas 1,64m em um esporte dominado por atletas altas. Aparentemente, nada ajudava Sara Errani (16ª da WTA) a atingir o top 5 do ranking mundial ou chegar a uma final de Roland Garros. Mas ela conseguiu tudo isso.

Neste sábado, a italiana, cabeça de chave e principal favorita ao título do Aberto do Rio, encara a sueca Johanna Larsson (69ª) em busca vaga na decisão.

Poderia uma simples troca de raquete influenciar tanto na ascensão meteórica de uma atleta mediana? Errani garante que sim. “Excalibur”, a lendária espada do Rei Artur, figura da mitologia britânica na Idade Média, é o nome dado pela jogadora ao seu instrumento de trabalho e também a um livro que ela ajudou a produzir, lançado em 2014, em parceria com o escritor italiano Roberto Commentucci.

- Não acho que farei carreira de escritora (risos), mas achei legal a experiência. É um belo livro, tem partes de minha autoria. Mas espero, quem sabe, escrever mais sobre minha vida - afirmou Errani, de 27 anos, em entrevista ao LANCE!Net.

No folclore, a espada é dotada de poderes místicos, capaz até mesmo de cortar aço. Inspirada pela história e aconselhada por seu pai, Errani levou para frente a ideia de mostrar como uma raquete de maiores dimensões pôde trazer mais conforto, segurança e, sobretudo, confiança para figurar entre as melhores do tênis.

Nas duplas, a italiana é a número um do mundo, ao lado da compatriota e melhor amiga Roberta Vinci, que está uma posição abaixo. Prova de que os feitos não aconteceram por acaso é que, no dia 5 de julho de 2014, em Wimbledon, ela e a parceira se tonaram apenas a quinta dupla a vencer os quatro torneios mais importantes do calendário do esporte: os Abertos da Austrália (2013 e 2014) e dos Estados Unidos (2012), Roland Garros (2012) e o Grand Slam inglês.

Só as irmãs Serena e Venus Williams (EUA), a tcheca Martina Navratilova e a americana Pam Shriver, a portorriquenha Gigi Fernandez e a bielorrusa Natasha Zvereva, e Kathy Jordan e Anne Smith (EUA) haviam conseguido o mesmo feito.

A melhor colocação de Errani em simples até hoje foi o quinto lugar, em maio de 2013, pouco depois do vice em Roland Garros, ao ser batida pela russa Maria Sharapova por 2 sets a 0.

Mas, sozinha, ela não vence um torneio no circuito desde março daquele ano, quando foi campeã do Torneio de Acapulco (MEX). O Aberto do Rio pode ser uma ocasião oportuna.

– Preciso estar bem fisicamente. Cada ponto é uma batalha maior para mim do que para as outras – disse.

Na última sexta-feira, Sara salvou três match points e contou com a desistência da brasileira Bia Maia (234), de 1,84m, que sofreu cãibras na coxa esquerda, para fazer 2 sets a 1, parciais de 3-6, 7-6(2) e 3-0. Na primeira rodada, ela já frustrara outra brasileira: Teliana Pereira.

– Ela (Bia) surpreendeu muito. Não conhecia nada dela. É potente, muito boa. O calor tornou as condições mais difíceis. Seu potencial e sua força são enormes – avaliou a italiana.

Sara Errani salvou três match points contra Bia Maia e está na semi do Aberto do Rio (Foto: Agif)

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BATE-BOLA

SARA ERRANI

Tenista número 16 do mundo

Excalibur não é um livro totalmente de sua autoria, mas você também ajudou a escrever. Pode contar um pouco sobre ele?
É a história dos anos de 2012 e 2013, quando comecei a mudar de raquete. Nele, há cinco partes que eu escrevi. Falo sobre mim, sobre minha família, minha infância... As outras histórias foram escritas pelo Roberto Commentucci. Gostei do resultado porque é um livro cheio de imagens.

É verdade que você e a Roberta Vinci, sua parceira, são melhores amigas? Fale um pouco sobre como começou essa relação.
Sim, somos melhores amigas. E jogar com sua melhor amiga é algo incrível. Nos conhecemos em tudo. Nos encontramos no jogo de duplas, e os resultados têm sido importantes por isso. São muitos anos juntas. A primeira vez que jogamos deve ter sido em 2007. Começamos na Fed Cup. Na época, gostamos uma da outra e formamos a parceria.

Seu último título foi em março de 2013, no Torneio de Acapulco. Na condição de favorita, vê o Aberto do Rio como uma chance de reencontrar as conquistas?
Ainda estou apenas na semifinal. Tenho que pensar jogo a jogo. Mas é claro que esse torneio é uma grande oportunidade que tenho para voltar a conquistar um título. Não lembrava que o último havia sido Acapulco. Mas não é fácil. Tenho jogos difíceis pela frente. A Larsson (rival de hoje) saca muito bem.

Qual é a sua estratégia ao encarar tenista mais altas, como Serena Williams e Maria Sharapova?
Lutar sempre por cada ponto. Elas são mais fortes fisicamente, então procuro encontrar soluções para superar isso.

É sua primeira vez no Rio? O que está achando da cidade?
Sim, minha primeira vez, e achei um lugar muito agradável. Espero vir mais vezes para conhecer melhor.