icons.title signature.placeholder Rodrigo Vessoni
04/04/2014
07:02

As famílias dos operários Fábio Luiz Pereira, de 42 anos, e Ronaldo Oliveira dos Santos, 44, mortos em novembro do ano passado na Arena Corinthians, foram indenizadas pela construtora Odebrecht, que tinha seguro. Após um acordo extrajudicial com os parentes que residem em Limeira (SP) e Caucaia (CE), respectivamente, o dinheiro foi depositado – valores não foram divulgados devido à cláusula de confiabilidade.

O pagamento às duas famílias foi confirmado à reportagem do LANCE!Net pela construtora do estádio. Paulo Buzato, advogado dos parentes de Fábio Luiz, também confirmou que o caso foi solucionado. O valor, segundo ele, não será divulgado por segurança.

– Nós fizemos uma projeção do que poderia resultar um processo no futuro. Após essa avaliação, falamos com a família. Houve uma proposta da construtora, uma contraproposta da nossa parte e, posteriormente, houve um acordo que julgamos ter sido bom para todo mundo – explicou Buzato.

A reportagem tentou falar com o irmão de Ronaldo Oliveira, que trabalha na Prefeitura de Caucaia, mas ele não atendeu telefonemas nem retornou os recados deixados.

Apesar de o valor não ter sido divulgado, o advogado confirma que a indenização foi baseada em dois itens: danos materias e danos morais. O primeiro foi calculado sobre a vida útil de um trabalhador que, de acordo com o INSS, vai até os 76 anos. Pegou-se o salário-base, descontou 1/3 do valor (imposto de renda e despesas pessoais) e multiplicou-se pelos meses dentro dessa “vida útil”.

O segundo, por sua vez, é definido pelas partes, já que não há como mensurar o dano moral por uma morte. O valor não foi divulgado.

O acidente

No dia 27 de novembro do ano passado, um dos guindastes utilizados para a colocação da última peça metálica da cobertura do prédio norte da Arena Corinthians não suportou, deixando a peça cair sobre o painel de led que fica localizado na entrada principal.

O guindaste, por sua vez, caiu sobre um dos caminhões que estavam próximos do local, numa área de convivência dos operários – quando finalizada a obra, será de entrada dos torcedores. Colegas contaram que o operador de guindaste Fábio Luiz Pereira, de 42 anos, e o montador Ronaldo Oliveira dos Santos, de 44 anos, tiravam um cochilo depois do almoço no momento em que foram atingidos pela peça e pelo guindaste.

Apesar dos esforços dos médicos e paramédicos, os dois operários não suportaram aos ferimentos e morreram.