icons.title signature.placeholder Igor Siqueira
08/02/2015
10:05

É longe dos grandes centros do futebol que começa, às 19h30 (de Brasília) deste domingo, a segunda competição mais importante do calendário nacional: a Copa do Brasil. Esqueça a badalação, por exemplo, vista na decisão entre Cruzeiro e Atlético-MG no ano passado. Até a apoteose em palcos dignos de Copa do Mundo, tal qual o Mineirão, a bola precisa rolar em gramados nem tão conhecidos, como o da Arena da Floresta, que recebe o confronto entre Atlético Acreano e Real Noroeste Capixaba.

Trata-se da fase preliminar, que reserva algumas situações inusitadas. A começar pela viagem de um lado a outro do país, que, em tempos de horário de verão, demanda até uma adaptação às 3h de diferença. Mas o fuso horário e os cerca de 4 mil km de distância entre Acre e Espírito Santo diminuem de proporção perto do desafio financeiro que é colocar o time em campo.

A situação do Real Noroeste não é tão grave, porque há um empresário bancando o time. Mas quem disse que há patrocínios ou ajuda da prefeitura de Águia Branca, no norte do estado? A falta de parceiros significa uma situação ainda mais grave para o Atlético-AC.

- Nossa folha salarial é de R$ 50 mil, o maior salário é R$ 2 mil, mas já avisei aos jogadores: se não conseguirmos passar, a continuidade do futebol neste ano fica comprometida. A dificuldade aqui é enorme - contou ao LANCE!Net o presidente atleticano, Edson Isidoro.

E nem o fato de fazer o jogo de ida em casa significa expectativa de entrada de recursos suficientes.

- O torcedor não comparece. O tesoureiro da Federação já fez uma projeção que teremos R$ 9 mil de despesa. Se mil pessoas vierem ao jogo, vai dar para cobrir. Mas a média aqui é de 500 pagantes. Então, prevemos um prejuízo de aproximadamente R$ 4 mil - completou o dirigente.

A matemática da sobrevivência conta com a cota de participação a ser recebida pelo classificado à primeira fase, além da futura renda do jogo de ida contra o Criciúma.

- Só vai ter bicho em caso de classificação - emenda Edson Isidoro.

PEREGRINAÇÃO E FUTURO EM JOGO

O Real Noroeste carrega sobre os ombros a responsabilidade de definir o futuro da representação capixaba na Copa do Brasil. Atualmente, a Federação do Espírito Santo está em uma posição do ranking da CBF que não garantirá a ela duas vagas na Copa do Brasil-2016 - nem mesmo a preliminar, que, segundo decisão da diretoria de competições em 2012, não acontecerá mais a partir do ano que vem.

Para somar mais ponto, os representantes do estado precisam ir o mais longe possível nas competições organizadas pela CBF. Do contrário, nada de ultrapassagem sobre o Piauí.

- Todo mundo quer chegar o mais longe possível. Temos um peso a mais - admite Cráuber Portelo, o Binha, diretor de futebol do time capixaba.

A disputa da primeira missão do Real Noroeste fez com que a delegação deixasse Águia Branca, cidade ao norte do Espírito Santo, por volta do meio-dia de sexta-feira. O trajeto começou de ônibus, rumo a Vitória, e se seguiu com escalas aéreas em São Paulo e Brasília, antes da chegada a Rio Branco.

Para essas viagens, a CBF destina R$ 5 mil para as delegações. O que não acaba sendo suficiente. O Real Noroeste, por exemplo, teve uma conta aproximada de R$ 15 mil.