icons.title signature.placeholder Francisco Loureiro
20/12/2013
16:53

A Comissão Europeia (CE), órgão executivo da União Europeia (UE), anunciou, esta semana, que está investigando "profundamente" as relações financeiras de sete clubes espanhois, entre eles Barcelona e Real Madrid, com diferentes órgaõs do governo da Espanha.

Os dois maiores times do país mais os clubes Athletic de Bilbao e Osasuna teriam sido favorecidos por uma vantagem fiscal de 5% em relação ao rivais. Valencia, Elche e Hercules são investigados por terem sido beneficiados por garantias financeiras emitidas por uma organização estatal, o que teria permitido a pratica de taxas de juro abaixo do valor de mercado.

A terceira parte da investigação envolve um negócio firmado entre o Real Madrid e a prefeitura da cidade de Madri. O clube recebeu em 2011 um quantia 5400% maior por um terreno que deveria ter sido transferido da cidade para a administração merengue em 1998, como parte do pagamento por parte do terreno que abrigava o antigo centro de treinamento do clube.

Para o órgão, os clubes não devem contar com dinheiro público.

– Os clubes devem financiar sua atividades e investimentos a partir da boa administração, ao invés de contar com o dinheiro do contribuinte – declarou o vice presidente da Comissão, Joaquin Almunia.

Segundo o Ministro de Relações Exteriores da Espanha, Jose Manuel Garcia Margallo, não houve nenhuma irregularidade nas operações destacadas pela investigação. Ele lembrou ainda que os times são parte importante da imagem e da economia do país, e por isso devem ser preservados.

– O governo vai defender os clubes espanhóis por que eles são parte da 'marca' Espanha – declarou o ministro Jose Manuel Garcia Margallo à mídia espanhola.

A investigação da União Europeia surge no momento em que a Uefa, organização que organiza o futebol europeu, vem apertando suas leis de Fair Play Financeiro.

O Real Madrid é suspeito de ter sido favorecido por uma operação financeira com a prefeitura de Madri, que pagou em 2011 22 milhões de euros (R$ 70 milhões) por um terreno que era avaliado em 1998 em 595 mil (R$ 1,9 milhão).

Benefícios fiscais

Os quatro clubes espanhóis que não são obrigados pela lei a se converterem em empresas, Barcelona, Real Madrid, Athletic Bilbao e Osasuna, pagam menos impostos que os outro clubes do pais, 30%, contra 25% sobre o resultado das equipes rivais.

Empréstimos camaradas

Valencia, Hércules e Elche são investigados por tomar empréstimos avaliados em 75 milhões de euros (R$ 241 milhões) dando como garantias bens de uma instituição estatal, o Instituto Financeiro de Valencia. Isso fez a taxa de juros ser menor do que o que deveria.
Regulamentação em debate na Europa

Com a criação do Fair Play financeiro pela Uefa  e a investigação de clubes espanhóis pela União europeia (UE), governos correm para regular um mercado que vem movimentando cifras cada vez maiores, sobretudo após  a chegada de investidores bilionários à clubes como Chelsea, Paris Saint-Germain, Monaco e Manchester City.

Na França o governo tentou aprovar, sem sucesso, uma lei que taxaria em 75% os salários acima de 1 milhão, o que foi visto pela federação francesa de futebol como um fator que espantaria a contratação de grandes jogadores.  Mas o atual alvo de regulamentação é o recém-bilionário Monaco, que não paga impostos por ter sede no principado de Monte Carlo, mas joga a Ligue 1 francesa.
Em agosto desse ano, a Liga comunicou ao clube que para continuar jogando no futebol francês, o Monaco deverá mudar sua sede e se adequar aos impostos franceses. O clube já entrou com recurso na instância mais alta da justiça francesa, e a decisão deve final sair até o fim do ano.


Caso Bosman pôs UE no futebol


A interferência da União Europeia na gestão do futebol do continente já vem de 20 anos. O objetivo é sempre fazer o futebol respeitar as mesmas regras do resto da sociedade.

Em 1993, o então jogador belga Jean-Marc Bosman apelou à Corte Européia para se libertar do Liège. Ele estava sem contrato e queria jogar no Dunkerke (FRA).

Naquela época, vigorava o passe, que prendia o jogador ao clube e impedia que ele se desligasse mesmo sem contrato.

Em 1995, a Corte Europeia deu ganho de causa a Bosman, e a regra do passe na Europa foi abolida. Em 1997, a Fifa aboliu o passe para transferências internacionais. Em 2001, o passe teve fim no Brasil.