icons.title signature.placeholder Sérgio Arêas
18/03/2014
15:56

Em ano de Copa do Mundo, o Brasil terá de volta a Jules Rimet. Mas não em definitivo. A réplica da taça, roubada da sede da CBF em 20 de dezembro de 1983, é uma das peças mais importantes da exposição itinerante We Speak Football (Nós Falamos Futebol), que acontecerá entre os dias 3 de julho e 19 de outubro na Estação Cabo Branco - Ciência, Cultura e Artes, em João Pessoa, capital da Paraíba. Este evento é fruto de uma parceria do National Football Museum, sediado em Manchester, na Inglaterra, do 3-2-1 Qatar Olympic and Sports Museum e da prefeitura da cidade nordestina. O museu inglês, que tem mais de 150 mil peças em seu acervo, cederá, além da taça, cerca de 350 peças, algumas delas jamais exibidas até mesmo em sua sede, na cidade inglesa.

- Esta é a primeira vez que as peças saem da Inglaterra. Algumas delas nunca foram exibidas em Manchester, porque o foco do museu é a história do futebol inglês. E serão vistas pela primeira vez pelos brasileiros. Trata-se de uma exposição única em muitos modos - disse Kevin Moore, o diretor do National Football Museum, por meio de videoconferência na capital paraibana.

Para o diretor do Qatar Olympic and Sports Museu, Christian Wacker, que participou da coletiva de apresentação do evento, a ideia da exposição, que ocupará uma área de 1.500 metros quadrados, é estimular o lado educativo de um esporte que mexe com o imaginário de bilhões de pessoas.

- Queremos, além de tudo, desenvolver programas educativos. Vamos falar sobre minorias, inclusão social. Por isso essa exposição tem como tema o futebol, que é uma língua universal. Mais de três bilhões de pessoas jogam futebol e esta é uma razão mais do que suficiente para falar deste tema.

Além do lado social, os promotores do We Speak Football buscam parceiros para financiar este evento itinerante. O pontapé inicial será dado em João Pessoa, única cidade latino-americana a receber a exposição, que durará nove anos e terá o desfecho no Qatar, em 2022, durante a Copa do Mundo. Antes, porém, passará pelo Canadá, em 2015, França (2016), Alemanha (2017, Rússia (2018), Japão (2019), Inglaterra (2020) e Coreia (2021). A escolha por João Pessoa não foi por acaso.

- Escolhemos João Pessoa porque nos foi feita a oferta de um espaço muito bom, atrativo. Além disso, está localizada entre quatro sedes (Recife, Natal, Salvador e Brasília). isso é um grande atrativo - disse Christian Wacker.

Além de capital da Paraíba, os organizadores do evento itinerante visitaram Brasília, são Paulo e Rio de Janeiro, entre outras candidatas. No Rio, por exemplo, o local escolhido seria o Forte de Copacabana, mas este já havia sido reservado para um comitê da Fifa.

- Para nós, é uma grande felicidade começar pelo Brasil. O povo brasileiro é certamente o mais apaixonado pelo futebol e só isso já justifica a escolha - disse Christian, um alemão, que mora em Doha e é casado com uma brasileira.

A exposição será gratuita, terá um custo de um milhão e meio de reais, dividido entre os parceiros. Segundo o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, ainda será discutido um plano de transporte para facilitar o acesso do público ao local, que fica numa área afastada . Estima-se de mais de 400 mil pessoas visitem a exposição nos quatro meses de duração. Sobre a segurança de peças únicas, como a Jules Rimet, Cartaxo se mostrou tranquilo.

- Teremos um plano de vigilância muito forte e eficiente para garantir a integridade do acervo e também das pessoas. A prefeitura tem todo um planejamento em relação a isso, com um trabalho em conjunto da inciativa privada, guarda municipal e também da Polícia Militar - disse.