icons.title signature.placeholder Guilherme Abrahão e Marcello Vieira
19/03/2014
07:03

Ricardo Tenório não tem medo de enfrentar um ambiente adverso. Prova disso é que em 2009 participou da intervenção na diretoria do clube, assumiu o comando do futebol do Fluminense ao lado do advogado Mário Bittencourt e deu respaldo para o técnico Cuca trabalhar na tentativa de salvar o Flu de um rebaixamento que era praticamente certo no fim do Brasileiro.

Agora o dirigente assume a vice-presidência de futebol no início de um ano que promete ser complicado. Afinal, o erro da Portuguesa ao escalar um jogador de forma irregular na última rodada do Campeonato Brasileiro do ano passado manteve o Fluminense na Primeira Divisão, mas também criou uma imagem negativa para o clube perante a opinião pública.

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Ciente desta realidade, Tenório concedeu ao LANCE!Net, em sua sala nas Laranjeiras, a primeira entrevista exclusiva nesta segunda passagem no Tricolor e deixou claro que o Flu precisa trabalhar para recuperar uma imagem positiva. O dirigente também fez questão de salientar que está atento a possíveis fatores externos que poderiam vir a ocorrer.

– Teremos que enfrentar toda uma celeuma que foi criada após o Brasileirão do ano passado. O discurso no Fluminense é de união. Alguns formadores de opinião criaram um ambiente hostil que ainda está se dissipando. Temos um time forte e buscaremos reforços para alcançar nossos objetivos. Vamos resgatar a boa imagem do Fluminense, mas também será um ano em que estaremos atentos para responder de imediato qualquer coisa que fuja ao âmbito das quatro linhas. Buscaremos as vitórias no campo. Se houver qualquer coisa de diferente fora dele, estaremos aqui para nos defender – disse.

Na conversa que durou cerca de uma hora, Ricardo Tenório também falou sobre a relação com Celso Barros, Peter Siemsen, dificuldades do mercado, Walter, planejamento e reforços. Ele também disse que está à vontade para ser vice-presidente de futebol com funções políticas e executivas ao mesmo tempo. Confira abaixo a entrevista na íntegra:

Como foi convite para retornar ao Fluminense?

O convite veio naturalmente pelas conversas que vinha tendo com o Peter. Foi em um momento turbulento. O Fluminense era alvo de ataques injustificáveis, na minha opinião, por causa do episódio do STJD. Não teve participação nenhuma no que ocorreu, zero. Minha chegada foi neste cenário. Na verdade a defesa da instituição é o mais importante. Nós estamos preservando isso e a união entre jogadores, comissão técnica, diretoria, torcida, é algo que defendo bastante.


Ricardo Tenório chegou ao Flu em dezembro de 2013 (Foto: Julio Cesar Guimarães)

E como está sua relação com o presidente Peter? Já foi melhor, correto?

Nós divergimos muito pouco. Tanto que começamos juntos em 2006. Em 2009, nos afastamos, mas sem nenhum atrito de filosofia. Era mais um atrito pelo modo que se colocaram algumas coisas no clube. Aconteceram algumas divergências que estão no passado, mas não me arrependo de nada. Foi triste por uma amizade que tínhamos, nossas famílias sempre foram amigas, e que acabou dando uma esfriada, mas agora foi retomada. Estamos unidos pelo bem do Fluminense.

E com o Celso Barros? Como tem sido o convívio?

É de muito respeito pela figura que é o Celso, uma pessoa vitoriosa, tricolor apaixonado e sempre convergimos muito neste sentido. A relação é muito boa. No dia a dia a gente conversa e ele está sempre disposto a ajudar. Não podemos imaginar a gestão do departamento de futebol sem a participação da Unimed visto que o nível de investimento feito por eles justifica essa gestão compartilhada. Convivemos muito bem com isso. Sabemos dividir as responsabilidades.

Acha que ficou sobrecarregado com a saída do Felipe Ximenes?

Hoje, não estou sobrecarregado. Conseguimos nos desenvolver bem. O Fluminense tem três competições pela frente e temos um planejamento sendo feito, patrocinador está conosco, é ano de Copa do Mundo, calendário um pouco mais curto e poderemos trabalhar com calma. Temos um organograma definido no qual fui inserido. Tenho uma função política e uma função executiva.

E o planejamento do clube para a temporada?

Estamos conversando e o planejamento vem sendo feito. Sabemos os contatos que estão sendo feitos, os contratos que estão terminando este ano e algumas conversas sobre renovação já estão ocorrendo. Sabemos as posições que precisamos reforçar. O elenco é forte, de peso, mas sabemos que precisamos ir para um campeonato longo mais ajustado. Em breve teremos alguma coisa para apresentar à torcida.

As penhoras do ano passado atrapalharam o equilíbrio na relação do clube com a patrocinadora?

A situação da Procuradoria nada tem a ver com a relação com a Unimed. Essa situação nos prejudicou e muito. Evidentemente o clube e a instituição ficou com o caixa comprometido. A relação da parceria tem que ser aberta e o Fluminense tem que definir seu orçamento, no qual pode participar e entrar e o que cabe a ele e a Unimed da mesma forma. Cada um com seus interesses claros e cristalinos. É o que fazemos hoje. Não existe essa ingerência como tanto se comenta.

Por falar em Unimed, o Celso foi entusiasta da chegada do Walter. Como percebem a evolução e bom desempenho do atacante?

Fala-se dessa ingerência da Unimed, mas por exemplo, se não fosse o Celso Barros, o Walter não estaria aqui. Gostamos do Walter, sabemos do potencial. Falavam que o Fluminense precisava de um zagueiro. Mas vieram antes o Conca e ele. Sabemos que temos que reforçar a zaga, mas o Walter chegou com a força da Unimed. A gente brinca com o Celso que se não fosse a visão dele, não teríamos o Walter. É importante saber que ele tem esse peso, porque ele é o patrocinador. O Walter é uma alegria pelo desenvolvimento e a forma como se comporta. Esse jogador só tem a dar bons frutos. Esperamos que além do contrato dois anos, que já temos, consigamos desenvolver algo a mais no futuro.


Walter chegou ao Flu com apoio total da Unimed (Foto: Cleber Mendes/ LANCE!Press)

Por que o Fluminense está demorando tanto para contratar um zagueiro? É problema do mercado?

Fazemos o investimento de forma equilibrada. O atacante é o que mais aparece para o mercado, mas o Gum e o Leandro Euzébio, por exemplo, têm participação da Unimed nos direitos. É importante definir isso. Sabemos que um elenco não é só ataque. Os investimentos estão sempre equilibrados. Vamos em busca de um zagueiro, planejando em parceria e olhando com calma. O mercado está complicado, mas estamos estudando cada situação.

Voltando aos problemas do ano passado, como o Flu está vendo as provocações da Portuguesa? Fecharam recentemente um patrocínio com uma empresa de tapetes e até citaram o clube nas redes sociais.

Isso é tudo folclore. Faz parte do futebol, eles podem criar o que quiserem. Só vimos uma irregularidade cometida. Aliás, duas vezes em uma mesma rodada. Isso é o que vejo. Se querem criar história, que façam e respondam pelos atos. Não temos nada contra a instituição Portuguesa. Se alguém afrontar diretamente o Flu, estamos aqui para nos defender. Nós estamos tocando a nossa vida, não temos nada a ver com isso.

E a relação com o Flamengo está estremecida?

Não tem nada estremecido. Cada um tem seus problemas e que cada um os resolva da forma que achar melhor. Estamos tranquilos.

Qual intenção do Fluminense em relação às reivindicações feitas para a Federação Carioca?

Nós temos que reivindicar melhores condições porque a Federação pertence aos clubes que nela estão filiados. É um processo de evolução e vemos isso como saudável e natural.

Voltando ao Tenório, você sonha em ser presidente do Flu?

Não tenho pensado nisso. Nesse momento não imagino isso. Exerço um cargo de confiança do presidente do clube. Não penso em termos políticos, nem em ser o presidente. Hoje, tenho um grande desafio pela frente.

Mas seu nome foi especulado nas eleições para isso...

Tive o nome especulado porque estou no meio político do clube. Vim votar naturalmente como sócio, mas não teve nada além disso.