icons.title signature.placeholder Sérgio Arêas
07/11/2013
08:30

Peter Siemsen quer mais três anos de mandato. O presidente tricolor confirmou nesta quarta-feira que tentará a reeleição. Motivos para isso, segundo ele, não faltam e vão desde impedir que o clube tenha um "retrocesso", devido ao grupo que atualmente apoia o candidato Deley, da oposição, até tornar o futebol independente da parte social. Nesta entrevista exclusiva ao LANCE!Net, Siemsen antecipou também o apoio de Celso Barros à reeleição – o que ainda não foi oficializado pelo presidente da patrocinadora –, falou sobre a importância do CT, da permanência de Luxemburgo e da contratação do ídolo Conca, que está por detalhes para ser anunciada. Confira:

O que o motiva a tentar uma reeleição? 

O Fluminense ainda paga o preço por anos de descaso e de trabalho administrativo ruim. Isso levou o clube a ficar defasado em estrutura, condições econômicas, em organização e isso deu um bocado de trabalho para nós nos últimos três anos em função dos problemas. Demos um choque de ordem muito forte no clube. Mudamos a cultura. Hoje, o Fluminense tem uma cultura pagadora. Tratamos igualmente sócios, presidente, diretor... Todos têm de ser tratados da mesma maneira, sem privilégios. Hoje, olho o pessoal que está se unindo na oposição e o que me chama a atenção é que foram eles os criadores de todos os problemas que nós enfrentamos. Por isso, tive de vir para esta eleição. Isso me motiva a iniciar uma fase dois neste trabalho. Se tivesse um grande candidato, que construísse junto, sentaria para conversar. Neste caso, tento evitar um mal maior. Tenho de trabalhar para o crescimento do clube e não deixá-lo ao retrocesso.

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Quais seriam as principais plataformas para um novo mandato?

O CT é um plano de primeira ordem e estamos avançando bastante. Organizando o orçamento, acredito que poderemos bater os 100 mil sócios. Isso vai dar uma força, uma capacidade muito grande para o Fluminense. Seremos protagonistas no mercado a partir do momento que tivermos autossuficiência. É um desafio que vale a pena encarar. Além disso, vamos conseguir agora as certidões negativas de débito, que permitirão trabalhar o esporte olímpico a partir de projetos incentivados. Sabemos que é fundamental trabalhar com projeto incentivado ou com programa do governo. Não há outra alternativa. Além disso, queremos explorar mais o Maracanã com ativações, ações no estádio e loja. Para isso, temos uma negociação avançada com a Adidas.

Já conversou com Celso Barros sobre a reeleição? Ele garantiu apoio a sua candidatura?

Já conversamos bastante e estamos trabalhando duro para que o resultado esportivo seja melhor, mas ao mesmo tempo olhando com carinho para o futuro. Esta reconstrução do Fluminense não pode parar. Ele observa da mesma maneira e estamos juntos nisso. Apesar de um boato ou outro, estamos juntos e vamos continuar assim.

Como você pretende separar o futebol da parte social?

Isso é fundamental. Trabalhar com uma estrutura única é muito difícil funcionar bem. Gostaria que o Fluminense adotasse os dois modelos: de sucesso nos esportes olímpicos e no futebol. A marca é a mesma, os torcedores são os mesmos, mas a parte operacional deste sistema precisa funcionar de forma segmentada. Os departamentos financeiro e de marketing têm de estar dentro de um valor real de remuneração e estratégia de cada um desses segmentos. Cada um com seu caixa próprio.


Siemsen tentará a reeleição à frente do Fluminense (Foto: Nelson Perez/Fluminense F.C)

Como está a questão da Timemania, das penhoras e a situação financeira do clube?

Sobre a Timemania, o Fluminense já cumpriu todas as etapas e acredito que amanhã (hoje) já deva aparecer no sistema. Tivemos R$ 21 milhões penhorados este ano e convertemos este valor em pagamento da dívida fiscal e outras. Além disso, pequena parte da dívida que não pôde ser abatida na Timemania ainda estamos estudando se pagaremos à vista ou não. Outro ponto importante é que, antes mesmo da reinclusão reaparecer no sistema, colocamos todos os salários em dia.

Você pretende renegociar as cotas de TV futuramente?

Esta é uma questão mais para a frente. O Fluminense nos últimos anos sempre teve uma posição mais difícil, esteve numa situação financeira complicada, com problemas de infraestrutura. Isso atrapalhava neste sentido. Da forma como fecharemos o ano na parte financeira, certamente, teremos uma posição política forte no mercado brasileiro, sem precisar pedir nada para sobreviver. Estamos sinalizando isso agora com este enfrentamento que infelizmente tivemos na área pública para a questão fiscal.

Com o Fluminense forte financeiramente, o que você planeja?

Mantendo o controle de receita, tornando o clube superavitário, ano a ano teremos capacidade de investimento, inclusive para concorrer no mercado de captação de atletas da base. Poderemos disputar, por exemplo, com o São Paulo, que tem uma condição financeira muito mais avançada. Além disso, não precisaremos mais vender jogador para pagar salários. Seremos um player político importante no mercado quando tivermos autossuficiência. 

Caso o Fluminense seja rebaixado, há risco de o patrocínio da Unimed não ser renovado?

No momento, estou trabalhando para ficar na Primeira Divisão, com resultados positivos nos próximos seis jogos. Não estou nem considerando esta hipótese.

Como está sendo discutida a situação do Rodrigo Caetano? Ele ficará se você for reeleito?

Rodrigo Caetano está trabalhando, tem contrato em vigor, não é o momento de discutirmos este assunto.

Luxemburgo seguirá até o fim do campeonato?

Trabalho sempre jogo a jogo. Vamos deixar os jogos correrem. Ver como o time está se comportando, a reação... Assim, saberemos o que fazer.

O que falta para anunciar o Conca?

Falta pouco. Em breve, vai ficar tudo certo. Se tivesse fechado, anunciaria hoje. Mas não assinou, não fechou. Não precisaria esconder se tivesse fechado. Seria até positivo neste momento.