icons.title signature.placeholder LANCEPRESS!
08/02/2015
07:04

Uma quer determinar os preços dos ingressos nos jogos, algo que é óbvio que só pode ser decidido pelo mandante da partida. Aquele que paga os custos do estádio, do plantel de jogadores, e até paga um percentual para a federação. A outra decide que um dos maiores clássicos do país, pela primeira vez a ser jogado na arena que está estalando de nova, não pode ter a torcida adversária, e depois volta atrás, em seguida a um chilique do presidente do clube da torcida excluída.

As trapalhadas das duas maiores federações de futebol do país, a de SP e a do RJ, nestes últimos dias desnudam algo que o hábito nos faz esquecer de perguntar. Além de faturar uma boa grana e enfiar os pés pelas mãos, qual a utilidade das federações? Se ainda fossem capazes de promover campeonatos atraentes e lucrativos para os clubes, de criar e manter um calendário de competições que estimulassem todos os clubes menores a terem suas equipes jogando o ano todo e não somente por três ou quatro meses e depois se desfazendo, de contribuir para a organização de jogos impecáveis na segurança, na venda de ingressos, no trânsito...e por aí vai. 

Mas não, as federações são os verdadeiros chupins do futBr, prestando o nefasto papel político na articulação para se manterem no poder, às custas de sistemas eleitorais viciados, com ligas fantasmas com direito a voto, e afrontando os maiores clubes e suas torcidas, que são os que sustentam de verdade o show de incompetência desta turma.

Ops, ia me esquecendo da razão de existir mais essencial: as federações, em número de 27, têm os votos que elegem, mesmo sem os votos dos clubes, em troca de milhões de favores, o presidente da CBF. Não é pouca razão para existir!

Quem pode mudar o estado das coisas?

Os clubes e os torcedores são os que mais perdem com esta estrutura carcomida e superada do nosso fut. Como os torcedores não conseguiram até hoje se organizar para protestar, resta aos clubes este papel, conforme tantas vezes já exclamamos aqui. No entanto, o modelo de propriedade e de governança dos clubes resulta que estes são reféns ou cúmplices dos que mandam nas federações e CBF. São os clubes os mais espoliados e os torcedores, as vítimas finais do sistema vigente.

Para mudar, só vejo a saída da mudança da propriedade, saindo do modelo associativo do século XIX e adotando o que se poderia chamar de sociedade empresarial do futebol (SEF) para dar segurança jurídica e atrair investimentos de verdade para os clubes. Só assim poderão ter sua carta de alforria!

Aumentou a esperança...

A reunião na última terça-feira em Brasília, entre alguns jornalistas e especialistas do futebol com os assessores e ministros da Casa Civil, Aloizio Mercadante, do Esporte, George Hilton, e com o futuro presidente da APO (Autoridade Pública Olímpica), Deputado Edinho, foi melhor que o esperado. A fala do ministro Mercadante foi encorajadora, de uma ambiciosa mudança, quem sabe a desejada revolução. Foi animador o consenso em torno da criação de uma Agência Nacional dos Esportes, reguladora e fiscalizadora, com ramos distintos, para o futebol e outras modalidades.


Reunião em Brasília: consenso em torno da criação de uma Agência Nacional dos Esportes (Foto: Paulino Menezes/ME)

Se houver fiscalização com punição em cima do Estatuto do Torcedor, de regras de segurança nos estádios e do que vai sair da lei de reestruturação do futebol, poderemos enfim ter consequências e punições em vez de somente mais uma lei que não é cumprida. Há muitos outros aspectos que precisam de ser ainda debatidos e enfrentados, sobretudo os que possam induzir à nova governança nos clubes (vejam nota acima) e à responsabilização esportiva, penal e cível para os dirigentes que descumpram as obrigações da desejada lei que vai dar o tão necessário refinanciamento das dívidas fiscais com exigências atreladas ao benefício.

Aguardem os próximos capítulos!

EXCLAMAÇÕES DO LEITOR

O Prof. Ivan Claudio Siqueira de Moraes reclama que há desnível enorme entre os que cuidam da saúde e educação no país e os “milionários” do futebol. A coluna lembra que os artistas, e não só os da bola, ganham muito mais em todo o mundo e não só no Brasil. O que não é aceitável são os clubes não pagarem seus impostos ao mesmo tempo em que pagam fortunas aos jogadores e técnicos.

O Alcides Mathias aponta que os dirigentes criaram um ambiente de impunidade e de não fiscalização sobre eles como se fossem um estado dentro do estado brasileiro. E propõe uma taxação sobre as rendas da CBF. A coluna está de pleno acordo com o leitor e espera que o governo enfrente essa questão neste momento de discussão da nova lei do futebol, criando mecanismo de enquadramento dos dirigentes dos clubes e federações. E defende não uma taxação sobre a CBF, mas sim um estatuto novo para a entidade no qual ela tenha que fazer investimentos de ao menos 50% do que fatura em benefício de formação de base e infraestrutura do futebol.

Mande suas críticas, sugestões e pitacos para a coluna. Semanalmente, alguns leitores terão o comentário publicado neste espaço: exclamacoes@lancenet.com.br