icons.title signature.placeholder Rodrigo Vessoni
29/06/2014
09:03

Messi é a principal esperança do povo argentino nesta Copa do Mundo. Messi é motivo de comparações com Diego Maradona. Messi já é considerado um dos maiores personagens da história do seu país. Mas nada disso teria acontecido se não fosse o dia 29 de junho de 2004...

Há exatos dez anos, então com apenas 17 anos e cinco dias, o jogador vestia a camisa azul e branca pela primeira vez, num amistoso inventado pela Associação de Futebol Argentina com um único objetivo: colocá-lo em campo por alguns minutos e exterminar a chance de atuar pela Espanha, que sinalizada nos bastidores com sua convocação - meia já era do Barcelona (ESP), clube que aceitou pagar 900 dólares/mês por um tratamento de crescimento (Newell's, time de coração em Rosário, e River Plate não quiseram investir).

O amistoso criado pela AFA foi pela equipe sub-20 contra o Paraguai, no estádio do Argentinos Juniors. Cerca de 200 torcedores levaram um jornal que serviria de ingresso e, posteriormente, seria transformado em material reciclável para arrecadar fundos para um hospital. O desconhecido jogador do Barça entrou no intervalo no lugar de Ezequiel Lavezzi, hoje seu companheiro de seleção, e fez o penúltimo gol do massacre por 8 a 0 - Garay e Zabaleta, que fazem parte do atual elenco que está no Brasil, também estavam em campo.

Messi tinha fama nas categorias de base do Barcelona, dono de uma cláusula de liberação de 15 milhões de euros, mas era completamente desconhecido na Argentina. Após receber uma fita VHS com lances do jogador, que estava perto de ser naturalizado espanhol e atuar pela Fúria, um dos funcionários da AFA levou o caso a Julio Grondona. O presidente da entidade máxima do futebol argentino mandou que, imediatamente, fosse realizado qualquer amistoso para que o jogador fosse convocado.

Um representante da AFA conseguiu seu telefone na Espanha, um fax foi enviado ao Barcelona para comunicar a convocação de Lionel Mecci (com letras erradas, confirmando desconhecimento sobre ele)...e pronto: jogador com a camisa da Albiceleste e Espanha impedida de tentar sua naturalização. Objetivos concluídos dos dirigentes da AFA.

Jorge Messi, seu pai, costuma dizer que a opção de atuar pela Espanha nunca existiu, que seu desejo sempre foi representar o país sul-americano. Se isso é verdade ou não, só ele e o astro sabem. A realidade é que essa manobra da AFA, de inventar um amistoso para ele entrar em campo, tornou-se fundamental para a 'argentinização' do principal jogador da equipe de Alejandro Sabella, a principal esperança pelo tricampeonato da seleção em solo brasileiro. Isso, há exatos dez anos...