icons.title signature.placeholder Bruno Grossi e Marcio Porto
09/03/2014
08:06


Em 1998, Souza chegou ao São Paulo: saiu em 2002, sem sucesso. Em 2003, Souza chegou ao São Paulo: demorou para se firmar, mas saiu adorado, em 2007. Em 2014, Souza chegou ao São Paulo: e o sucesso foi repentino. Neste domingo, o “novo” Souza é uma das forças do time para superar o Corinthians no Pacaembu.

O camisa 8 foi um dos reforços trazidos para reformular o grupo quase rebaixado no Brasileirão do ano passado e, na visão de diretoria e comissão técnica, caiu como uma luva, sendo a contratação mais comemorada até agora. O comprometimento e facilidade para exercer funções dentro de campo conquistaram o São Paulo. Foram apenas seis jogos, um gol no último, mas Souza já é titular absoluto do técnico Muricy Ramalho.

Ainda é cedo para dizer qual Souza o torcedor são-paulino verá, mas o atual sabe que são partidas como a de hoje que farão a diferença.

– Clássico todo mundo está vendo e é aí que o jogador tem de se sobressair, mostrar sua força. Se vencer, todo mundo é valorizado e ganha confiança. Esses jogos que marcam – afirmou o volante, ao LANCE!Net.

E ele tem razão. É só olhar a trajetória de seus “ancestrais”. Ao longo da história, esse é o terceiro Souza a vestir a camisa do São Paulo. Os outros ficaram marcados pelo desempenho em clássicos. Um, negativamente. O outro, o mais recente, ganhou a torcida batendo o Corinthians. Com a receita, o meia agora abre caminho para o “xará”.

– Acredito que o Souza deve ter sucesso e desejo que conquiste o mesmo que eu conquistei – declarou Souza, meia do clube entre 2003 e 2007, famoso pelas provocações às vésperas de cada clássico Majestoso.

O meia, atualmente no Ceará, no entanto, demorou para conquistar espaço. Ele sofreu uma grave lesão no joelho em seu terceiro jogo pelo clube e passou quase seis meses fora. Conseguiu se recuperar e participou de grande parte das conquistas do Tricolor na década passada. O Souza atual começou com mais sorte, mas prefere olhar para o antecessor.

– Vejo nas paredes do CT, ele teve muitas conquistas. Não estou nem um pouco na frente dele. Ele é espelho, pelos títulos e identificação com a torcida – disse o volante.

Pelo menos no quesito humildade, o Souza atual já é mais evoluído.

A evolução dos Souzas

Souza I
José Ivanildo de Souza foi um meia que chegou do Corinthians. Talentoso, nunca se firmou no São Paulo e foi taxado de sumir em jogos importantes. Estreou em agosto de 1998, 2 a 1 sobre o Guarani, no Brasileiro. Fez 166 jogos, com 19 gols, 87 vitórias, 29 empates e 50 derrotas. Campeão paulista em 2000 e do Rio-São Paulo, em 2001.

Souza II
Willamis de Souza Silva chegou em 2003 de um pacotão da Portuguesa Santista, com o volante Adriano e o atacante Rico. Virou titular em 2006 com a chegada de Muricy Ramalho, mas participou dos títulos do Paulista, Libertadores e Mundial em 2005. Venceu ainda dois Brasileiros (06 e 07). Em 234 jogos, fez 36 gols, 127 vitórias, 58 empates e 49 derrotas.

Souza III
Contratado por empréstimo do Grêmio tem impressionado os dirigentes pelo profissionalismo, comprometimento e senso de grupo, perfil exigido pelo técnico Muricy Ramalho. Estreou na derrota de 2 a 1 para a Ponte Preta, mas depois não perdeu mais, três empates e duas vitórias. Fez gol no último jogo.

ENTREVISTA COM SOUZA, EXCLUSIVA AO LANCE!Net

Os outros Souzas do São Paulo demoraram para se firmar. Você, não. Está em vantagem?
Creio que aconteceu pela necessidade da equipe. A dos outros já estava formada, aí você tem dificuldade de se firmar. No meu caso ainda não estava, não está formada, facilitou minha adaptação. Mas foram dois bons jogadores do time.

Como acha que pode ter sucesso com a camisa do clube?
É jogar um bom futebol, demonstrar raça pela posição que a gente joga, pra se identificar. Isso facilita o trabalho, dá tranquilidade com a torcida pra exercer a função.

Você fala muito em identificação. Como buscar isso rápido?
Jogando bom futebol, e, acima de tudo, vencendo. Por mais que jogue bem, por mais que aconteça e a vitória não vem, cria distância do torcedor e o jogador. Com as vitórias, aproxima. E títulos. Estamos em busca disso, eu estou, pra começar com o pé-direito já no Paulista.

Quais suas lembranças de clássico no Vasco, Porto (POR) e Grêmio?
No Vasco, se eu não me engano, nunca perdi de Fluminense e Botafogo, nunca ganhei do Flamengo. No Porto, perdi um jogo só pro Benfica, ganhei todos os outros. E no Grêmio perdi um, muitos empates, e ganhei dois. Na maioria creio que saí vencedor, pretendo manter. É importante quebrar o tabu.

Em sua chegada, você disse que não estava 100%. Agora está?
Ainda estou evoluindo. Fisicamente estou bem, incomoda um pouco o tornozelo, mas nada que me tire de jogo. Vamos tentar zerar o físico e técnico e em breve vou poder ajudar ainda mais o time.