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26/06/2014
16:08


Qual é o grande sonho do torcedor fanático? Acompanhar o seu time do coração, seja onde for. E foi justamente isso o que aconteceu com Lielson Tiozzo. Na adolescência, ela fazia um curso de informática e, constantemente, queria matar aula para ir aos jogos do Corinthians no Pacaembu. Como o próprio conta, seus colegas de sala achavam a sua atitude o fim do mundo.

- O assunto dos meus colegas era sempre um teclado novo, o programa da Microsoft – relembra. – Em 2005, após o jogo em que o Timão venceu o Cianorte por 5 a 1, eu decidi que iria abandonar a informática para tentar acompanhar o time mais de perto. Aí, escolhi ser jornalista esportivo – explica Lielson, referindo-se à vitória corintiana sobre o time paranaense que garantiu a vaga nas oitavas de final da Copa do Brasil daquele ano. Após perder no Paraná por 3 a 0, a equipe paulista precisava vencer o jogo de volta por quatro gols de diferença para ficar com a vaga.

Como jornalista esportivo, Lielson conseguia ir aos jogos do time, mas não poderia fazer o que o fã mais gosta de fazer, que é torcer.

- Hoje trabalho em uma revista de pesca, mas é até bom. Como jornalista esportivo eu não conseguia ficar sem torcer na arquibancada. Em 2007, por exemplo, eu não consegui fazer uma entrevista com o Betão (zagueiro). Apenas agradeci – conta o torcedor, que coleciona revistas do clube e compra de três a quatro camisas oficiais do time por ano, além de ser sócio-torcedor.

Após muitos e muitos jogos, chegou o ano de 2012, em que o Corinthians seguia firme rumo ao título da tão sonhada Libertadores. Nas semifinais, Lielson torcida pela Universidad de Chile contra o Boca Juniors, porque se a final fosse em Santiago, ele teria mais facilidade, por possuir familiares na capital chilena. Mas o adversário do Corinthians foi o temido argentino Boca Juniors.

- Quando o Corinthians ganhou do Santos na semifinal, eu até pedi férias no serviço. Era o sonho da minha vida ver o Corinthians campeão da Libertadores. O time estava trabalhando muito certinho para isso, manteve a base de jogadores... Eu passei noites de insônia procurando ingressos para o jogo na La Bombonera. Acabei conseguindo o ingresso graças a amigos que têm contatos no clube – relembra.

Depois da conquista do título, no Pacaembu, Lielson foi com alguns amigos para comemorar na Lapa. Foi então que ele teve a ideia. Como já havia ido a alguns lugares com o Timão, ele falou para os amigos que iria para o Japão, e em lua de mel.


Lielson pediu a noiva em casamento com o destino da lua de mel decidido: Japão (Foto: Arquivo Pessoal)

- No dia seguinte, liguei cedo para minha noiva, Valéria, e falei para ela que à noite precisava falar uma coisa muito importante. Fiz ela ficar o dia inteiro ansiosa e à noite a pedi em casamento. Mas ela nem conseguiu falar nada e eu completei que teríamos de passar a lua de mel no Japão. Enquanto eu cuidaria da lua de mel, ela cuidaria da igreja, da festa...

Após o sim, os dois trataram de arranjar os detalhes que faltavam para a união. No Japão, tudo deu certo e a lua de mel foi ainda melhor com o título do Corinthians sobre o Chelsea (ING).

- Foi tudo maravilhoso. A viagem foi bacana, o título foi o máximo, mas também foi legal para conhecer a cultura japonesa, o respeito deles. Fomos conhecer o Monte Fuji, a Disney de Tóquio, que eu nem sabia que existia. Onde a gente ia tinha corintiano. Os próprios japoneses já estavam catequizados e o grito que mais ouvíamos era “Vai, Corinthians!”. Era “Bom dia! Vai, Corinthians!”, “Boa noite! Vai, Corinthians!”

Um mês após o título mundial, a esposa descobriu que estava grávida, e ainda de gêmeos. Lielson até brinca com a situação:

- Naquela época, o (técnico) Tite disse que o torcedor namora melhor quando o time é campeão. Acabei engravidando minha mulher na comemoração – conta, lembrando que a taxa de natalidade da Espanha aumentou após a conquista da Copa do Mundo de 2010.

Mas a gravidez não foi como o casal esperava. A esposa sofreu muito porque a gêmea Valentina teve um problema de restrição de crescimento durante a gestação e, 50 minutos após o nascimento, ela morreu. A outra filha, Clara, não teve o mesmo problema e atualmente está superbem, trazendo alegria a Lielson e Valéria. Com a família maior, o jornalista tem outras atenções, mas o Corinthians sempre fez parte de sua vida e assim continuará.