icons.title signature.placeholder Guilherme Cardoso
21/12/2013
08:03

Quem disse que a família Falcão não tem mais representantes no boxe olímpico? Apesar da profissionalização de Esquiva e Yamaguchi nos últimos meses, o clã segue com um remanescente: Estivan, de apenas 17 anos.

Após o sucesso dos irmãos mais velhos em Londres-2012, o sobrenome Falcão ficou consagrado na modalidade. E empolgado com as conquistas dos irmãos, Estivan ganhou uma chance na Seleção Brasileira juvenil nesta temporada.

– Ficava olhando meus dois irmãos lutando e treinando. Aí eu acabei gostando do boxe. Eles são muito importantes na minha carreira, sempre me deram conselhos – disse o lutador por e-mail ao LANCE!Net.

Após fazer sucesso na categoria até 54kg no Campeonato Brasileiro Cadete de 2011, quando ficou com o título, Estivan subiu de peso para entrar na Seleção. Agora, compete entre atletas até 60kg, o mesmo do vice-campeão Mundial de 2013, Robson Conceição. Ciente da dificuldade para alcançar um lugar na equipe na Olimpíada do Rio de Janeiro em 2016, ele foca a Olimpíada de 2020, em Tóquio (JAP).

– Nesse momento, penso em ficar nesta categoria mesmo com a concorrência. Para mim, é melhor pensar na Olimpíada de 2020, porque para 2016 a disputa é grande – avaliou.

O problema é que os resultados nesse primeiro ano não foram os esperados. Ele ficou sem medalha nos Jogos Sul-Americanos da Juventude, em Lima, no Peru, em setembro. Se não bastasse, o desempenho nos treinamentos com a Seleção Brasileira não tem sido muito bom.

Estivan é considerado talentoso. Resta saber se vai conseguir manter as glórias dos irmãos Falcão.

- A pressão é muito grande agora que eu sou o único da família Falcão na Seleção Brasileira. A presão vem mais do meu pai (Touro Moreno) mesmo. Ele sempre fala, como sou novo ainda, para não perder muito peso, me alimentar bem e ficar focado nos treinamentos - disse o lutador.

Profissional? Somente após 2020

Não é apenas no boxe olímpico que Estivan pretende seguir os passos de seus irmãos. Assim como fez Esquiva e Yamaguchi neste ano, ele pensa em se profissionalizar. Mas como ainda está com apenas 17 anos, isso vai demorar.

– Pretendo ir para o boxe profissional, sim. Mas por enquanto, penso nos Jogos Olímpicos de 2016 e 2020 – afirmou o atleta.

Yamaguchi foi o primeiro da família a se profissinalizar. Em outubro, ele anunciou ter assinado um contrato com a Golden Boy, empresa americana que agencia a carreira de lutadores. Já Esquiva acabou contratado pela Top Rank em novembro. Os dois vão fazer suas estreias nos primeiros meses de 2014.

QUEM É:

Nome: Estivan Falcão Florentino

Idade e Nascimento: 17 anos, nasceu em 1 de junho de 1996, em São Mateus (ES)

Altura e peso: 1,70m e 57kg

Categoria: Peso leve, até 60kg

Carreira: Campeão do Campeonato Brasileiro Cadete de 2011, na categoria até 54kg. No início deste ano, passou a fazer parte da Seleção Brasileira juvenil e mudou para São Paulo, onde o a equipe treina.

SUCESSO DE FAMÍLIA

Esquiva Falcão
Aos 24 anos, conseguiu conquistas importantes nas últimas temporadas. A principal foi a medalha de prata na Olimpíada de Londres (ING), em 2012, na categoria até 75kg. Um ano antes, nesse mesmo peso, tinha levado o bronze no Mundial de Baku. Já em 2010, o lutador foi bronze nos Jogos Sul-Americanos, na Colômbia, até 69kg.

Yamaguchi Falcão
O mais velho entre os três irmãos, o lutador tem 25 anos. Assim como Esquiva, alcançou a principal conquista nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, quando levou a medalha de bronze na categoria até 81kg. Um ano antes, tinha ficado com a prata na disputa dos Jogos Pan-Americanos de 2011, em Guadalajara, no México.

Confira a opinião de João Carlos Soares, técnico da Seleção Brasileira de Boxe

"A gente esperava mais dele. Quando viajou para disputar os Jogos Sul-Americanos Juvenil com a equipe, não conseguiu mostrar muita coisa.

A expectativa em cima dele é grande. Mas precisa mostrar um pouco da parte dele, ter mais interesse nos treinos. Boxe é assim. Tem de demonstrar resultados para conseguir algum apoio.

Acho que o Estivan está deslumbrado, meio devagar. Antes, tinha os irmãos que ajudavam, obrigavam a treinar e incentivavam. Agora, só ficou ele na Seleção. Mas não é nada demais.

Ele tem qualidade, muito potencial, se movimenta bem, tem um bom boxe. Mas não existe campeão sem treino. Precisa ter dom e acompanhar com treinos."