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19/07/2013
10:20

João Paulo Medina
Especialista em gestão esportiva, da Universidade do Futebol

Os clubes, de forma geral, e aí coloco todos no mesmo barco, são clubes que estão num ambiente de transição do futebol brasileiro. Alguns estão correndo atrás com mais velocidade, e aí acho que tem de dar mérito ao Corinthians, que até certo tempo atrás não tinha nem centro de treinamento. A construção da infraestrutura do clube é uma coisa relativamente recente, em comparação ao São Paulo.

Essa questão de infraestrutura, que é um dos elementos para um boa gestão, os clubes entenderam perfeitamente e estão correndo atrás. Antes era só investimento em jogadores. Agora, em que falta os clubes brasileiros investirem? Em gestão.

Por exemplo, o Corinthians encontrou uma solução no marketing inteligente, está buscando uma solução inteligente na gestão técnica. Não é nenhuma maravilha e nenhum clube brasileiro você pode dizer que é um modelo de gestão, mas o São Paulo está ainda buscando essa solução.

Qual o problema que vejo em termos de gestão? Ela passa por três dimensões: as questões administrativa, técnica e política. Os clubes não perceberam ainda que é necessária uma perfeita afinidade entre essas três dimensões. A visão que o dirigente tem do futebol é de torcedor, não há gestão técnica no país, não há formação nessa área como existe em alguns países da Europa.

Essa dimensão técnica, política e administrativa tem de fluir juntas, e não é. O poder político muitas vezes é dissociado da gestão aministrativa e essas duas, da gestão técnica. Não tem cabimento mais um clube contratar treinador só pelo histórico de resultados dele, sem entender sua filosofia, se tem liderança, se vai conduzir o processo de acordo com a filosofia de futebol que o clube deseja.

Mas por que não existe isso hoje? Porque não existe essa filosofia nos clubes. A visão que os dirigentes vão dar é a visão de torcedor, uma ou outra um pouco melhorada, com alguns presidentes que entendem um pouco mais da coisa, mas não há uma política que seja institucional do clube para que você possa fazer um planejamento que extrapole o curto prazo. Poucos são os que fazem isso.

Essa questão impacta nesses desastres que a gente vê acontecer. E a grande maioria está exposta a esse cenário, talvez por falta de compreensão e investimento nessa área de gestão.

O melhor dos mundos seria uma mudança para os clubes contratarem um gestor profissional, mas, na ausência desse modelo jurídico, basta o dirigente apostar no modelo atual. Muitos clubes já apostam e têm executivos de futebol. Alguns são quase um supervisor à antiga, sem poder, porque o poder ficar muito na política. Mas se o dirigente for sensível e tiver poder suficiente para blindar um trabalho profissional, é possível fazer nesse modelo jurídico. O Barcelona não tem esse modelo jurídico dos brasileiros? Tem. Eles possuem lá os seus problemas, mas conseguem dar coordenação melhor e compatível com o futebol altamente competitivo de hoje.


Fernando Trevisan
Especialista em gestão esportiva, da Escola Trevisan de Negócios

Concordo 100% com a análise do Rogério. Parece que o São Paulo deitou na cama da fama e não acompanhou o rápido movimento de profissionalização que o futebol brasileiro estava iniciando principalmente nos últimos cinco anos. Em tese, as receitas aumentaram em praticamente todos os clubes, inclusive no São Paulo, mas eles não souberam transformar isso em valor de longo prazo, melhorando a qualidade de sua gestão interna.

De fato, essa distância tem ficado cada vez mais clara do modelo de gestão do São Paulo em relação aos dos outros clubes, principalmente, dos rivais da mesma cidade.

O ponto principal é tentar realmente manter o técnico por um período mais longo. Não sei se obrigatoriamente precisaria ter uma comissão técnica fixa, mas fazer acordos de longo prazo e trabalhar melhor a seleção do treinador. Não dá para identificar três, seis meses depois que aquele não era o profissional adequado para o clube. O processo de seleção do treinador tem de ser mais criterioso, mais bem feito, para evitar mudar em seguida.

Claramente, foi uma mudança muito grande que aconteceu. De um técnico que estava bastante tempo no clube e, de repente, uma série de técnicos são contratos sem dar certo. Isso é mais uma consequência de uma parada no tempo do São Paulo em seu modelo de gestão, não profissionalizando também essa questão da contratação da figura-chave que é o treinador.

João Paulo Medina
Especialista em gestão esportiva, da Universidade do Futebol

Os clubes, de forma geral, e aí coloco todos no mesmo barco, são clubes que estão num ambiente de transição do futebol brasileiro. Alguns estão correndo atrás com mais velocidade, e aí acho que tem de dar mérito ao Corinthians, que até certo tempo atrás não tinha nem centro de treinamento. A construção da infraestrutura do clube é uma coisa relativamente recente, em comparação ao São Paulo.

Essa questão de infraestrutura, que é um dos elementos para um boa gestão, os clubes entenderam perfeitamente e estão correndo atrás. Antes era só investimento em jogadores. Agora, em que falta os clubes brasileiros investirem? Em gestão.

Por exemplo, o Corinthians encontrou uma solução no marketing inteligente, está buscando uma solução inteligente na gestão técnica. Não é nenhuma maravilha e nenhum clube brasileiro você pode dizer que é um modelo de gestão, mas o São Paulo está ainda buscando essa solução.

Qual o problema que vejo em termos de gestão? Ela passa por três dimensões: as questões administrativa, técnica e política. Os clubes não perceberam ainda que é necessária uma perfeita afinidade entre essas três dimensões. A visão que o dirigente tem do futebol é de torcedor, não há gestão técnica no país, não há formação nessa área como existe em alguns países da Europa.

Essa dimensão técnica, política e administrativa tem de fluir juntas, e não é. O poder político muitas vezes é dissociado da gestão aministrativa e essas duas, da gestão técnica. Não tem cabimento mais um clube contratar treinador só pelo histórico de resultados dele, sem entender sua filosofia, se tem liderança, se vai conduzir o processo de acordo com a filosofia de futebol que o clube deseja.

Mas por que não existe isso hoje? Porque não existe essa filosofia nos clubes. A visão que os dirigentes vão dar é a visão de torcedor, uma ou outra um pouco melhorada, com alguns presidentes que entendem um pouco mais da coisa, mas não há uma política que seja institucional do clube para que você possa fazer um planejamento que extrapole o curto prazo. Poucos são os que fazem isso.

Essa questão impacta nesses desastres que a gente vê acontecer. E a grande maioria está exposta a esse cenário, talvez por falta de compreensão e investimento nessa área de gestão.

O melhor dos mundos seria uma mudança para os clubes contratarem um gestor profissional, mas, na ausência desse modelo jurídico, basta o dirigente apostar no modelo atual. Muitos clubes já apostam e têm executivos de futebol. Alguns são quase um supervisor à antiga, sem poder, porque o poder ficar muito na política. Mas se o dirigente for sensível e tiver poder suficiente para blindar um trabalho profissional, é possível fazer nesse modelo jurídico. O Barcelona não tem esse modelo jurídico dos brasileiros? Tem. Eles possuem lá os seus problemas, mas conseguem dar coordenação melhor e compatível com o futebol altamente competitivo de hoje.


Fernando Trevisan
Especialista em gestão esportiva, da Escola Trevisan de Negócios

Concordo 100% com a análise do Rogério. Parece que o São Paulo deitou na cama da fama e não acompanhou o rápido movimento de profissionalização que o futebol brasileiro estava iniciando principalmente nos últimos cinco anos. Em tese, as receitas aumentaram em praticamente todos os clubes, inclusive no São Paulo, mas eles não souberam transformar isso em valor de longo prazo, melhorando a qualidade de sua gestão interna.

De fato, essa distância tem ficado cada vez mais clara do modelo de gestão do São Paulo em relação aos dos outros clubes, principalmente, dos rivais da mesma cidade.

O ponto principal é tentar realmente manter o técnico por um período mais longo. Não sei se obrigatoriamente precisaria ter uma comissão técnica fixa, mas fazer acordos de longo prazo e trabalhar melhor a seleção do treinador. Não dá para identificar três, seis meses depois que aquele não era o profissional adequado para o clube. O processo de seleção do treinador tem de ser mais criterioso, mais bem feito, para evitar mudar em seguida.

Claramente, foi uma mudança muito grande que aconteceu. De um técnico que estava bastante tempo no clube e, de repente, uma série de técnicos são contratos sem dar certo. Isso é mais uma consequência de uma parada no tempo do São Paulo em seu modelo de gestão, não profissionalizando também essa questão da contratação da figura-chave que é o treinador.