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11/02/2015
11:06

Como medalhista olímpico e vice-presidente da Comissão de Atletas da FINA, fui convidado para comentar os recentes casos de doping envolvendo a natação. Segundo um levantamento de um jornal de São Paulo, 30 nadadores brasileiros foram pegos usando algum tipo de substância proibida nos últimos 15 anos. Já me manisfestei nesse espaço anteriormente para falar que o doping é um problema diretamente relacionado com o esporte e por assim ser é uma preocupação constante de todas as modalidades.

Tanto o COB, como a CBDA, vêm trabalhando bastante com os atletas esse tema. A Agência Mundial Antidoping - Wada é muito clara ao afirmar que o atleta é responsável por tudo que ingere, então devemos estar cientes de que as escolhas que fizermos irão afetar diretamente nossa vida e ninguém irá dividir o peso ou a culpa com a gente. Os casos e os números servirão de alerta aos outros atletas e com certeza o cuidado irá redobrar.

As razões para consumo de substâncias proibidas podem ser diversas e os dados não fazem distinção de causa ou justificativa. O mais comum dos casos no esporte é o chamado doping acidental, que ocorre por ingestão de medicamentos comuns que são consumidos em situações corriqueiras do dia a dia. Ele pode ocorrer por serem medicamentos que não exigem receita médica para serem comprados ou até mesmo pelo atleta se consultar com algum médico que não tenha conhecimento ou não se atualize constantemente sobre a lista de substâncias proibidas (vale lembrar que a lista é alterada anualmente).

Um grande exemplo é um famoso analgésico bastante consumido no Brasil conhecido pelo nome comercial de Neosaldina, que por conter em sua fórmula isometepteno, uma substância estimulante, passou a ser proibido.

Além disso muitos atletas utilizam suplementos manipulados em farmácia, que podem sofrer um risco de contaminação durante o processo de manipulação.

Claro que alguns casos são intencionais e se justificam na vontade de melhorar a performance e antecipar um resultado que os treinos não estão sendo capaz de fazer o atleta alcançar, mas não acho que esse fator seja o predominante, principalmente no Brasil.