icons.title signature.placeholder LANCEPRESS!
18/02/2015
07:00

Olá pessoal. Não sei se vocês têm acompanhado, mas a vela paralímpica acabou de ser excluída dos Jogos Paralímpicos de 2020, que serão realizados em Tóquio (JAP). Pode parecer só uma notícia lamentável ou pior, um descaso da Federação Internacional de Vela (ISAF), mas é muito mais grave do que isto.

A vela parou no tempo, em termos de evolução como produto esportivo. Durante os últimos 20 anos, foram trocadas quase todas as classes olímpicas de regata, foram alterados radicalmente os formatos de pontuação e os percursos, a duração das regatas foi reduzida e as regras foram mudadas, ou seja, mutilaram o original esporte da vela, na incansável busca por um formato ideal que gerasse interesse na mídia... Só dando risada. O tênis e o golfe (um esporte que acabou de se tornar olímpico) têm seus DNAs inalterados a décadas, e são um sucesso.

O que a ISAF reclama é que a maioria das regatas dá prejuízo... Claro que sim... Quem vai comprar um produto que não existe??? Parem de mudar a modalidade e invistam em VISIBILIDADE!

Só criticar não é construtivo, então aqui estão três  sugestões:

– Primeiro: investir nos atletas e formar ídolos. Eu, por exemplo, se não tem Rafael Nadal, Roger Federer, Andy Murray ou Novak Djokovic, não tenho muito interesse em assistir às partidas de tênis (com a saída da classe Star dos Jogos Olímpicos, a ISAF aniquilou este item).

– Segundo: investir pesado nas transmissões das provas via internet e, em um segundo passo, via televisão (a vela está entre os três últimos esportes olímpicos em termos de interesse do público).

– Terceiro: unificar em um campeonato no fim do ano os melhores de cada classe para que se tenha o melhor do mundo, e não dez campeões de dez classes diferentes.

A SSL, a Star Sailors League, que hoje tem um circuito próprio e é disputada na classe Star, é um embrião deste projeto e contempla todas as soluções que coloquei acima. No entanto, por ser uma entidade independente, a ISAF é contra... Aí, fica difícil!

Se nada for feito no caminho certo, minha aposta seria a vela excluída dos Jogos Olímpicos de 2028. Parece muito distante esta previsão, mas não é. Seria uma pena ver um dos esportes que mais deu medalhas ao Brasil fora das Olimpíadas. Mas é a realidade e, neste cenário atual, isso vai acontecer.

Enquanto for administrada como um esporte e não como entretenimento, a modalidade irá definhar e tem seus dias contados como um esporte olímpico.

Não sou o mensageiro do apocalipse, mas estou muito preocupado com os rumos do esporte que já deu tantas alegrias para todos nós.

Até a próxima edição de março!

Bons ventos!

*Bruno Prada é tricampeão mundial e medalhista olímpico na classe Star ao lado de Robert Scheidt, e compete atualmente na classe Finn