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22/11/2013
10:06

O jornalista Geneton Moraes Neto é o autor do livro/documentário “Dossiê 50: Comício a Favor dos Náufragos”, no qual relata depoimentos dos onze titulares da Seleção Brasileira na final da Copa de 1950 e, como cereja do bolo, traz também um depoimento revelador do ex-ponta direita e carrasco Ghiggia.

Por causa do encontro com o uruguaio e as revelações feitas, Geneton não vê com estranheza o que Ghiggia contou ao LANCE!Net, dizendo ser torcedor do Brasil. Como está relatado nas obras do jornalista brasileiro, o ex-jogador sempre se preocupou em ter o máximo respeito pelos vizinhos, que, ainda rivais, nunca deixaram de ser amigos.

CONFIRA O RELATO DE GENETON MORAES NETO AO L!NET:

A longa entrevista que fiz com Ghiggia, em Montevidéo, teve momentos que me emocionaram. Exemplo: quando ele disse que tinha ouvido “muito poucas” vezes a gravação do gol que marcou no dia 16 de julho de 1950, no Maracanã. Motivo: toda vez que ouve a narração radiofônica, fica emocionado. A mulher de Ghiggia resolveu, então, “proibi-lo” de ouvir a narração, para que o coração octogenário do craque não bata descompassado.

Um momento marcante, para mim, foi quando ele disse que era verdade a lenda que corre até hoje: quando se encontrava com os jogadores brasileiros, evitava falar daquele julho de 1950. Perguntei por quê. E Ghiggia respondeu: preferia não falar de futebol com os brasileiros em sinal de “respeito” a eles. Eis aí uma bela atitude do nosso “carrasco”. Não queria dar a impressão de que estava tripudiando com a dor brasileira. Assim, não parece exagerada a declaração de Ghiggia de que se considera torcedor do Brasil.

Quando Ghiggia vier ao Brasil – agora em dezembro para o sorteio das chaves e, certamente, para a Copa do Mundo de 2014 – deve receber todas as homenagens. São merecidas. Ghiggia sempre falou do Brasil com carinho, respeito e admiração. Faz poucos dias, participei de uma edição do programa Redação Sportv para falar sobre o livro e o documentário Dossiê 50. Minutos depois, no Twitter, um telespectador fez uma bela sugestão: disse que a homenagem aos vice-campeões mundiais de 1950 estaria completa se, num jogo da Seleção, na Copa, a torcida repetisse em voz a alta os nomes dos jogadores que deram ao Brasil o vice-campeonato mundial: Barbosa, Augusto, Juvenal, Bauer, Danilo, Bigode, Friaça, Zizinho, Ademir, Jair e Chico. A homenagem estaria completa se, ao lado dos onze, a torcida gritasse o nome do craque que venceu os brasileiros mas se tornou amigo e torcedor do Brasil: Ghiggia.