icons.title signature.placeholder Felipe Bolguese
11/06/2014
07:30

O sinal tocou e as crianças correram animadas para fora da sala. Era hora da merenda. Há um mês, chegaram as novas mesas do refeitório da Escola de Santo André, vila de cerca de 800 habitantes em Santa Cruz Cabrália, no sul da Bahia, que recebe a seleção da Alemanha na Copa. Houve época em que não havia quase nada a colocar nos pratos, mas graças a proprietários ricos e donos de comércio na região, a escola tem sobrevivido.

Nesta quarta-feira à tarde, o local vai receber membros da delegação alemã, que estão hospedados em um luxuoso complexo a poucos quilômetros de distância. Os jogadores são esperados. Há algumas semanas, os cerca de 100 alunos da primeira à quarta série que estudam lá mergulham a cabeça na Copa e na expectativa de ter contato com os estrangeiros. Na escola, desenhos com bandeiras do Brasil e da Alemanha estão espalhados pelas paredes. Eles prepararam coreografia, apresentação de capoeira e vão cantar o hino nacional para os visitantes.

Móveis novos no pequeno refeitório da Escola de Santo André (Foto: Felipe Bolguese)

- Os jogadores da Alemanha são lindos! Eu já tenho as bandeiras do Brasil e da Alemanha em casa. Você conhece os jogadores? - disse Luiza, de sete anos, concordando que tinha jeito para jornalista (ela não parava de perguntar).

- Eu conheço o Neymar! Da Alemanha, o Ozil! Mas o Brasil vai ganhar a Copa, não vai ter para a Alemanha, não - afirmou o garoto Kaíque.

A escola tem um pequeno jardim que serve como pátio e ainda carece de estrutura. Há a promessa de que sejam comprados materiais escolares e móveis pelos empresários alemães que atuaram em conjunto da Federação Alemã de Futebol para a construção do "Campo Bahia", complexo de 14 casas e um campo de futebol com academia.

- Quem mais ajuda a escola é mesmo a comunidade. A ONG IASA, que fica a alguns metros daqui, também já ajudou muito. A prefeitura (de Santa Cruz de Cabrália) não faz tanto, não - afirmou a secretária da escola, Elisabete Lúcia da Luz.

Uma das professoras lamentava que diversas crianças haviam faltado à aula na última segunda, quando a Alemanha promoveu um treino aberto para o público na parte da manhã. Mas as crianças, que se limitam a pular corda e a jogar amarelinha nos recreios, mereciam matar aula uma vez. Alguns dos pais trabalham ou trabalharam nos locais utilizados pelos germânicos. A Copa, que trouxe visibilidade à região, também dá uma ponta de esperança de futuro na vida escolar de Santo André. Nem que seja uma momentânea fuga da realidade.

Desenhos na escola homenageiam seleção da Alemanha (Foto: Felipe Bolguese)