icons.title signature.placeholder Raphael Martins
19/03/2014
12:00

Ao contrário do que ocorre na Argentina, dirigentes e políticos colombianos parecem estar mais interessados em conter a escalada de violência ligada ao futebol no país. Em entrevista ao LANCE!Net, Juan Diego Elejalde, chefe de segurança do Atlético Nacional, um dos clubes com mais torcedores envolvidos em episódios violentos, afirmou que a sequência de mortes ocorrida no segundo semestre do ano passado soou o alerta de que algo precisava ser feito.

- As três mortes na última semana de setembro representaram o ponto mais crítico. O confronto na estação de ônibus foi planejado por redes sociais - contou Elejalde ao falar sobre o caso que culminou com a morte de Carlos Andrés Medellín, antes de uma partida entre Atlético Nacional e Millonarios.

Na Colômbia, cada clube possui um encarregado da área de segurança. O trabalho destes profissionais é de inteligência. Antes dos jogos há reuniões entre estes profissionais e as autoridades policiais. A intenção é traçar estratégias para proteger os torcedores que viajam e evitar que os violentos se enfrentem.

- Fazemos reuniões periódicas com torcedores de todos os clubes, sem restrições. A polícia passou a fazer a escolta destes torcedores, ida e volta. As mortes do ano passado fizeram o estado implantar um Protocolo Nacional. Tanto é a assim que a Polícia Nacional passou a ficar em estado de viglância permanente - disse Elejalde, que é contra à medida de impedir os torcedores visitantes de ir aos estádios.

- É algo que representa a falência total do estado. É como assinar um atestado de incompetência - diz, taxativo.

Mesmo assim, tantas medidas não são suficientes para acabar de vez com o risco de confrontos entre torcidas rivais. Segundo Elejalde, os grupos são muito bem organizados. Isso preocupa muito os dirigentes colombianos.

- As brigas, geralmente, ocorrem em locais específicos, distantes dos estádios. Esses grupos são muito organizados, possuem capacidade financeira para alugar ônibus, comprar passagens aéreas. Tudo sem a contribuição dos dirigentes. Estes, ao contrário, passaram a ficar preocupados com a escalada de violência. Afinal, ela começou em um momento em que o público voltou aos estádios e a seleção está indo bem à nível internacional - afirmou.

Segundo o especialista, a revolta com as desigualdades sociais e a desesperança das gerações mais novas são a raiz para o aumento da violência ligada ao futebol.

- Na Colômbia, atualmente, há uma imensa agitação social. Há uma insatisfação de uma enorme quantidade de jovens desempregados e sem perspectivas. O futebol acabou sendo o catalizador de toda esta insatisfação, que explode na forma de violência contra torcedores rivais - afirma Elejalde.

Assim como a luta contra as desigualdades sociais, a contenção da violência no futebol colombiano parece ser um trabalho bastante difícil. Os colombianos estão, definitivamente, em um momento crucial de sua luta.

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