icons.title signature.placeholder João Matheus Ferreira e Roberto Veloso
28/11/2014
06:00

Se somar a primeira e a segunda passagem, Rodrigo Caetano conviveu em quatro dos últimos seis anos no Vasco. Neste período, talvez poucas pessoas tenham participado mais do dia a dia do clube. Entre erros e acertos, ele se despede novamente do clube com mais um acesso à Série A, ainda que diante de campanha muito inferior à de 2009.

Na noite da última quinta-feira, no dia que foi confirmado oficialmente o desligamento do Cruz-Maltino, o dirigente recebeu a reportagem do LANCE!Net, no CFZ, e fez um balanço sobre esta nova passagem. Admitiu que montou um elenco “diferente” do perfil da Série B, mas ressaltou o trabalho conduzido na temporada e garantiu que a próxima gestão, de Eurico Miranda, terá um legado já iniciado.

ANÁLISE DA TEMPORADA
"Quando fui convidado para vir, o objetivo era participar de uma remontagem de um time para levar o Vasco à Série A. Foi alcançado. Mas tínhamos como meta conquistar a Série B e também o Carioca. E o Estadual foi até mais frustrante, principalmente da forma como foi, porque nos foi tirado. Sabia que seria um ano duro, mas aos poucos montamos uma equipe que se não foi a dos sonhos do torcedor, nos representou bem e deu o acesso. Na parte administrativa, reduzimos a folha pela metade e vamos entregar com uma brecha boa no orçamento para a gestão que vai assumir."

ERROS E ACERTOS
"Daquilo que foi possível, fizemos a montagem do elenco com nomes consagrados e conseguimos nosso objetivo. A sobrevivência financeira foi muito pelas pessoas que aqui trabalharam nesse período. Ercolino de Luca (vice de futebol), Cristiano Koehler (diretor geral), foram fundamentais. Acho que talvez o que tenha faltado é uma equipe com perfil diferente para a Série B. Formamos um time altamente técnico que enfrentou problemas por ser um campeonato diferente. Tem algumas coisas a serem corrigidas, mas estou fazendo a transição com o José Luis Moreira, que é meu amigo."

VAIAS E DIFICULDADE NO ACESSO
"Primeiro que o Vasco ficou 28 rodadas em 38 no G4, sendo que muitas vezes foi vice-líder. Mas é claro que tínhamos que estar mais na frente, buscar o primeiro lugar. Isso não é justificativa. Sobre as vaias, acredito que esse espírito do torcedor está relacionado a uma segunda queda em cinco anos. A manifestação após o jogo é legítima. O que não concordo é com o conteúdo e com xingamentos."

SAÍDA DE ADILSON BATISTA
"Aquele jogo com o Avaí foi um ponto fora da curva. Perder daquele jeito em casa... O que muitas vezes foi mal interpretado é que falaram que eu poderia ser contra A, B ou C. Na verdade, sou contra mudança de técnico. Acredito que tudo se resolve com correção interna, diálogos. Mas o Adilson tomou aquela decisão que não invalida a participação dele. Em relação ao Joel, a chegada sempre surge de alguém, mas quem contrata é o clube e ele foi um nome de consenso entre todos nós."

JOEL SANTANA
"É aquela situação. A ideia sempre surge de alguém, mas quem contrata é o clube. O Joel foi um nome de consenso, da mesma forma como foi assim na manutenção do Adilson no meio do ano. Não quero personalizar a escolha de ninguém, assim como a opção pelos jogadores foi de toda a diretoria."

VAZAMENTO DE VÍDEOS
"Que eu tenha identificado, não. Houve um desconforto, claro, por ter sido algo que fugiu dos padrões, daquilo que pregamos e determinamos. Mas todos os jogadores tiveram a devida cobrança e não fizemos questão de identificar os culpados. Viramos a página, pois o compromisso maior era subir. Foi um caso isolado e considero muito pouco para praticamente 12 meses de trabalho ao longo da temporada."

REUNIÃO COM EURICO
"Todos sabem que tive algumas situações que se tornaram públicas de consultas ao longo do ano. Tive até chance de sair do Vasco porque não tenho multa com o clube, mas meu compromisso era terminar o que foi iniciado, recolocar o time na Série A. Quando houve a definição política, aguardei o contato. Agora, o clube vai enfrentar outra realidade e aí foi questão de escolha. Portanto, foi acordada a minha saída e vou começar a pensar no meu futuro em breve. Tenho excelente relação com o José Luis Moreira, conheço alguns que estão entrandol e tenho respeito pelo Eurico, algo que sei que é recíproco."

TRANSIÇÃO
"É evidente que estou passando todas as informações a eles. Minha obrigação é passar o diagnóstico e tudo o que estou falando será considerado por eles. Tenho conversado diariamente com o José Luis Moreira, que é umamigo, e passado todas as informações necessárias. Da mesma forma que muitos jogadores encerram contrato no fim do ano, outros tantos nós renovamos e ampliamos os vínculos, principalmente os mais jovens. Esse ativo fica no clube. Divisão de base trabalhou muito bem nesse período e temos de enaltecer. Estamos conversando muito e acredito que algum legado ficou."

RELAÇÃO COM A TORCIDA
"No Grêmio, até por conta da minha infação, onde fui atleta e frequentei o clube, a relação também é muito boa e estreita com os torcedores. Em relação ao Vasco, me identifico muito mais porque em todos os momentos de dificuldades recentes eu estava aqui. Fui chamado para trabalhar duas vezes e consegui o acesso. Além disso, teve título inédito de Copa do Brasil, vice brasileiro, boas campanhas, como na Sul-Americana. Acho que quanto mais o torcedor está sofrido, mais carece de profissionais e jogadores que se identifiquem. Por onde eu passo tenho bom relacionamento, carinho e gratidão com os torcedores. Eles percebem meu comprometimento elevado. Isso me deixa muito feliz."

ATÉ BREVE
"É difícil projetar o futuro, mas o Vasco é um clube que me acolheu duas vezes e deu visibilidade e reconhecimento. Agora vou seguir meu caminho e mantenho respeito por todos aqui de dentro. Só espero que se um dia acontecer essa volta, seja como foi em 2009 e 2014."