icons.title signature.placeholder Bruno Cassucci, Gabriel Carneiro e Russel Dias
04/11/2014
07:04

Para passar pelo Cruzeiro, nesta quarta-feira, às 22 horas, na Vila Belmiro, e assim avançar à final da Copa do Brasil, o Santos precisará marcar dois gols – isso no cenário ideal. E, para buscar o resultado, Enderson Moreira terá um ataque formado pela ousadia e os dribles de Gabriel e Robinho e a raça de quem já encarou, na vida e nos campos, muitas adversidades.

Rildo perdeu o pai antes de se profissionalizar no futebol e, como foi criado em família humilde, precisou se desdobrar em dois empregos para manter o sonho de ser atleta. Aos 18 anos, ele trabalhava como entregador de panfletos durante o dia e, à noite, entregava as pizzas que havia divulgado mais cedo. Aliado aos empregos, o então jogador da várzea paulistana achava tempo para ser protagonista nos jogos de bairro aos fins de semana.

Mas aí apareceram o “Zoreia” e o “Pitico”, que ajudaram a mudar os rumos dessa história de luta.

– O Zoreia insistiu muito para eu ir ver o Rildo jogar, aí fui em um clássico das oitavas de final da Copa Kaiser e ele arrebentou. Depois o Fernandópolis abriu as portas e ele seguiu a carreira – relembra Pitico, primeiro empresário, amigo e conselheiro do atacante do Santos.

– Lembra quando ele brigou com o Enderson? Me ligou cinco minutos depois, arrependido, mas sem coragem de pedir desculpa. Fui conversar e explicar ao Enderson que o Rildo cresceu em um lugar com influências ruins. Ele era agressivo, briguento, mas hoje mudou a personalidade. Ele está se tornando um grande homem – fala.

De entregador de pizza aos 18 anos a atacante titular do Santos aos 25, Rildo passou por Ferroviária, Vitória e Ponte no meio do caminho. Ter papel importante amanhã, contra o Cruzeiro, pode ser fundamental para os próximos capítulos serem ainda mais bonitos.

BATE-BOLA com PITICO
Descobridor de Rildo, ao LANCE!Net:

O mentor Pitico e Rildo durante assinatura com o Santos (Foto: Acervo Pessoal)

Como descobriu o Rildo?
Conheço ele desde pequeno, mas ele mudou de bairro e passou um tempo. Aí um amigo insistiu para eu ir vê-lo jogar, fui em um clássico da Copa Kaiser e estranhei que ninguém tinha visto aquele talento jogando! Como era amigo do ex-presidente do Fernandópolis, eu o indiquei. Depois ele seguiu por Ferroviária, Vitória, Ponte Preta e agora o Santos.

Como ele era quando jovem?
Ele convivia em lugar não muito bom, com pessoas não muito boas, embora ele tivesse cabeça focada, o convívio era complicado. Ele sempre foi muito determinado, não esperava as coisas chegarem, mas batalhava por tudo.

Como ele tende a se comportar em jogos decisivos como esse?
Na várzea ele entrava em campo com os torcedores da pior laia o acompanhando e não tremia. Cara feia não assusta ele, não. Ele cresce.

O gênio forte é um problema?
Não chamo mais ele de Riberildo por causa da feiúra, mas de Rildotelli por causa do pavio curto. Está mudando.

NUNCA FOI CAMPEÃO...

Com a Macaca, Rildo foi vice da Sul-americana, em 2013 (Foto: Ari Ferreira/LANCE!Press)

Rildo chegou a cinco finais de campeonato em sua curta carreira profissional. E, para seu azar, acumula cinco vices em todos os níveis: do estadual (duas edições do Campeonato Baiano, uma da Série A3 do Paulistão e a elite do Estadual de São Paulo ano passado, pelo Santos) ao continental (Sul-americana de 2013, pela Ponte Preta). O último foi o Paulistão de 2014, já pelo Santos, quando saiu do banco de reservas nos dois jogos contra o Ituano. Do segundo jogo, vencido pelo Peixe por 1 a 0 no tempo normal, ele ainda traz a má lembrança do pênalti perdido na derrota por 6 a 7. Naquele jogo, ele torceu o tornozelo.