icons.title signature.placeholder Igor Siqueira
25/02/2015
07:36

A detenção de 118 integrantes de torcidas organizadas de Fluminense e Vasco, que entraram em confronto no domingo de clássico, virou um recado claro de cerco da polícia carioca à violência no futebol. O “bonde” que tocou o terror foi enquadrado por formação de quadrilha, um aviso a quem quiser seguir o mau caminho da pancadaria e um exemplo a outros estados que vivem o mesmo drama com a violência entre torcidas.

– Quando a polícia tem elementos para autuar por formação de quadrilha, isso acontece. São levados em conta os antecedentes da torcida, se eles foram ao local recomendado antes do jogo ou não, se respeitaram o acordo prévio. Isso não aconteceu no domingo. Eles foram para a estação do Méier com a intenção de brigar. O crime ficou bem configurado – disse ao LANCE!Net o tenente-coronel João Fiorentini, comandante do Grupamento Especial de Policiamento de Estádios (Gepe), que acrescentou:

– Já tivemos a mesma postura, com a mesma delegada, em um episódio de dois anos atrás com membros de uma organizada do Fluminense que brigaram no trem.

Segundo Fiorentini, o esquema de trabalho executado pela polícia no Rio já está sendo exportado para outras praças.

– Há um intercâmbio entre as polícias. Nesta quarta-feira estou indo para Goiás, onde vou ministrar uma palestra sobre policiamento em eventos – contou Fiorentini.

Ano passado, o comandante do Gepe enviou uma proposta ao Ministério do Esporte, ainda na gestão Aldo Rebelo, para a criação de um encontro nacional das polícias. Segundo Fiorentini, o tema não foi descartado pelo novo ministro, George Hilton, que já se reuniu com lideranças das organizadas.

– A ideia está viva. Há um interesse, já que a violência é um problema nacional – completou.

POLÍCIA VÊ BENEFÍCIOS ÀS ORGANIZADAS COM DETENÇÕES

Na visão de João Fiorentini, a ação repressora da polícia contra os brigões é benéfica para o lado pacífico das torcidas organizadas.

– Facilita o trabalho da polícia e ajuda muito. Inclusive, é bom para a própria torcida organizada. Os membros que não se envolvem nas brigas cobram muito da polícia uma ação. É exigido deles o respeito aos horários, um comportamento adequado, e eles também querem que os brigões sejam presos. Há pessoas de bem nas organizadas. Não é porque é integrante que o cara é marginal – comentou o comandante do Gepe, que defende um cadastro mais amplo dos integrantes das facções:

– O ideal é que tenha cadastro. O Gepe faz, mas é voluntário. Não tenho como pegar todos os membros da organizada e cadastrar. É preciso melhorar o mecanismo.