icons.title signature.placeholder Marco Stamm
26/04/2014
14:26

Uma camisa usada pela comissão técnica da Seleção Brasileira na Copa de 1970, uma réplica da camisa uruguaia usada no Maracanazzo de 1950 autografada por Ghiggia, réplicas das principais camisas usadas por seleções em todas as Copas e milhares de uniformes de clubes foram expostos neste sábado no Maracanã durante o primeiro Encontro de Colecionadores de Camisas de Futebol no Rio de Janeiro, organizado por 40 aficcionados pelo esporte.

- É a maior exposição de camisas já realizada no Rio de Janeiro. Já foram feitas outras menores, em bares, mas nunca com essa mobilização e no Maracanã - explicou o colecionador Paulo Pires, um dos organizadores, que prometeu novos encontros.

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> Só relíquia! Veja como foi o encontro de colecionadores no Maraca

O evento foi aberto para 150 pessoas cadastradas previamente por email e também entrou na rota dos fãs que faziam o tour pelo Maraca. Eles viram, por exemplo, uma camisa original da comissão técnica da Seleção Brasileira usada na Copa de 1970. O jornalista e colecionador Marcelo Monteiro, explicou que conseguiu o exemplar de uma pessoa que participou da campanha.

- É uma camisa usada pela comissão técnica, pode ter sido usada pelo Zagalo ou talvez por um massagista. Ela é igual à camisa usada pelos jogadores, só que não é amarela, é azul. Se você olhar as imagens daquela época, vai reconhecê-la - explicou Monteiro, acrescentando que deixou em casa uma camisa de jogo usada pelo lateral-esquerdo Marco Antônio.

Monteiro ainda presenteou o público com uma camisa original da Espanha usada, em 1990, pelo meia Michel no amistoso em que a Fúria fez 3 a 0 no Brasil. Também mostrou uma camisa do camaronês Wome, usada na Copa de 1998 na França.

As estratégias para conseguir as relíquias são muitas. São usadas pesquisas na internet, compras em brechós e até pedidos feitos na "cara de pau". Mas em todos os casos a criatividade é fator primordial. Foi nisso que o jornalista Paulo Marcelo se apegou para conseguir um autógrafo de Ghiggia, carrasco brasileiro na Copa de 1950.

- Eu soube que meu amigo Geneton Moares Neto ia ao Uruguai entrevistar o Ghiggia para um documetário sobre a Copa de 1950 e comprei duas réplicas da camisa uruguia usada em 50. Pedi ao Geneton que desse uma de presente ao Ghiggia e que me trouxesse a outra com um autógrafo. Fui assim que a consegui - explicou.

CLUBES

O autógrafo é muito estimado por Paulo Marcelo, mas não mais do que um elogio que o uruguaio fez ao Botafogo.

- Junto com a camisa mandei um chaveiro do Fogão. O Ghiggia gostou e disse que se tratava de um time muito bom. Isso é mais importante para mim - brincou.

A coleção de camisas do jornalista começou por conta da paixão pelo time de General Severiano. Ele tem preciosidades de dar inveja a qualquer botafoguense. Uma das camisas mais antigas é de 1969, usada pelo zagueiro Moisés Xerife.

- Essa eu ganhei do pai do Moisés numa visita que fiz à casa dele. Quando eu cheguei, o pai do Moisés, já sabendo da minha paixão pelas camisas do Botafogo, disse que me daria um presente antes que o Moisés chegasse, para que o jogador não ficasse bravo. Depois de um tempo, ele me viu com a camisa e disse que era dele. Eu expliquei que a ganhei do pai dele e ele me respondeu dizendo que estava em boas mãos.

O colecionador Alex Santana viajou de Santos (SP) até o Rio para participar do encontro. Trouxe cerca de 200 camisas na bagagem, entre elas uma do Werder Bremen usada pelo brasileiro Diego.

- Eu vi um guardador de carro usando a camisa e ele me disse que ganhou do Diego. Pedi a camisa, ele me vendeu e ainda assinou o nome dele. É uma camisa muito importante na minha coleção - declarou.

Aos fãs que faziam o tour no Maracanã, a exposição foi um brinde no meio do passeio. A cuiabana Cristiane Fragerri, que gosta de futebol e que está empolgada com a Copa no Pantanal, aprovou a iniciativa.

- Tudo muito bacana. Tomara que tennham outras dessas e que passem por Cuiabá - finalizou.