icons.title signature.placeholder Marcello Vieira
22/04/2014
07:03

O Fluminense foi o responsável pelo maior público presente na primeira rodada do Campeonato Brasileiro. Mais de 35 mil pessoas compareceram na vitória por 3 a 0 sobre o Figueirense, no sábado. O grande motivo para o sucesso de bilheteria não poderia ser outro senão o preço dos ingressos. No entanto, se engana quem pensa que os R$ 10 cobrados nos setores atrás dos gols tenham sido parte de uma promoção. Em entrevista exclusiva ao LANCE!Net, o gerente de arenas do Tricolor, Carlos Eduardo Moura, garantiu que as entradas mais em conta fazem parte de uma estratégia de fidelização do público, que irá continuar.

– Esta estratégia foi definida com total empenho do presidente Peter Siemsen e em comum acordo com a diretoria do clube. O Fluminense entendeu que mais importante do que o valor final publicado nos borderôs dos jogos como receita é a imagem passada pelo clube. Queremos que os torcedores estejam sempre presentes nos nossos jogos como se fosse um compromisso. Para muitos, não existe a missa de domingo? Os jogos de quarta e domingo do Fluminense, com estes preços mais em conta, também se tornarão um evento necessário para os torcedores. Com isso, teremos a imagem de um clube que sempre lota o estádio – explicou o dirigente do Flu.

Durante o Campeonato Carioca, o vice de futebol do Fluminense, Ricardo Tenório, também em entrevista exclusiva ao LANCE!Net, afirmou que o Tricolor se posiciona de forma contrária ao processo de elitização do futebol brasileiro. Com preços mais baratos que os rivais na competição estadual, o Fluminense teve a melhor média de público.

No Campeonato Brasileiro, a estratégia será ainda mais agressiva. Foram definidos três níveis de preço. A diretoria do Flu pretende colocar clássicos a R$ 30. Jogos contra equipes de São Paulo, Minas Gerais e possivelmente Rio Grande do Sul valerão R$ 20. Os demais jogos seguirão custando R$ 10. Cabe salientar que esta é uma garantia para os jogos disputados no Maracanã.

– Queremos resgatar um público que abandonou o futebol para outros tipos de entretenimento e convencer o torcedor do pay-per-view que é muito melhor ir ao estádio – garantiu Carlos Eduardo.

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Sem chantagem com associados

Ao cobrar um preço baixo nas entradas, o Fluminense poderia estar tirando um dos grandes atrativos do programa sócio-torcedor. No entanto, Carlos Eduardo Moura entende que esta leitura seria equivocada. Para ele, quanto mais pessoas forem aos jogos, melhor fica para captar novos sócios e manter os atuais associados ativos:

– Existem duas formas de trabalhar com os sócios. Uma é a chantagem. Você pode colocar o preço altíssimo e mostrar para o torcedor que compensa se associar pelo bolso. O problema dessa prática é que se o time vai mal, todo mundo embora, até como uma forma de reprimenda, abandona o programa. A outra forma, que é a que utilizamos, é você trazer o torcedor ao estádio e lá mostrar que existem várias outras vantagens para que ele se associe como prioridade de compra, compra antecipada, não tem necessidade de enfrentar filas, pode frequentar o clube em algumas áreas, participar de promoções, entre outras iniciativas.

Política de preços oposta à do Flamengo

A política do Fluminense de cobrar preços populares caminha na contramão dos valores que têm sido praticados pela diretoria do Flamengo nos jogos como mandante. De acordo com o gerente de arenas do Flu, Carlos Eduardo Moura, o Tricolor pode ter maior facilidade para definir os preços mais baixos por causa do contrato que acertou com o Consórcio Maracanã S.A. no meio do ano passado.

– Para explicar isso eu vou fazer um paralelo. Você daria mais vantagens para um clube que acerta um contrato de 35 anos ou para outro que renova a cada seis meses? Temos que lembrar que esse contrato fechado com o Fluminense deu a vitória da licitação ao consórcio atual. Enquanto o contrato do Flu permite que o clube ganhe no longo prazo e possa cobrar preços mais baixos, o do Flamengo é o oposto. Faz com que o clube ganhe muito em jogos pontuais. Eu não conheço a fundo o contrato do Flamengo. Só mesmo pelo que leio na imprensa, mas a partir disso, esta é minha leitura – disse.

Copa do Brasil seria exceção

A exceção dos preços estipulados pelo Fluminense no restante desta temporada pode ocorrer na Copa do Brasil. Embora tenham garantido que não cobrarão preços exorbitantes, os dirigentes assumiram que podem reajustar o valor em fases decisivas da competição. A justificativa para isto é que seriam jogos de exceção e rara oportunidade para captar um número maior de associados.

Ainda existe a possibilidade de uma eventual decisão da Copa do Brasil ser um clássico regional, o que aumentaria a demanda de público e diminuiria naturalmente a oferta. De toda forma, o preço mais alto seria no máximo o equivalente à final do Carioca: R$ 100.

O contrato do Fluminense

No meio do ano passado, o Fluminense acertou um contrato com o Consórcio Maracanã S.A. que praticamente não prevê custos para o clube nos jogos no estádio. O clube fica com a receita dos setores atrás dos gols. Já as áreas centrais, bares e restaurantes são administradas pelo consórcio. Este acordo permite que o Tricolor estabeleça um preço barato e ainda assim consiga ganhar dinheiro nos jogos.