icons.title signature.placeholder Fellipe Lucena e Thiago Ferri
28/11/2014
08:06

- Pago por isso até hoje, todos os dias. Essa conta não vence - lamenta Wlademir Pescarmona, candidato da oposição à presidência do Palmeiras, ao lembrar da polêmica entrevista em que detonou o elenco, seguida de uma bronca repleta de palavrões no vestiário após a eliminação para o Goiás na Sul-Americana de 2010.

Ele foi diretor de futebol por quatro meses, quando Salvador Hugo Palaia substituiu o enfermo Luiz Gonzaga Belluzzo e trocou toda a diretoria, em setembro de 2010. E o time foi mal. A imagem deixada não foi das melhores, mas o opositor diz ter amadurecido, a ponto de defender que Valdivia, desafeto naquele período, é imprescindível para o time.

Com o apoio de Belluzzo, promete gerar as receitas que Paulo Nobre não gerou e brigar pelos títulos que passaram longe nesta gestão. Ao L!Net, Pescarmona falou ainda sobre a briga com a WTorre, o interesse em Rodrigo Caetano para diretor-executivo e outros planos para os próximos dois anos, caso seja eleito. Os sócios do clube irão à urnas neste sábado, das 10h às 19h.

Pescarmona tem 64 anos e já foi diretor de esportes amadores (89-96), diretor administrativo (09-10) e diretor de futebol (10-11) (FOTO: Ale Cabral/LANCE!Press)

LANCE!Press: Você ficou pouco tempo como diretor de futebol, mas se envolveu em polêmicas. Arrepende-se da postura após a eliminação da Sul-Americana?
Pescarmona: Estávamos em uma situação complicadíssima quando assumi, com bichos e parte dos direitos de imagem atrasados. Fizemos um esforço enorme para colocar isso em dia, mas a gente sabia que três ou quatro não estavam se empenhando. Eu desci ao vestiário muito chateado, falei que era um elenco com salário europeu e futebol de Série B. E foi! O Goiás já estava rebaixado, então o futebol foi de Série B. Na sexta-feira, entrei no vestiário e realmente dei uma de torcedor. Mas eu aprendi. Tive uma experiência grande, passaram-se quatro anos... Acho que o presidente tem de passar todo dia na Academia para ver como as coisas estão, mas tem que ter uma equipe que lá trabalhe, que entre no vestiário. Minha participação lá tem que ser para assinar algum documento, tomar alguma decisão. Não como torcedor, e sim como dirigente. Mesmo porque vou despachar na Rua Turiassu (no clube social), porque lá é que o sócio está. Não adianta ficar na Academia ouvindo os puxa-sacos.

Valdivia era um dos atletas descomprometidos?
Ah, não sei.

Ele entrou em atrito com você pouco depois. Como foi?
Ele estava machucado e nós fizemos uma carta pedindo que não participasse de jogos beneficentes para evitar o agravamento. Ele achou que estávamos interferindo na vida pessoal dele, e não foi isso. Hoje ele é imprescindível e nós temos que contratar dois ou três jogadores de nível que tirem essa responsabilidade dele. Da mesma forma que eu amadureci, espero que ele tenha amadurecido. Se houver interesse mútuo, acho que a gente tem que fazer esforço para renovar o contrato (termina em agosto de 2015).

O salário dele está acima do teto estipulado por Nobre.
É a história da produtividade, que é muito interessante, desde que você avise aos outros clubes. No caso do Valdivia a gente pode colocar em prática. Ele já está com uma idade avançada (31 anos) e todo mundo conhece o histórico de lesões dele. É um cara que se enquadra nesse perfil. Vai de caso a caso.

Você afirma que tem um grupo de investidores disposto a bancar entre R$ 30 milhões e R$ 80 milhões em atletas. O que os atrai exatamente?
Quando aceitei o desafio, falei para o Belluzzo que precisava de um respaldo. Então ele se propôs a montar esse grupo de empresários que vai alavancar recursos no mercado. Com a arena, vamos ter um destaque muito grande, mas ela precisa estar lotada. Agora, tem a questão da novidade e todo mundo quer ir, mas como você mantém isso? Com um time de ponta. É isso que está atraindo esses empresários. A ideia é começar com R$ 30 milhões.

Você já definiu a função que cada vice-presidente terá se você for eleito?
O Belluzzo vai ser vice de relações institucionais. Abrir portas no governo, com grandes empresários, pelo nome que tem na praça... O Carlos Degon vai ficar no futebol para ter um aprendizado, é um jovem chegando com muita força. O João Gavioli vai me ajudar no social, e o César (Maluco) vai fazer o que eu sempre quis, que é o resgate do ídolo. O Palmeiras vai jogar em determinado lugar, então ele vai um dia antes, vai a uma creche, a uma escola... Basicamente é esse trabalho de relações públicas. Além disso, nós perdemos muita representatividade junto a FPF e CBF, somos motivo de chacota. Estamos estudando um nome, alguém que faça essa relação.

Rodrigo Caetano [que vai se desligar do Vasco] será mesmo o diretor-executivo de futebol?
Há outros nomes, mas nós começamos a conversar com o Rodrigo em maio. Ele tem um compromisso com o Vasco, por isso não queríamos falar. Lá na frente, quando vazou, a situação começou a falar nele. É muito estranho... Ele acha que esgotou o tempo dele no Rio, gostou demais do que apresentamos, e eu gostei demais dos métodos para captação de valores. Se eu estivesse na cadeira, fecharia com ele. Mas primeiro tenho que ganhar a eleição.

Quais os erros do Nobre que você não quer repetir?
Ele colocou R$ 150 milhões dele no clube para custeio, não para investimento. Esse foi o grande erro. Pegou uma dívida de curto prazo e alongou a dívida, o Palmeiras vai ter que pagar. O que ele poderia ter feito? Em abril de 2013, eu, Belluzzo e outros conselheiros apresentamos a ele o FDIC (Fundos de Direitos Creditórios), que é uma forma de empréstimo bancário com valor um pouquinho abaixo do mercado, num prazo de quatro, cinco anos. Seriam R$ 54 milhões para 2013 e R$ 54 milhões para 2014. Ele perdeu a grande oportunidade de pegar o dinheiro, conseguir a Certidão Negativa de Débito e pegar o patrocínio da Caixa. Já que ele tinha o dinheiro dele, a primeira coisa que tinha de fazer era obter a CND e pegar o dinheiro da Caixa. Em dois anos, seriam R$ 50 milhões. Se você começar a fazer as contas, vai ver que não tinha necessidade de colocar tanto dinheiro dele. Outro erro foi brigar com a WTorre.
Nota da redação: o Palmeiras obteve a CND, mas a negociação com a Caixa havia acabado.

Você tentaria um acordo?
Eu tentaria sair com as duas partes satisfeitas. Não que o Palmeiras tenha que abrir mão de seus direitos, ao contrário, mas ninguém coloca R$ 500 milhões (na verdade, R$ 630 milhões) no quintal da sua casa para não ter retorno. Além da AEG e da Allianz, eles conseguiram mais 11 empresas parceiras. O Palmeiras não conseguiu uma! O Nobre simplesmente comprou o Palmeiras com R$ 150 milhões. Então vamos para Dubai, chamar aquele xeque que comprou o Machester e ficar assistindo, desde que jogue de verde.

As torcidas organizadas voltarão a ter privilégios de alguma forma se você assumir?
Já conversei com eles, mas não tem auxílio nenhum. O que eles querem é ter direito de comprar ingresso como todo palmeirense, e vamos dar esse direito. Você não tem que criar categorias de torcedor, tem de dar oportunidade a todos. O que foi feito contra o Sport foi uma jogada eleitoreira. Existe a lei do consumidor, é preciso ter postos de venda, e ele estava vendendo só para o Avanti. Então ele abriu para os sócios. Nós temos que seguir o código do consumidor, abrir cinco, seis postos de venda e pronto. Qualquer coisa que saia disso, é coisa de polícia e Ministério Público. Nós temos que ter um relacionamento franco e aberto, com respeito. Não respeitou, não tem mais conversa. Você estabelece uma carga para o sócio-torcedor, e a outra carga para os postos de venda.
NR: Em vídeo que vazou na internet, Pescarmona aparece dizendo a membros da Pork's que não os abandonará de jeito algum.