icons.title signature.placeholder Fellipe Lucena e Thiago Ferri
26/11/2014
08:00

Sem ter conseguido um patrocinador master e com as cotas de televisão já comprometidas por gestões anteriores, Paulo Nobre viu como única saída para “manter a roda girando” no Palmeiras emprestar dinheiro ao clube. Em sua primeira gestão foram colocados, até agora, quase R$ 150 milhões. Para o dirigente, o clube não precisará de novos aportes em uma próxima gestão, embora ele não descarte repetir a manobra.

– A ideia é a mesma que tive no início da minha gestão. Nunca tive como plataforma de campanha falar que ia aportar dinheiro no clube. Em 2015 e 2016, o clube tem condições de andar com as próprias pernas. Mas se acontecer algo que seja necessário, não vou deixar a roda parar de rodar. Isto é fato – disse Nobre, ao LANCE!Net.

O presidente justifica que usou o dinheiro para pagar contas no clube, além de ter ajudado na compra de jogadores, como Leandro, e os argentinos (Allione, Cristaldo e Mouche). Curiosamente, ele admite que, caso não fizesse os empréstimos, repetiria aquilo que tanto criticou: adiantar receitas de gestões futuras.

Para agora findar os empréstimos, o mandatário aposta na volta de um patrocinador master – que não existiu em sua primeira gestão – e das cotas de TV, ainda adiantadas até o fim do Paulista de 2015.

A partir do Estadual, o novo presidente poderá movimentar 90% da receita do clube, pois 10% irá ao fundo para ressarcir os empréstimos que Nobre fez. Para a busca por uma empresa que estampe sua marca no uniforme alviverde, o dirigente promete ser mais maleável. Na primeira gestão, o desejo era receber em torno de R$ 25 milhões, mas as ofertas ficaram distantes.

– Tem que ser maleável, saber se adaptar a  como funciona o mercado, que como um todo depois da Copa ficou mais retraído. Vamos ver como será em 2015 – encerrou.

BATE-BOLA - PAULO NOBRE CANDIDATO DA SITUAÇÃO

Qual o objetivo de vocês para um novo mandato?
O clube precisa andar com as próprias pernas e não depender de ninguém para nunca mais chegar na situação absurda destes últimos tempos. Uma potência como o Palmeiras não pode passar por momentos de penúria como passou recentemente.

Quão diferente será a parte financeira em uma nova gestão?
A dívida hoje não está solucionada, mas conseguimos colocar em ordem. Tive 25% da receita de 2013, e 70% de 2014. Se somar as duas, não administra um ano.

Quando assumiu, a situação complicada o obrigou a dar atenção às finanças?
O Palmeiras não tinha dinheiro para absolutamente nada, estava em atraso com o elenco com luvas, imagem...não tinha escolha a ser feita. Tinha que subir, a roda não podia parar de rodar, mesmo sem ter dinheiro. Para fazer um arranha-céu, precisa de uma fundação tão grande quanto. Ou tem um crescimento sustentado ou vira um bolha, iludindo o torcedor. E isto eu, como presidente, não faço.

Só o patrocínio resolve o déficit mensal que o clube apresenta?
O déficit é de R$ 15 milhões, e um master para um time como o Palmeiras é mais do que isto, então estaria sem déficit. Ano passado nós geramos um déficit de R$ 20 milhões, mais ou menos um patrocinador master que não aconteceu. Mas você precisa gerar outras fontes de receita para não fechar no vermelho.

O que você faria se não pudesse emprestar os R$ 150 milhões?
Não sei. O problema do Palmeiras é muito grande, mas sua grandeza para solucionar os problemas é maior. Que caminho seria tomado se não pudesse ajudar o clube? Provavelmente faria o mesmo que outros gestores fizeram: adiantar receitas de gestões futuras.