icons.title signature.placeholder Fellipe Lucena e Thiago Ferri
25/11/2014
08:00

Paulo Nobre teve a responsabilidade de comandar o Palmeiras no ano de seu centenário, mas os resultados foram desapontadores. Mudanças no elenco e comissão técnica renderam ao time a ameaça de uma nova queda, faltando dois jogos para o fim do Brasileiro, e a constatação da necessidade de mudanças por parte do presidente, que no sábado tenta se reeleger por mais dois anos.

– Está tudo sendo muito bem planejado. Algumas mudanças vão acontecer. Eu não estarei mais à frente do futebol. O homem forte será um vice. Vou cuidar do clube como um todo – disse Nobre, ao LANCE!Net.

Centralizar as decisões foi uma das principais críticas sobre Nobre, especialmente em negociações tocadas por seus diretores e em que se envolveu de forma mais próxima no fim, como na saída de Alan Kardec. Apesar da nova postura, ele avisa que não dará carta branca a ninguém em sua nova diretoria.

Após brigar pelo título no Paulista, o Palmeiras ficou longe das taças no restante do centenário e acumulou fiascos. A diretoria quer usar este elenco como base, liberar jogadores em fim de contrato, e contratar em menor quantidade reforços mais caros e com mais qualidade. Após “organizar a casa” financeiramente, o dirigente se diz pronto para fazer o clube retomar seu DNA vencedor.

– O Palmeiras precisa ganhar título com frequência. Não podemos ser campeões apenas a cada 10 anos. Para isso, precisamos formar uma base. Entendo a ansiedade do torcedor, mas precisamos de pés no chão, organizar a casa – falou o candidato.

Uma “reforma” já prevista pela situação é a saída do diretor-executivo José Carlos Brunoro (Rodrigo Caetano é a opção para a vaga); e o gerente de futebol, Omar Feitosa, corre riscos. Maurício Galiotte, primeiro vice, ganhou espaço e tocou o futebol no fim da gestão. Isto deve seguir em 2015, caso Nobre se reeleja.

BATE-BOLA - PAULO NOBRE

Você terá algum dirigente na nova gestão com total liberdade?
Não darei carta branca para ninguém. A última palavra será minha. Mas quero mudar para melhor: no fim da gestão avaliaremos os profissionais e haverá uma auto-análise, também.

Concorda quando dizem que você é muito centralizador?
Isso é relativo. Eu tenho plena consciência de que a responsabilidade é minha. Se algum diretor tem uma ideia contrária, só precisa me convencer. Caso não me convençam, aí realmente eu não faço. Quem paga a conta no fim sou sempre eu.

O Palmeiras não deveria ter um banco de dados melhor, para não depender tanto da indicação de treinadores para contratar?
O scout já existe no Palmeiras, talvez ele precise ser melhorado. O Gareca quando indicou os jogadores foi muito claro: seu contrato era de um ano, mas dos jogadores eram de quatro ou cinco. Ele pediu para analisarmos bem. E todos foram avaliados por nosso departamento. Mas os resultados em campo mostram que temos de melhorar o planejamento.

Mas e jogadores como o Victorino, que ficou muito tempo no DM?
Victorino tinha sido curado de sua lesão, estava treinando no Cruzeiro, e quando veio lesionou a outra perna. A gente precisava de um zagueiro, ele é experiente. Mas vou me eximir da culpa do departamento. Não vou dizer que correu tudo bem e que tudo será como foi nesta gestão, pois mentiria.