icons.title signature.placeholder Bruno Cassucci
02/03/2014
08:10

Dossiês, trocas de acusações, ataques pessoais, investimento alto em campanha... A eleição presidencial do Santos, que acontece apenas no fim do ano, promete ser uma das mais agitadas da história do clube e, acredite, já começou nos bastidores, com reuniões, alianças e articulações.

Os principais grupos políticos do Peixe têm se movimentado. Almoços, jantares, telefonemas e encontros estão acontecendo com frequência a fim de definir a formação das chapas, que só devem ser anunciadas na época da Copa do Mundo – divulgar agora daria mais tempo para os rivais se prepararem. Mais do isso, os envolvidos selecionam armas contra seus oponentes. Já deduzindo quem serão os candidatos de cada lado, os grupos estão recolhendo materiais que podem comprometer ou denegrir a imagem dos futuros adversários.

A disputa eleitoral na Vila Belmiro será incomparavelmente mais agitada do que a última. Em 2011, em meio a títulos e a expectativa para o Mundial, Luis Alvaro Ribeiro enfrentou concorrência quase nula de Reinaldo Guerreiro e venceu o pleito com 87% dos votos.

Neste ano, a tendência é que haja três candidatos. Embora exista mais de uma dezena de correntes políticas, elas não tem recursos financeiros nem integrantes suficientes para formarem a chapa, que precisa ter mais de 200 sócios com mais de cinco anos de filiação para serem membros do Conselho Deliberativo. Neste cenário, vai ganhando força uma grande aliança entre grupos opositores, encabeçada pela Resgate Santista e a Terceira Via, com a ajuda de movimentos menores. Desta aliança, os nomes mais cotados para concorrerem à presidência são o ex-vereador santista Orlando Rollo e Fernando Silva, que foi o homem forte do futebol de 2010 ao fim de 2011.

Pelo lado da situação, liderada pelo grupo Eu Sou Santos, ainda paira a dúvida se o presidente em exercício Odílio Rodrigues tentará se reeleger (leia mais abaixo), mas outros candidatos são estudados. Francisco Cembranelli, membro do Comitê de Gestão, é o predileto internamente, mas não é um nome de consenso, nem ambiciona tanto o cargo.

Por fim, o último candidato tende a vir da família Teixeira, que já teve os presidentes Milton (1983-87) e Marcelo (1991 a 93 e 2000 a 2009). Mohamad Teixeira, irmão de Marcelo e filho de Milton, é o mais cotado.

Pressão e violência podem afastar Odílio

O presidente em exercício Odílio Rodrigues diz que não quer antecipar o processo eleitoral e por isso não responde se será candidato ou não. Pessoas próximas do dirigente dizem que ele tem a ambição de seguir no cargo e poderia buscar uma brecha no estatuto para tal.

Embora ele já tenha sido reeleito uma vez, número máximo permitido pelo estatuto, ele poderia alegar que nunca se candidatou a presidente, mas apenas vice. Caberia, então, à Comissão Eleitoral decidir se ele é elegível ou não.

Porém, a maioria do grupo situacionista Eu Sou Santos não é favorável à permanência de Odílio e vai pressioná-lo a não se candidatar. Além disso, as agressões sofridas depois do último clássico contra o Corinthians e todas as cobranças e estresses oriundos do cargo executivo desestimulam o cartola a participar do pleito. Assim, ele só indicaria e apoiaria seu sucessor.

Principais personagens da eleição do Peixe

Fernando Silva
Candidato derrotado à presidência na década passada, foi homem-forte do futebol em 2010 e 2011. Membro da “Resgate Santista”, pretende se candidatar novamente esse ano.

Francisco Cembranelli
Membro do Comitê de Gestão, agrada a integrantes do “Eu Sou Santos”, que dá apoio à atual gestão. Cogita se candidatar, mas não está convicto.

Luis Alvaro Ribeiro
Presidente licenciado ainda não sabe quem apoiará no pleito, mas não deve apoiar o candidato do “Eu Sou Santos”.

Mohamad Teixeira
Irmão do ex-presidente Marcelo Teixeira pretende lançar candidatura.

Orlando Rollo
Presidente da “Terceira Via”, ambiciona ser presidente e articula aliança com outros grupos de oposição, como ”Resgate Santista”, “ONG Santos Vivo”, “Mar Branco” e outros. Pode também se lançar como candidato a vice.

Pedro Luis Conceição
Apontado como possível candidato da situação nos últimos anos, o ex-membro do Comitê de Gestão diz não querer participar do pleito deste ano.