icons.title signature.placeholder Fellipe Lucena e Thiago Ferri
16/11/2014
08:10

Aos 36 anos, Fernando Prass é um dos principais jogadores do Palmeiras e suas boas apresentações o fazem nem mencionar a aposentadoria. Um dos maiores líderes do elenco, o goleiro enfrenta hoje Rogério Ceni, parte da geração que “mudou” a meta e beneficiou o arqueiro palmeirense.

– A geração dele, do Dida, Van Der Sar, pegou um pouco, a minha um pouco mais e as futuras vão pegar mais ainda essa especificidade da preparação de goleiros. Antigamente se faziam treinos que, com 33 anos, o goleiro estava acabado em termos de lesão. Hoje a preparação é muito mais correta. Na normalidade, um goleiro consegue jogar até os 40 em alto nível – falou Prass, ao LANCE!Net.

Os dois líderes, tanto em seus clubes, quanto em discussões sobre o futebol, como no Bom Senso (hoje o são-paulino está mais afastado), tem só uma relação de respeito. O encontro, que pode ser o último da dupla, graças à iminente aposentadoria de Ceni, não ocupa a cabeça de Prass.

– Eu, sinceramente, não me preocupo com isso. É um momento particular dele, deve ser especial por ser o último clássico no Morumbi, mas eu nem tinha me atentado a isso. Me preocupo com o que a gente tem que neutralizar do São Paulo – avisou.

Com o goleiro, que ficou fora por quase cinco meses graças às duas cirurgias no cotovelo, o Palmeiras recuperou a confiança na meta, além de um de seus principais líderes. Sem Valdivia, na seleção chilena, neste domingo Prass deve se igualar a Lúcio ao ser capitão pela 20ª vez em 2014 – foram os que mais usaram a faixa no ano.

Alheio às estatísticas (o time não vence o São Paulo no Morumbi há 12 anos e foi mal nos clássicos em 2014), Fernando Prass só pensa em manter o Palmeiras distante da zona de rebaixamento, e iniciar a situação perfeita até a próxima quarta-feira, quando o Verdão volta à sua casa após quatro anos. A receita: vencer o Choque-Rei hoje, e tirar a pressão do Z4 para bater o Sport na estreia no Allianz Parque.

– A gente precisa ganhar. Nossa situação exige isso. E é o jogo antes da inauguração da arena. Uma vitória (hoje) e depois a abertura, seria o ambiente perfeito - encerrou.

CONFIRA UM BATE-BOLA COM FERNANDO PRASS:

L!Net: O que é preciso fazer de diferente em relação à derrota para o Atlético-MG?
FP: Acho que a gente não pode analisar só o jogo do Atlético. A gente vem em uma sequência de jogos bons e teve esse ruim. Tiramos lição de todos os jogos, óbvio, mas fizemos muita coisa boa. Acaba ficando encoberto porque o futebol é instantâneo. A gente não pode se dar ao luxo de ter um dia ruim. Mesmo quando a técnica não estiver bem, tem que estar concentrado, porque no futebol nem sempre o que joga melhor vence.

O tabu de 12 anos do Palmeiras sem vencer no Morumbi incomoda vocês?
O tabu para mim é de um jogo. Só joguei uma vez no Morumbi pelo Palmeiras e empatei, 0 a 0. Assim como eu não me vanglorio dos oito títulos nacionais do Palmeiras, porque não estava disputando. Para vocês da imprensa e para a torcida isso pode pesar. Mas para a gente não.

Uma derrota no Choque-Rei aumenta a pressão para quarta-feira?
Claro que um resultado negativo dá mais pressão para o jogo do Sport, torna mais tenso, mais decisivo. Dependendo do resultado do Sport, a gente chega com um ponto na frente, um atrás... Podemos chegar com a pontuação praticamente idêntica, o que é mais um ingrediente. O clássico pode influenciar, mas momentaneamente temos que nos preocupar com o São Paulo, porque já é o bastante.

Como um dos líderes do Bom Senso, qual sua opinião sobre o calendário de 2015?
O que mudou foi só a pré-temporada, que aumentou uns dez dias. Já é um avanço, mas ainda é muito pouco. A perspectiva, sinceramente, eu não vejo. Claro que a gente está tentando, conversando, mas as coisas não se apresentam muito boas. Mas que deveria ter uma mudança, ou pelo menos um debate em cima disso, deveria ter. É nítido, todo mundo sabe que o ritmo de jogos do nosso calendário não é ideal. Esse ano até o trabalho da Seleção ficou prejudicado, porque o Dunga precisou abrir mão dos jogadores que estão disputando o Brasileiro. O Palmeiras tem o caso do Valdivia, um jogador em quem o clube investiu um dinheiro pesado e pode ficar fora de duas partidas decisivas.

A maratona de jogos é o que mais atrapalha hoje?
É uma das preocupações. Chega um ponto em que o nível cai e você tem que abrir mão dos principais jogadores. Ou você tem um déficit da parte física e esse jogador titular acaba rendendo menos. Tem gente que fala que jogador ganha bem, fica em hotel, viaja de avião... Como se fosse isso. Não tem como correr 10km, 12km em um intervalo de três dias e não sentir o cansaço. A gente acaba reclamando só quando aperta no nosso calo, então todo mundo tem que se conscientizar.

Você deve voltar a ser capitão contra o São Paulo? Muda alguma coisa?
O capitão não tem diferença nenhuma em relação a outro jogador. Vai da postura. Às vezes o cara está com a faixa e sente uma preocupação maior com certos detalhes. As lideranças estão aí, cada uma a seu estilo. As pessoas vinculam muito ao cara que gesticula, grita fala, mas a gente tem algumas lideranças que não aparecem para fora e são muito importantes também.

No seu caso, você não é gritar...
Eu realmente não grito muito, gosto mais de observar e conversar. Gosto de trocar ideia. As conversas que eu tenho são informais, elas surgem. Tem vezes que tu chama um jogador, mas isso é muito atípico.

Considera esta uma boa base para o ano que vem?
Tu tem que manter sempre uma base, até para o time ter raízes, ir amadurecendo. Se trocar muitas peças de ano para ano, acaba perdendo alguns processos de amadurecimento da equipe. Normalmente tu leva um ano para formar uma equipe, e no segundo começa a fazer contratações pontuais, para lapidar. Ser campeão no Brasil é muito difícil. Mas com certeza em 2015, se as coisas andarem dentro de uma normalidade a gente vai ter um time muito mais competitivo e muito mais forte do que ano passado e esse ano.