icons.title signature.placeholder Bruno Grossi e Daniela Caravaggi
25/04/2014
07:37

O presidente Carlos Miguel Aidar garantiu, apoiado pelo vice de futebol Ataíde Gil Guerreiro, que Muricy Ramalho está garantido como técnico até o fim de sua gestão em abril de 2017. E o treinador já agradeceu à confiança.

- Muito bom, excelente. Futebol é assim mesmo, sequência de trabalho. Que beleza que ele (Aidar) pensa assim – comemorou o técnico ainda em Maceió (AL).

Conforme a filosofia prometida pela nova gestão são-paulina, Muricy pôde dormir tranquilo após a derrota para o CRB, por 2 a 1, pela Copa do Brasil. E seguirá assim mesmo com novos tropeços em campo.

O que pode minar o trabalho do treinador e ídolo é a postura no dia a dia no CT da Barra Funda.

Aidar e Ataíde querem fazer de Muricy um genuíno manager europeu. Escolherá reforços, decidirá os dispensados e negociáveis e tomará todas as decisões relacionadas ao futebol. Seus superiores apenas atenderão aos pedidos e farão o máximo possível para concretizá-los.

No Santos, a diretoria também tentou premiar os resultados de Muricy no gramado. Os títulos estaduais em 2011 e 2012 e, principalmente, a Copa Libertadores de 2011 deram tranquilidade ao treinador. O problema dos santistas teve início quando a tranquilidade se transformou em marasmo nos gramados CT Rei Pelé e da Vila Belmiro.

O comandante sempre foi um dos defensores dos projetos a longo prazo, da sequência aos colegas de profissão. Esteve à frente do São Paulo entre 2006 e 2009 e acabou sendo demitido por Juvenal com o argumento de que estava desgastado no clube. Clube que pensava diferente e passou a sofrer como os outros.

Desde a saída de Muricy Ramalho, os tricolores testaram sete treinadores, além do coordenador técnico Milton Cruz. Ney Franco (79) e Ricardo Gomes (73) foram os mais longevos, mas apenas o primeiro conseguiu ser campeão no Morumbi ao conquistar a Copa Sul-Americana.

Em seus primeiros discursos com poder, Aidar e Ataíde não tiveram nenhuma vergonha em assumir que preferem deixar nas mãos do técnico são-paulino toda e qualquer opinião relacionada ao departamento de futebol do clube do Morumbi.

O mérito – ou honestidade – de reconhecerem que não são profissionais do ramo, entretanto, não pode ser confundido com permissividade. Bem como dar respaldo não significa permitir acomodação. Muricy Ramalho é respeitado pela carreira vitoriosa, mas não está imune a críticas. Principalmente da própria diretoria a quem é subordinado.