icons.title signature.placeholder Luis Fernando Ramos
03/07/2014
19:55

A notícia passou quase desapercebida na última semana. Tony Fernandes, dono da equipe Caterham, apagou sua conta no Twitter. Justo ele, que era muito ativo na mídia social. Seu último post foi um tanto indicativo: “A F-1 não deu certo”, escreveu. Está claro que o empresário malaio está passando o comando do time para frente.

Desde que começou em 2010, como Lotus Racing, a equipe só colecionou contragolpes. Perdeu em 2012 o direito de usar o nome lendário para a antiga equipe Renault. Neste ano, viu a Marussia pontuar no confuso GP de Mônaco e acabou ficando como o único time dos que estrearam há cinco temporadas a jamais ter ficado entre os dez primeiros em uma corrida.

As mazelas da Caterham motivaram Bernie Ecclestone a usar o time como exemplo para pressionar pelo fim das equipes pequenas e torcer para que as grandes usem três carros num futuro próximo.

- A Caterham é um exemplo de quem investiu muito dinheiro e precisa do mesmo tanto, por isso está procurando pilotos pagantes. Para quê, se nunca foram competitivos? Eles precisam parar. Se você não tem os meios, você desiste - disse o chefão da categoria.

O que Ecclestone ainda não entendeu é que a saída de alguém como Tony Fernandes significa o fracasso da própria Fórmula 1. De finanças, o malaio entende: em 2001, comprou uma companhia aérea minúscula (apenas duas aeronaves) e endividada em US$ 11 milhões por uma quantia simbólica. Hoje, a AirAsia conta com 165 aviões e registrou um lucro de US$ 111 milhões no ano passado.

O “não deu certo” a que Fernandes se refere é a categoria, não o seu projeto. Quando ele topou entrar na F-1, a FIA propunha a criação de um texto orçamentário e com motores custando apenas US$ 5 milhões para clientes. Era um terreno bem a seu gosto, onde seria necessário habilidade administrativa para ter sucesso.

Cinco anos depois, o teto nunca veio e nova geração V6 sai em torno de US$ 20 milhões. Vence quem gasta mais, não necessariamente quem administra melhor. Fernandes faz muito bem em cair fora.