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17/04/2014
14:19

O diário "El Mundo Deportivo", trouxe em sua edição desta quinta-feira um editorial sobre mudanças que devem ser feitas na equipe do Barcelona após a derrota para o Real Madrid na final da Copa do Rei. No texto, assinado pelo editor Francesc Aguilar, é pedido uma atitude dos dirigentes no sentido de renovar a equipe. O trabalho do técnico Tata Martino é defendido. A atuação de alguns jogadores na partida desta quarta-feira, como a do brasileiro Neymar, são elogiadas apesar da derrota.

Veja o texto na íntegra:

Já disse Andrés Iniesta: "Quando as coisas não saem bem, você se irrita, chora e levanta". Isso é o que deve fazer agora o Barça. Após o adeus à Champions, depois de perder em Granada metade do campeonato. A final da Copa, um clássico, fez ainda maior a ferida. Não perdiam três jogos seguidos desde a época de Joan Gaspart como presidente, que parecia já esquecida e superada. Fazia 11 anos que não acontecia tal golpe assim.

O futebol, que alguns dizem que sempre lhe devolve tudo o que dá, está sendo muito injusto com este Barça que coleciona fatalidades. Como se alguém lhe tivesse jogado um mau olhado.

La Masía parecia que ia ser protagonista, outra vez, com sete jogadores da base no time principal. Quando Marc Bartra, se transformou em Puyol e acertou uma cabeçada que, por momentos, foi ilusória. Foi um gol "made in Tito Vilanova", como os que conseguiram Xavi e "Puyi" na África do Sul contra a Alemanha e no Bernabéu no dia 2/6. Bartra beijou emocionado o escudo, como "Puyi".

Porém o negro destino o fez também de protagonista na galopada posterior de Gareth Bale, que acabou no definitivo 2 a 1. Quem sabe seu DNA de bom jogador o impediu de fazer uma falta tática ao galês para freá-lo.

Injusto

Porém seria terrivelmente injusto focar a derrota nessa jogada. Precisamente foi o gol de Bartra quem trouxe de volta o orgulho a seus companheiros, algumas "vacas sagradas" inclusive. Porque durante a maior parte do jogo os craques estiveram ausentes. Leo Messi ou Cesc Fàbregas estiveram desconhecidos, uma vez mais. Somente Neymar, quando se foi para a esquerda, Iniesta em alguns momentos e Jordi Alba deram a cara de uma forma continuada, com Mascherano e Busquets em seu lugar.

Este time era, e é muito grande. Merece todas as honras, todo o respeito. Ainda mais por mostrar que tem muito orgulho de campeão, que nunca se rende, ainda que jogue mal e as coisas não saiam bem.

Hoje é quinta-feira. O dia que desde o interior da Junta dirigencial apontavam como o início de uma revolução necessária, que na realidade é uma remodelação que chega com muito atraso. Se faz necessário tomar medidas desde o goleiro ao zagueiro desejado, passando pelo meio-campo e até o ataque. É o que pedia Tito Vilanova quando substituiu a Josep Guardiola, o que insinuou Pep como um dos motivos de seu adeus.

A Junta que preside Josep María Bartomeu está legitimada para seguir a frente do Barça e cumprir seu mandato. Porém devem ser escrupulosos em sua responsabilidade como dirigentes, ter a mesma implicação no tema esportivo e futebolístico que se teve com o referendum do "Nou Camp Nou". Faz falta um grande time, além de um excelente e moderno estádio. É indispensável.

Tataclismo 2

Tata Marino tampouco merece ser o único culpado, como alguns pretendem. Tampouco lhe tem ajudado desde o interior do vestiário, em seu entorno mais direto. Porém acabou perdido, sem resposta.

Martino ganhou a Supercopa sobre o Atletico de Madrid, tratou de dar seu selo à equipe, e não parou de ser criticado por todos os lados com o objetivo de desestabilizar uma Junta que assumiu o clube após a saída de Sandro Rosell. Tata viveu na carne o mesmo que sir Bobby Robson ou Louis Van Gaal na época de Josep Lluíz Núñez.

O melhor de tudo é que este Barça pode com todos, com uma torcida impagável, que ontem em Valência voltou a dar outra grande lição.