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10/04/2014
16:18

A fase de grupos da Libertadores termina noite desta quinta-feira, porém já é certo que o Brasil contará com metade de suas equipes nas oitavas de final do torneio. Dos seis clubes brasileiros que entraram na fase de grupos, três (50%) já foram eliminados. Todos perderam suas vagas para clubes com valores de mercado bem inferiores.

O percentual de clubes brasileiros classificados para as oitavas de final é preocupante quando visto que o maior rival do país no continente, a Argentina, está bem próximo de classificar todos os seus cinco representantes. Outros países com menos equipes na fase de grupos, como México e Bolívia, também avançaram com suas duas equipes.

Atlético-PR, Flamengo e Botafogo caíram na fase de grupos. O rubro-negro carioca, inclusive, repetiu o pífio desempenho de sua participação anterior na Libertadores, em 2012. O Botafogo viu suas chances de avançar às oitavas começarem a se esvair quando perdeu, em casa, para a Unión Española. O time brasileiro possui cerca de três vezes mais valor de mercado em comparação com a equipe chilena.

- Surpreende de forma decepcionante a forma como os times brasileiros se apresentam nesta Libertadores. Até mesmo o Atlético-MG, que está classificado, teve dificuldade contra o Nacional-PAR. O futebol carioca então nem se fala. Se esperava mais de Flamengo e Botafogo. Principalmente do Flamengo, que sempre teve o rótulo de ser um dos clubes mais fortes do Brasil. No entanto, caiu na fase de grupos nas duas Libertadores que jogou - disse Silverio Rojas, editor do diário paraguaio "ABC Color".

Uma amostra do impacto das eliminações dos times brasileiros na Libertadores pode ser medido com o Relatório da Pluri Consultoria, divulgado antes do torneio continental começar. O estudo apontava que os times bolivianos estavam entre os menos valiosos. Bolívar e The Strongest timham, respectivamente, valores de mercado de 9,9 milhões e 9 milhões de euros. Valores similares ao do Fortaleza, clube que está na Série C do Brasileirão. Pois estes dois clubes roubaram as vagas de Atlético-PR e Flamengo.

Até mesmo o desempenho do Cruzeiro, atual campeão brasileiro, causou estranheza entre os nossos vizinhos, como analisou o radialista da Rádio Universal, do Uruguai, Rafael Velazco. Em sua opinião pode haver um certo desconhecimento de técnicos e jogadores brasileiros sobre seus adversários.

- Ficamos impressionados como o Cruzeiro foi envolvido taticamente pelo Defensor. Ficou a impressão de que os cruzeirenses não levavam em conta a força do time uruguaio - disse Velazco.

Ainda assim Grêmio, Cruzeiro e Atlético-MG estão nas oitavas de final. Estão, sem dúvida, entre os favoritos ao título. No entanto, esta Libertadores comprova que o nível da competição está mais nivelado desta vez. Apesar dos valores apontarem o contrário.

Valores de mercado das equipes eliminadas (segundo relatório da Pluri)

Atlético-PR: 32,9 milhões de euros (R$ 109,2 milhões)

Perdia apenas para o Vélez como equipe mais valiosa. Os argentinos tinham 45 milhões de euros (R$ 149,4 milhões). Já o Universitario tinha valor de 10,9 milhões de euros (R$ 36,2 milhões), e o The Strongest 9 milhões de euros (R$ 29,9 milhões).

Flamengo: 44,8 milhões de euros (R$ 148,7 milhões) 

O rubro-negro carioca era a equipe com maior valor de mercado do Grupo 7. León, que eliminou o Flamengo no Maracanã, se aproxima disso com 36,3 milhões de euros (R$ 120,5 milhões), o Emelec vale 27,1 milhões de euros (R$ 90 milhões) e o Bolívar 9,9 milhões de euros (r$ 32,9 milhões).

Botafogo: 43,2 milhões de euros (R$ 143,4 milhões)

O San Lorenzo, que bateu o Alvinegro por 3 a 0, possui valor de mercado levemente maior: 43,9 milhões (R$ 145,7 milhões). Já o Independiente del Valle 29,3 milhões de euros (R$ 97,3 milhões), e o Unión Española vale 12,6 milhões de euros (R$ 41,8 milhões).

Com a Palavra
Roberto Assaf (colunista do Lance!)

Não se trata do fato de que os jogadores dos demais países sejam melhores que os nossos. Mas o diferencial é feito a partir do momento em que os times de fora do Brasil se preparam melhor para encarar a competição. O Flamengo é prova flagrante de um time que não sabe jogar a Libertadores.

Há por trás disso uma soberba natural dos nossos jogadores e treinadores. Isso passou a acontecer com mais frequência quando o futebol brasileiro começou a ganhar títulos em sequência. Ajuda a aumetar esse sentimento de superioridade o fato de que nossos clubes possuem o poder financeiro de contratar qualquer jogador que atue nas outras ligas do continente.