icons.title signature.placeholder Luis Fernando Coutinho
14/06/2014
10:17

Um novo Daniel Sarafian pode aparecer no UFC 174, que acontece neste sábado, em Vancouver, Canadá, contra Kiichi Kunimoto. A derrota para Cezar Mutante, em novembro passado, ensinou ao atleta uma lição difícil de ser aprendida por muitos lutadores: muitas vezes é mais eficiente lutar "com as regras" para se alcançar uma vitória. Na ocasião, o paulista estava melhor na trocação, mas viu a vitória escapar com o jogo de luta agarrada de Mutante, o que lhe rendeu a segunda derrota no Ultimate com a decisão dos juízes.

Em entrevista ao LANCE!Net, Sarafian analisou o aprendizado que tirou do resultado e confessou que está disposto a "fazer uma luta feia" daqui pra frente em busca de novos triunfos. Mas a vocação pela trocação ainda faz parte do seu jogo.

- Desde aquela derrota, mudou muita coisa na minha cabeça. Fiz umas trocas no meu treinamento, especialmente na minha tática. Ganhei a mentalidade de que muitas vezes temos de "jogar mais com a regra" e menos com a emoção e alegria, e fazer o que tem de ser feito. Se tiver de amarrar a luta daqui pra frente, vou amarrar. Assim como perdi numa luta dessa maneira, vou usar isso a meu favor também. Gosto de trocar porrada, mas nem sempre isso é vantajoso. Se em algum momento tver de fazer luta feia, vou fazer. Assim que perdi e assim que vou ganhar. Não é a minha tática, gosto de ir para dentro, mas posso acabar tendo que usar esse tipo de jogo - admitiu o lutador, em conversa por telefone com o L!Net.

Diante de sua primeira luta pelo UFC fora do Brasil, Daniel analisa o confronto com Kunimoto e projeta que o adversário possa apresentar justamente o jogo de luta agarrada.

- Não tive muito material dele, mas tive algumas coisas. Deu para ver o que ele gosta de fazer. Tenho uma estratégia a seguir, a minha estratégia de luta. Não posso falar (risos), mas ele, como japonês, não me surpreendeu muito ao gostar mais da luta agarrada. Estou preparado para ele - explicou.

Encarada tensa entre Sarafian e Kunimoto antes de combate (FOTO: UFC)

Confira um bate-papo com Daniel Sarafian
Você acha que fez sentido o UFC casar você contra o Sarafian naquele momento?
Acho que sentido fez algum, sempre faz, mas seria mais lucratvo para o esporte e para o Brasil se tivesse ficado mais para frente, ou nem acontecido. De certa manera, o UFC queimou um cartucho com essa luta. Mutante ganhou numa luta bem morna da parte dele, que amarrou o jogo. Mas ele ganhou. Ele conseguiu, lutou com o CB Dollaway, um cara que fiz três round's, e ele foi nocauteado no início. Ou seja. Nem eu e nem ele ficamos. O UFC meio que acabou com dois nomes potenciais no futuro para o esporte. Claro que podemos reconquistar nosso espaço, mas por enquanto é isso... 

Você se sente pressionado por uma vitória?
Tiro da minha cabeça que é pressão. Quem coloca pressão é a gente mesmo. Os pensamentos podem ser o melhor amigo ou o maior inimigo da gente. Ganhando ou perdendo, a vida é a mesma. nada muda. Vou para fazer o que gosto e escolhi, isso pra mim é o que gosto de fazer.

Como você tem se sentido após mudar da categoria dos meio-médios para os leves? 
O Eduardo (Alonso, empresário) achava e eu também que seria muito difícil. Isso era uma coisa que eu achava impossível para mim. Acreditava que nunca fosse bater 77kg. Tive um bom nutricionista e consegui. Tive que fazer um trabalho para catabolizar. Tive de perder massa magra. É um trabalho difícil. Se eu não tivesse o foco que tenho, não teria conseguido.

Sarafian conta com duas derrotas e uma vitória no Ultimate (FOTO: UFC)

Mande uma mensagem para o público brasileiro...
Podem esperar o meu melhor. Vou cair para dentro, sair na porrada com ele e vou lutar. Vou apertar o botãozinho do "dane-se" e cair dentro. Vamos ver onde vai dar. Vou lá e vou cumprir até o final.