icons.title signature.placeholder Bruno Cassucci e Marcio Porto
04/07/2014
08:00

Pablo Armero é daqueles que pegam carona com o rei Roberto Carlos: "Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi". Emotivo ao extremo, como alguns jogadores brasileiros se revelaram nessa Copa. Famoso pelas dancinhas, ele também chora. O lateral-esquerdo simboliza tudo o que é a Colômbia nesta sexta-feira, nas quartas de final contra o Brasil, às 17h, em Fortaleza.

Seu bom desempenho no Mundial com a melhor seleção da competição é o alerta para a Seleção Brasileira. E a superação o fez substituir o choro pelo sorriso.

Pouca gente lembra, mas foi por aqui que Armero viveu um dos momentos mais emotivos da carreira. No dia 31 de janeiro de 2010, num clássico entre Palmeiras e Corinthians, no Pacaembu, ficou apenas 33 minutos em campo. A substituição precoce do técnico Muricy Ramalho foi um tiro no peito. Armero não se conteve. E chorou como uma criança no banco.

Quatro anos depois, seus companheiros de Verdão na época veem naquele gesto um dos motivos para o sucesso de agora.

– Naquele dia, a torcida viu o caráter dele. É uma grande pessoa, merece esse sucesso – afirma o volante Wendel, justamente o substituto de Armero no tal Dérbi.

Companheiro de quarto na concentração, o volante Souza, hoje no Santos, concorda com a análise do ex-companheiro. E lembra de outro traço marcante da figura carismática do camisa 7 da Colômbia: Armero é sonâmbulo.


Armero comemora com James um dos gols da Colômbia (Foto: Toshifumi Kitamura/AFP)

Até aí, tudo bem, mas um dia a situação saiu do controle. O Palmeiras foi jogar no Piauí e a concentração era no 17º andar do hotel. Souza acordou no meio da noite com o colombiano suado, indo em direção à janela e repetindo a frase: "Amigo quer me matar!".

– Eu tomei um susto, pulei da cama. No dia seguinte, ele não lembrava de nada! Sem falar das vezes que ele conversava sozinho dormindo – contou Souza, aos risos.

O relato poderia ser trágico, mas felizmente é cômico. Souza, claro, salvou o colega, que voltou a dormir depois de ir ao banheiro.

Desta vez, Armero estará acordado, lutando para fazer os colombianos chorarem de alegria. E os brasileiros, de tristeza. Afinal, neste duelo, quem não chora, não dança.

ARMERO CHOROU

Substituição doída
Em 31 de janeiro de 2010, no clássico entre Palmeiras e Corinthians no Pacaembu, Armero não jogava bem e foi substituído aos 33 minutos do primeiro tempo. Para apressar a saída dele, o técnico Muricy Ramalho puxou o colombiano pelo braço e o tirou de campo. Triste, ele chorou no banco de reservas e, após a partida, prometeu "aprender e melhorar". Pouco mais de um mês depois, criou o "Armeration" em comemoração de gol contra o Santos, na Vila Belmiro.

OPINIÃO DE JORGINHO, EX-TÉCNICO DO PALMEIRAS

"Como técnico, fiquei sete jogos com o Armero e um pouco mais como auxiliar. Só tenho coisas boas a falar dele. Um cara alegre, brincalhão, que transmitia essa felicidade a todos.

E também muito profissional, exemplar nos treinos... dedicado no exercício da sua profissão.

Sobre sentir a pressão, não concordo. A questão é que cada jogador reage de um jeito às adversidades e cobranças. O Armero não gosta de ser exposto, então tem que levar na conversa, no papo amigo..."