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14/11/2013
10:14

Após campanha modesta no Campeonato Brasileiro do ano passado (um nono lugar) e vendo o sucesso do Atlético (vice-campeão e pela primeira vez à sua frente nos pontos corridos) a diretoria do Cruzeiro precisava fazer o time deixar de ser coadjuvante, como ocorrera nos últimos tempos. Dois fatores marcaram a virada.

O primeiro foi a chegada do técnico Marcelo Oliveira. Assumiu um dia após o fim do Brasileirão-2012, no lugar de Celso Roth. O outro foi a injeção financeira com a venda de Montillo ao Santos, em janeiro. Em relação ao treinador, tratava-se de aposta de risco. Apesar do sucesso no Coritiba, Marcelo vinha de trabalho pífio no Vasco. E o pior: sempre foi identificado com por seis vezes assumiu o Galo. Visto com reserva pela torcida, anunciou que daria espaço aos atletas da base e formaria um time de ponta.

O ótimo elenco de 2013 foi viabilizado pelo dinheiro de Montillo, R$ 30 milhões. Na mesma semana na qual negociou o argentino, a diretoria contratou Éverton Ribeiro, para assumir a função do gringo. Depois vieram Dagoberto, que dispensa comentários, Ricardo Goulart, revelação do Goiás, e o ex-santista Bruno Rodrigo.

Os três se somaram a um grupo que já contava com Nilton (ex-Vasco), Diego Souza (sem clube) e Egídio (ex-Goiás), que acertaram em dezembro. Os sete começaram a temporada como titulares. Marcelo Oliveira cumpriu a promessa ao escalar os garotos Élber e Vinícius Araújo.


É Tri! Cruzeiro vence Vitória e é campeão brasileiro

Nove caras novas (Fábio e Ceará como representantes da safra 2012). O Cruzeiro mandou ver. De janeiro a maio venceu 16, empatou uma e só perdeu na ida da final mineira para o Atlético-MG. Só que o insucesso fez o time ficar com o vice estadual. Por isso, a diretoria tratou de gastar boa grana na contratação do zagueiro Dedé (R$ 15 milhões) para ajustar um ponto fraco na defesa e entrar na Série A como um dos favoritos. Mas o time começou irregular: oito pontos em cinco jogos antes da parada para a Copa das Confederações.

E Dagoberto, que estava voando, se lesionou. Foi péssimo. Afinal, Borges, o outro atacante de ponta, também se recuperava de lesão. Faltava algo. Marcelo aproveitou as três semanas sem jogos no Brasileiro e os dois amistosos nos Estados Unidos para analisar qual o elo que faltava. O elo veio com a venda de Diego Souza. O Metalist (UCR) procurou o Cruzeiro com a seguinte proposta: R$ 10 milhões mais o empréstimo de um ano do meia-atacante Willian. Proposta aceita.

Sem Diego Souza, Marcelo Oliveira passou a jogar num 4-2-3-1, com Nilton e Lucas Silva (outra prata da casa) como volantes, três meias ofensivos e um atacante enfiado. Uma semana depois, na oitava rodada, no Morumbi, o Cruzeiro fez 3 a 0 no São Paulo, gols de Luan. Era prenúncio: qualquer cruzeirense sabe que o Sampa é um velho algoz.

E no jogo seguinte o Cruzeiro fez 4 a 1 no Galo. Xeque-mate. O que era bom ficou melhor. Com o dinheiro de Diego Souza, o Cruzeiro fechou com Julio Baptista. Ao mesmo tempo, Willian encaixava como luva. Veio sequência recorde de vitórias, os lesionados voltaram e, como o time estava tinindo, Dagoberto e Baptista viraram opção no banco. Após a vitória sobre o vice-líder Botafogo por 3 a 0, o Cruzeiro abriu sete de frente e ninguém tinha dúvidas: o título era questão de tempo.

O time chegou a ter uns tropeços. Nada grave. E na noite da última quarta, após o jogo com o Vitória, a vantagem para o vice-líder tornou-se impossível de ser alcançada. Título conquistado com antecedência de quatro rodadas. Fábio, Ceará, Bruno Rodrigo, Dedé e Egídio; Nilton, Lucas Silva, Éverton Ribeiro, Ricardo Goulart e Willian (Dagoberto); Borges. Mais as peças que entram e são decisivas: Mayke, Dagoberto, Julio Baptista. Uma Raposa com 14 titulares e vários reservas de valor e todos na ponta da língua. Parabéns pelo caneco.