icons.title signature.placeholder Gabriel Carneiro
18/12/2013
09:02

O Corinthians já era campeão da Libertadores em julho de 2012, quando Mano Menezes precisou reformular a Seleção Brasileira depois da perda da medalha de ouro na Olimpíada de Londres. Ralf chamava atenção como recordista em número de desarmes, mas o técnico preferiu outros nomes, como Sandro e Rômulo. Explicação? Ralf era o "melhor marcador do Brasil", mas não era um jogador "completo" e nem jogava "futebol moderno". Um ano e meio depois do puxão de orelha, os dois se reencontram no Timão de 2014.

Para alívio do substituto de Tite, ele comandará um volante que entendeu o recado e passou a se aventurar no campo de ataque, aumentando suas médias de assistências, finalizações, lançamentos e até de passes certos. Desde o momento em que foi preterido na Seleção, Ralf trabalhou para melhorar ofensivamente, e a comissão técnica de Tite participou ativamente desse processo, intensificando treinos de finalização, inversão de jogo e passes.

Como herança, deixou um jogador com igual poder de marcação, "impressionante, sem fazer falta", como afirmou Tite ao LANCE!Net em 2012, e com mais qualidade na saída de bola.

Apesar das críticas de Mano terem proporcionado evolução no futebol de Ralf, elas não foram bem digeridas na época. O lateral Fábio Santos chegou até a fazer cobrança, dizendo que na próxima convocação o treinador certamente lembraria do "cão de guarda" do Timão. Tite preferiu não comentar as declarações do então técnico da Seleção e se resignou a afirmar que Ralf era o melhor volante do Brasil. O atleta não conseguiu esconder sua decepção.

– Não levar tudo bem, mas não tinha que dar essa explicação. Vou ficar focado no Corinthians – afirmou Ralf, ao jornal "Marca", na época.

Desde que chegou ao Timão, indicado por Mano do Grêmio Barueri, Ralf fez 238 partidas e ganhou cinco títulos. Dá para melhorar mais?

GUILHERME ANDRADE VIRA O PRIMEIRO RESERVA APÓS SAÍDA DE MALDONADO:

Ralf praticamente não dá brecha para seus concorrentes no elenco. Por isso, um reserva na posição já tem a ciência de que raramente será aproveitado.

O chileno Maldonado, o último suplente, tem contrato até o fim deste ano e já foi avisado pela diretoria que o vínculo não será renovado. O jogador passou o início da temporada recuperando-se de lesão no CT Joaquim Grava e, ao ser observado pela comissão técnica, acabou contratado. No entanto, ele não caiu nas graças da torcida e a diretoria também decidiu não mantê-lo.

A opção atual no elenco para a reserva de Ralf é Guilherme Andrade, que passou praticamente o ano inteiro em recuperação de uma ruptura no ligamento cruzado anterior do joelho direito. O jogador, quando foi contratado da Ponte Preta em 2012, chegou inicialmente para a lateral direita.

Guilherme, Jocinei e Ibson, outros volantes, têm características mais ofensivas.

VOLANTES COMPLETOS QUE MANO CHAMOU PARA A SELEÇÃO

Lucas Leiva - Volante do Liverpool é "marcador nato", mas teve chances com Mano até se lesionar.

Sandro - Com boa chegada no ataque desde o Inter, jogador do Tottenham era nome frequente.

Paulinho - Ganhou oportunidade após a Libertadores-12 e depois nunca mais saiu. Peça-chave.

Ramires - Na reta final, volante do Chelsea ganhou espaço com Mano e virou um dos titulares.

RALF TEM SETE PARTIDAS E DOIS TÍTULOS PELA SELEÇÃO

Convocado para a Seleção de Mano Menezes em julho de 2011, quando Lucas Leiva estava suspenso e Sandro lesionado, Ralf jogou mais seis partidas com o técnico além do amistoso contra a Alemanha, em que perdeu por 3 a 2.

O volante do Timão participou das duas edições do Superclássico das Américas, vencidas pelo Brasil contra a Argentina, em 2011 e 2012, e ainda foi convocado para os amistosos contra Costa Rica e México. Com Felipão, enfrentou Bolívia e Chile com times só de atletas que atuam no país. Jogador ainda sonha com a chance de disputar a Copa do Mundo de 2014.