icons.title signature.placeholder Felipe Bolguese
30/12/2013
08:05

O Corinthians deseja contar com Maicosuel para 2014. O meia não esconde: também quer o Corinthians – e desde pequeno. Em entrevista ao LANCE!Net, o jogador disse que o Timão é seu clube do coração e que seria a realização de um sonho de infância. Para que isso aconteça, porém, é preciso “dobrar” a Udinese (ITA), clube com o qual ainda tem contrato até a metade de 2017.

Há duas semanas, a diretoria corintiana formalizou uma proposta por empréstimo, enquanto encaminhava a venda de Edenilson para a mesma Udinese. A resposta foi que, por empréstimo, dificilmente haverá negócio. As conversas seguirão em janeiro, e o Timão ainda tenta encontrar uma alternativa para trazer o Mago, como ficou conhecido na época em que defendeu o Botafogo. Foi no clube carioca que ele virou destaque no Brasil, após passagens apagadas por Cruzeiro e Palmeiras.

Maicosuel tem propostas de outros clubes do Brasil (Inter e Santos já o procuraram) e um do México, mas dá preferência ao Timão. O jogador passou o Natal em Cosmópolis, interior de São Paulo, e voltou ontem para Udine, sem saber o que será do futuro. Quem sabe, em janeiro, ele esteja no CT Joaquim Grava...

Você está embarcando de novo para a Itália... É possível vê-lo de volta ao Brasil já em janeiro?
Vamos ver, estou esperando as negociações, vamos ver o que vão decidir. Quero ser feliz só, jogar bola.

Como recebeu a proposta do Corinthians? Foi o primeiro a oficializar a oferta nesta janela.
É uma satisfação muito grande. É difícil falar do Corinthians, foi onde sempre eu quis jogar. Sou do interior de São Paulo, uma cidade muito pequena. Meu pai é corintiano, minha família é corintiana, meus amigos também... É difícil falar dessa camisa porque é a camisa da minha infância. Minha infância foi baseada no Corinthians, eu era corintiano doente. Lógico que, quando você começa a jogar, vai criando amor pelo clube que joga. Mas para mim seria um sonho, seria surreal poder jogar pelo Corinthians. Me deixou muito feliz o time do meu coração querendo me contratar. Estou com os pés no chão, estou tranquilo, só que é um time que gosto, fiquei feliz, em êxtase.

Está infeliz na Europa? Pretende voltar? Na Udinese, você não tem sido titular nos últimos meses...
Estou me adaptando. Na verdade, já me adaptei. Estou há um ano lá de novo, a língua é mais fácil do que na Alemanha, onde também já joguei. Estou adaptado, mas tenho vontade de jogar no Brasil, voltar para casa, ficar com a família, isso é normal. Tenho contrato vigente com a Udinese, mais quatro anos, quando fiz o contrato eu tinha a ideia de ficar lá. Se aparecer proposta, não só do Brasil, mas de outros lugares, se for uma vida boa para mim, meus filhos, minha família, vou estudar e colocar na balança. Mas sem dúvida nenhuma que eu quero voltar para o Brasil.

Nota de Redação: Maicosuel foi vendido à Udinese pelo Botafogo em julho do ano passado. Na época, o clube pagou cerca de R$ 13 milhões e o meia assinou contrato até a metade de 2017. Nos últimos tempos, ele tem sido pouco utilizado pelo técnico da Udinese, Francesco Guidolin

A Udinese já recebeu outras propostas por empréstimo antes e não o liberou. Você conversa com a diretoria, o que ouve do clube?
Eu não converso com o pessoal clube, não, costumo ficar fora da negociação. Tenho o meu empresário, o Lê, é um cara que faz tudo por mim, eu confio plenamente nele. Ele quer o meu bem e está conversando. Mas é difícil falar. Até porque é um assunto fechado. Eu, como jogador, procuro não me envolver. Ele (Lê) me pergunta se estou feliz, o que eu quero, aí eu respondo e ele toma a decisão. Ele sabe o que eu penso, que estou feliz, mas posso sair. Estou tranquilo, vamos ver o que vão decidir. Proposta por empréstimo eu já tive outras vezes, a Udinese não liberou. Eu sei que é difícil. Já falaram que não querem me emprestar, para sair teria de ser algo definitivo. Eu queria resolver tudo logo. É ruim para mim, essa angústia, de não saber pra onde vou, onde estarei em 2014, se vou ficar, se vou sair... É difícil, quero que decidam o mais rapidamente possível para saber qual será o futuro.

Pelo fato de ser o Corinthians um dos interessados, você pode fazer uma “força” para sair?
Tenho contrato com a Udinese, mas essa proposta do Corinthians me deixou muito feliz. Se eu ficar, também vou estar feliz, mas pelo Corinthians ter aberto as portas eu já fiquei feliz. Estou feliz na Udinense, gosto das pessoas, da cidade, do clube... Falar que não estou feliz, que estou em baixa, é pura mentira. É um clube que gosto muito, gosto das pessoas, minha família gosta da cidade, fala italiano. Mas por ser Corinthians, o clube onde sempre sonhei em jogar um dia quando era pequeno, eu tenho vontade de ir. Fiquei muito feliz. Tem outros clubes interessados, mas o Corinthians levaria vantagem. Se não for dessa vez, será outra!

Como o Corinthians é visto na Itália, até depois da conquista do Mundial sobre o Chelsea-ING?
É um grande clube brasileiro, não só no nosso país, mas em todo mundo. Era o campeão mundial, tem muita força, é o clube de maior torcida e tradição do país. É um clube visto com muita força. Com a contratação do Pato, que é um nome conhecido e muito forte na Itália, o clube ficou ainda mais forte lá na Europa. É um clube muito bem visto na Itália, é muito grande.

Você também teve identificação grande com o Botafogo. Não pensa em voltar para o clube?
É um carinho que nunca vai acabar. O sentimento que tenho pelo Botafogo é verdadeiro. Não só a torcida, mas o clube me abraçou de uma forma, me fez crescer muito profissionalmente. Não vou ser hipócrita de falar que gosto de um time, gosto de outro, mas gosto muito do Botafogo. O Corinthians eu carrego no peito de nascença, de criança, de família, eu sou corintiano... O Botafogo eu aprendi a gostar, eu aprendi a amar o clube pelo que fez por mim, o jeito que me tratou, me fez crescer. O Botafogo nunca vai sair da minha vida.