icons.title signature.placeholder Bruno Andrade
26/02/2015
07:05

Em meio à crise hídrica que toma conta do Estado de São Paulo, Corinthians e Palmeiras têm descontos no valor das tarifas de consumo de água. Os dois clubes estão na lista de 500 consumidores que têm contratos com a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) que premiam o consumo: quanto mais usam, menos pagam por litro.

A presença de Timão e Verdão ao lado dos “clientes especiais” da Sabesp foi publicada no dia 12 de fevereiro pela versão brasileira do jornal espanhol El País e confirmada na última quarta-feira pela reportagem do LANCE!Net.

O Corinthians confirma que tem um "contrato diferente" com a Sabesp e entende que os benefícios são normais. Além disso, o clube faz questão de ressaltar que tem planos de metas com a fornecedora de água e também faz economias dentro das instalações (sede social e CT, por exemplo).

– Temos, sim, um contrato diferente com a Sabesp, que é muito similar aos contratos de condomínios, igrejas, shoppings e clubes. Fazemos parte de um cadastro diferenciado. Na teoria, a gente consome mais mesmo. Mas muita gente está pensando que pagamos menos. Não é bem assim. Temos planos de metas, fazemos economias. Além disso, temos reuniões mensuais para falar sobre redução de gastos. A Sabesp faz vistorias constantes, é tudo controlado – declarou Eduardo Caggiano, novo diretor administrativo do Timão.

Assim como o rival, o Palmeiras confirma que tem um contrato especial de consumo de água e que julga o acordo como “normal”. O clube, no entanto, faz questão de ressaltar que não tem a garantia de fornecimento sem cortes.

Para Corinthians e Palmeiras, cada mil litros de água custam R$ 9,69, enquanto os clientes do setor comercial que não assinaram o "contrato especial" pagam R$ 13,97 - desconto de mais de 55%. Condomínios, bancos, hospitais, shoppings, igrejas, indústrias, supermercados, colégios e hotéis também fazem parte da lista de “premiados”.

– Nesta crise, deveriam valer para todos as mesmas tarifas e condições de uso da água, porque o acesso à água daqui para frente não pode mais ser visto como um privilégio de quem têm dinheiro ou contrato específico – criticou Carlos Thadeu, gerente técnico do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), em declaração ao El País.