icons.title signature.placeholder Bernardo Cruz
12/11/2014
12:07

Poucas pessoas lembram (talvez o torcedor mais atento) da passagem do ex-jogador Marco Aurélio pelo futebol brasileiro. Após defender Olaria e Flamengo, o volante recebeu uma proposta para atuar na Turquia. No novo país, encontrou o sucesso e a chance de jogar por uma seleção nacional. Se naturalizou e adotou o nome Mehmet. Ficou mais fácil agora, amigo internauta?

Nesta quarta-feira, Marco ou Mehmet Aurélio vai reviver a mesma sensação que sentiu há sete anos atrás. Não só pelo fato de o país de nascimento encarar a nação que o adotou. No último encontro entre Brasil e Turquia (veja a ficha técnica abaixo), em amistoso disputado na Alemanha em 2007, o ex-jogador estava em campo defendendo as cores vermelhas dos turcos.

- Foi um jogo marcante na minha carreira. Fiquei nervoso, pois em campo estava o país onde nasci contra o outro que me aceitou, deu a oportunidade dentro do futebol e me aceitou muito bem. Então foi um momento que me balançou muito. Enfrentei grandes jogadores e amigos. Foi um dia muito marcante - afirmou em entrevista ao L!Net.

Atualmente com 36 anos, Marco Aurélio, que foi o primeiro estrangeiro a jogar pela seleção turca, fez parte da última grande campanha do país em uma competição internacional, quando chegou às semifinais da Eurocopa de 2008. Curtindo a aposentadoria no Brasil e estudando para se tornar treinador no futuro, ele lamenta o momento ruim que atravessa a Turquia, mas diz que o momento é para ter paciência.

- Mesmo aqui do Brasil sigo acompanhando o Campeonato Turco e a seleção. Infelizmente ela não atravessa um momento legal nas Eliminatórias para a Euro-2016. É um momento de renovação e o amistoso contra o Brasil pode ser muito bom para motivar os jogadores e ajustar os erros que vem acontecendo - analisou.


Marco Aurélio em ação na semifinal da Eurocopa de 2008 (Foto: Divulgação/FIFA)

Otimista, mas dividido, Marco Aurélio prefere não declarar escolha na torcida para o amistoso desta quarta. Mesmo acreditando no favoritismo do Brasil, prefere que o resultado final do duelo seja o mesmo do último, quando estava em campo.

- O Brasil atravessa com Dunga um momento melhor. Mas a Turquia dentro de casa e com a torcida vai dificultar as coisas. A torcida turca é apaixonada e mesmo nesse momento ruim vai empurrar o time. O campo do Fenerbahçe vai virar um caldeirão e o jogador que não estiver preparado vai sentir. Vou ficar na torcida por um empate sem gols que fica bom para todo mundo (risos).

BATE-BOLA
Marco Aurélio (ex-jogador da seleção turca)

Algum lance te marcou no amistoso realizado em 2007?
Acredito que foram 90 minutos que tivemos um bom volume de jogo. O time da Turquia jogou muito bem. Tive uma oportunidade que finalizei de fora da área, mas a bola subiu muito. Se eu pegasse menos embaixo, poderia ser gol. Mesmo sendo um empate sem gols, foi um ótimo resultado para a Turquia. 

Os jogadores ou o técnico Fatih Terim chegaram a pedir alguma informação sobre a forma como o Brasil atuava?
Tivemos uma preleção rápida com o professor Fatih Terim e ele falou da importância de fazemos um bom jogo contra o Brasil. Mas não chegaram a pedir minha opinião ou ajuda. Todo mundo conhece a Seleção Brasileira, a característica dos jogadores. Na época eram jogadores como Kaká e Ronaldinho Gaúcho, que entraram no decorrer do amistoso.

Brasil e Turquia possuem jogos marcantes, sobretudo na Copa de 2002 com direito a lances polêmicos. Acredita que exista uma rivalidade nesse confronto, mesmo com a admiração dos turcos pelo futebol brasileiro?
Acredito que não. Vivi por 11 anos na Turquia e tive a oportunidade de conhecer o torcedor. O povo turco gosta muito, é um apaixonado pelo futebol brasileiro. Meus amigos de lá falam que se a Turquia não estiver na Copa do Mundo torcem pelo Brasil. Eles encaram a oportunidade de jogar contra o Brasil como uma festa.

Você atuou durante muito tempo no Fenerbahçe e conhece bem o palco do amistoso desta quarta-feira. Qual a melhor maneira de atuar lá para sair de campo com a vitória?
É um campo compacto, que exige um time veloz e de muita marcação. São os dois fatores que Brasil e Turquia precisam desempenhar para surpreender o adversário e sair de campo vitorioso.

FICHA TÉCNICA 

BRASIL 0 x 0 TURQUIA

Data: 5 de junho de 2007.
Competição: Amistoso.
Local: Westfalestadion, em Dortmund (Alemanha).
Público: 26.700 pagantes.
Juiz: Floran Meyer (Alemanha).
BRASIL: Doni (Roma-ITA), Maicon (Internazionale-ITA), Naldo (Werder Bremen-ALE), Alex (PSV Eindhoven-HOL) e Marcelo (Real Madrid-ESP); Edmílson (Barcelona-ESP) depois Gilberto Silva (Arsenal-ING) 80', Josué (São Paulo), Elano (Shakhtar Donetsk-UCR) depois Kaká (Milan-ITA) 59' e Diego (Werder Bremen-ALE) depois Mineiro (São Paulo) 69'; Robinho (Real Madrid-ESP) depois Ronaldinho Gaúcho (Barcelona-ESP) intervalo e Afonso (Heerenveen-HOL) depois Jô (CSKA Moscou-RUS) 74'. Técnico: Dunga.

TURQUIA: Hakan Arikan (Ankaraspor), Sabri Sarioglu (Galatasaray), Emri Asik (Galatasaray), Gökhan Zan (Besiktas) e Ibrahim Uzulmez (Besiktas); Hamit Altintop (Schalke 04-ALE), Tugay Kerimoglu (Blackburn-ING) depois Yildray Bastürk (Hertha Berlim-ALE) 9' depois Nuri Sahin (Borussia Dortmund-ALE) 74', Mehmet Aurélio (Fenerbahçe) e Arda Turan (Galatasaray) depois Serdar Kurtulu (Besiktas) intervalo; Umut Bulut (Trabzonspor) depois Kazim Kazim (Sheffield United-ING) 61' e Tuncay Sanli (Fenerbahçe) depois Gökdeniz Karadeniz (Trabzonspor) 65'. Técnico: Fatih Terim.